Eu não sei exatamente o que acontece quando a gente reencontra pessoas sem data marcada na vida. Fora a surpresa, vem um monte de coisas aomesmotempoagora que deixam a gente com vontade de falar de tudo. Isso aconteceu com poucos amigos. E se repete a cada (re)encontro com eles.
O André foi assim. Era uma 6feira bem atípica em SP (ou não?) cheia de carros enlouquecidos conduzindo gente mais doida ainda. Greve de metrô. Esse detalhe eu não sabia... E recebo as seguintes instruções do Juliano: "compra um vinho bacana e eu te ligo pra vc pegar a gente no metrô". Ok, positivo e operante. Estava correndo porque eu tinha dado milhões de aulas e vindo num auê para comprar o vinho a tempo. Recebi o telefonema. Saí de casa e acreditando que rapidamente pegaria os dois moços, viria pra casa e me hibernaria numas almofadas enquanto eles pensariam e resolveriam o mundo virtual (de repente é mais fácil do que o real...)
Ora, querida, sinto muito. O tal do André naquela ocasião demorou HORRORES para chegar - lógico! a cidade estava um HORROR! - e mais ainda... eu precisei ficar dando voltinhas no quarteirão para aguardar. Nas 3 primeiras, ok. Paciência é uma virtude. Descobri que não tenho. Na 5 volta um ônibus me fchou e claro que eu fui dar uma de mulher maravilha e desci do carro barraqueira-chiliquenta para dar uma lição no motorista. O máximo que eu consegui foi uma risadinha sádica e um pedido (quasemudo) de desculpas. Ok. Larguei o carro quase no meio da rua na Vl Madalena e saí a pé bufando... Quando cheguei os dois estavam animadinhos com a conversa. Tentei - mesmo- me recuperar de um estress. Não deu certo. O Juliano bem sem graça disse meio tímido "ela está brava". Esta PUTA DA VIDA. Mal dei um "oi" e segui caminhando na frente. À lá "vamos logo". Mas o moço era um amor. O tal do André foi deixando de ser "o tal" e com aquela doçura toda estava a caminho de desmanchar o meu bico. Dito e feito.
No carro ainda disse que ia me acalmar e ia voltar a ser simpática. Pode? Descobri que ele se interessava por antropologia. Achei legal. Nunca imaginei que alguém relacionada ao mundo da internet de fato quisesse teorizar um pouco mais sobre aquilo. Enfim. Seguimos e abandonei os dois com o vinho no escritório para uma conversa sobre a internet, o mundo de lá, de cá, etc e tal. Aproveitei e hibernei um pouquinho. Consegui relaxar e lá pelas tantas peguei um papo "Irlanda" no meio da conversa.
Irlanda. Não é uma palavra que me sai da cabeça tão facilmente. Tirando o fato de eu AMAR Guiness e tudo o mais, eu particularmente gosto das dancinhas, da música e de todo o resto. Não vou desenvolver muito o papo aqui. Mas queria pontuar que, de alguma forma, quando eu saí do transe do piti, uma coisa muito gostosa brotou. Falei para o Juliano depois. No dia seguinte eles se encontraram eu acho. Domingo fomos para a praça Pôr-do-Sol, com a Bianca, uma fofa de tudo. E ali as conversas foram mais amigas, mais soltas.
Reencontrei o André depois de um tempo em Londres e na Irlanda. Foi muito bacana. Conversamos no sábado sobre a vida e essa sensação de que as buscas se entrançam o tempo todo através da gente. Buscar tudoaomesmotempoagora não dá. Esgota. Falamos sobre o mundo de lá, de cá. Sobre as angústias. As vontades de mudar, de se mudar, dos medos. Dos momentos bons e de uma tentativa de humanizar as pessoas em suas coisas. Ou seria de humanizar as coisas das pessoas? Pretensões à parte, foi uma delícia. Acho que pela primeira vez eu conseguia conversar sobre essas coisas num universo tecnológico de bar. Bloguiros, gente que manja de sites, que publica, que acontece, que vende, que pensa. Poucos ali sentiam... E a Ceila foi outro presente trazido.
André, obrigada pelas músicas. Mais que isso, obrigada por reforçar a doçura nessas coisas que são quase de sci-fi. Tive a impressão de em alguns momentos abraçar gente feita de metal prateado e que fazem toc toc no chão quando andam, manja? Legal achar através de você (falar do Juliano aqui seria redundante... por razões óbvias)pessoas queridas, reencontrar em mim outras coisas que quase se perdem. E a gente, muitas vezes por presunção, deixa passar mesmo.
Nos vemos no próximo bar...
segunda-feira, agosto 27, 2007
coisinhas do lado de lá
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Srta T
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blogando
Nunca pensei que um texto aqui teria esse título... Na verdade poucas coisas têm-se mostrado "normais" ultimamente comigo. Estive ontem, surpreendentemente, num evento de blogueiros. É. Apresentada pelo Sr Spyer como "blogueira". Esse título, epíteto desacreditável, aconteceu.
Lá pelas tantas me vi querendo dar palpites em coisas como "por que os jovens fazem isso ou aquilo". Blablablabla... na verdade me perguntei quietinha porque a gente fica se preocupando com isso. Sendo bastante honesta, ontem, pela primeira vez, percebi que meu blog era lido. E isso me custou alguns neurônios numa conversa.
Primeiro, porque eu escrevo... Nunca pensei nisso de forma organizada. Na verdade, escrever me organiza a bagunça interior...Depois, por que escrevo no blog? ora, essa pergunta acho que ficou (semi)esclarecida no texto "inaugural". Mas como cabeçuda deplantão enveredamos pelo caminho do públicoXprivado... Agradeço ao Pedro Mrkun pelas elucidações reflexivas-compenetradas-inusitadas a uma pre-iniciante-básica-complicadinhadealmaquegostadeescrever... De repente eu parei de ler sobre "gênero", história e a clássica "categoria mulher" e me vi abraçada a novos universos tecnológicos.
No fundo esse blog é uma tentativa de expurgar alguns demônios (no sentido original da palavra grega) que habitam a minha cabecinha. Pensar demais e sentir demais nem sempre combinadas são legais. Não mesmo. Por outro lado, pensar que este espacinho meu virtual (realíssimo) é habitado visitado. UAU. Lembro que mandei o linkdo blog para alguns amigos (bem poucos... ) os mais íntimos. Era como mandar um email. Foi mais que isso... eles começaram a mostrar para outras pessoas. Aí a gente perde de fato o controle sobre esse emailsópramim...
Ao mesmo tempo a sensação de ser lida - e mais, qeu isso aqui, de algum modo, faz sentido - me acalma. Ora, a inquieta não sou eu. Ao menos não estou sozinha. Verdadeiramente não tenho vontade de ser uma mega-pop-cheia-de-audiência. Isso me obrigaria a escrever. E odeio obrigações de alma. Estar vivo é suficiente para a menina. O resto precisa espontaneidade. E isso não se encomenda.
Presente de grego a idéia do Juliano. Isso aqui faz parte de mim de um jeito que sinto falta... gostaria de ter mais tempo livre para escrever qualquer coisa divertida ou que me ajudasse a organizar o álbum cerebral-sentimental.
Gostei do evento. Menos pelos debates. Mais pela conversa no sofá. Nos bares. Adorei rever o André. Ainda vai um texto depois sobre ele. Adorei estar ao lado do Juliano e ver as pessoas ali admirando e reconhecendo um dos muitos valores dele. O resto, fica nos bastidores. Bom ver gente humanizando a máquina. O resto, já vimos bastante.>
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Srta T
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quinta-feira, agosto 23, 2007
marquinhas
São 3 anos... e fiquei pensando no que dar de presente. É complicado porque a gente se presenteia todos os dias, em todos os momentos. Não seria exagero dizer que o Nosso é de fato um presente.
Fomos assistir Miss Saigon, presente da sogra... e ganhei o presente mais generoso vindo de alguém que está a se abrir a todo instante. Mas isso fica em segredo. É do Nosso.
Fiz uns marcadores de livros... Desses bem meus, românticos, ritualísticos. E novamente, à noite outra descoberta. Muito mais nossa...
E o mais incrível disso tudo é ver como a gente marca a vida um do outro, sempre, profundamente, intensamente. E não há como fazer isso sem dor...
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Srta T
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star wars >< sr dos anéis
1. Se sua espada cai, Aragorn precisa correr até ela para pegá-la de
volta.
2. Mark Hammil não parece uma moça feito o Elijah Wood.
3. Han Solo levaria apenas 0.0023 parsecs pra voar até Mordor.
4. Os Stormtroopers podem ser meio frouxos, mas pelo menos têm rifles
laser.
5. Duas palavras: cavaleiros jedi.
6. Flechadas não derrubariam um AT-Walker.
7. A Millenium Falcon é muito mais rápida que Scadufax.
8. Três palavras: sabres de luz.
9. O Um Anel pode permitir a conquista de um continente. A Estrela da
Morte destrói planetas.
10. Gandalf não pode simplesmente dizer: "estes não são os hobbits que
estão procurando."
11. Lando Calrissian traiu o grupo, mas compensou destruindo a 2ª
Estrela da Morte. Boromir traiu o grupo e, pra compensar, morreu
estupidamente.
12. Nenhum agente do Império tem medo da luz do sol.
13. Rohan tem tropas montadas. A Aliança tem uma esquadra de caças
X-wing.
14. Han Solo não namora uma mulher 3000 anos mais velha que ele.
15. Sauron não usa Star Destroyers.
16. O Pônei Saltitante não tem uma banda com integrantes de diversos
planetas.
17. Tantas línguas na Terra-Média - e nenhuma tão maneira quanto o
idioma Wookie.
18. Orthanc, Minas Morgul e Barad-Dûr não têm baterias anti-aéreas.
19. Nenhum Comandante Supremo do Império seria derrotado por uma mulher
e um hobbit.
20. Darth Vader não usa anel.
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terça-feira, agosto 21, 2007
Engraçado ver o tempo passar. E não sentir esse "peso" em você... Fazem 3 anos... e me sinto tão mais viva. Inteira. Ainda juntando pedaços desconhecidos de mim... Colando, costurando. Revendo a combinação de cores. E jogando remendos esfiapados...
Há gratidão nisso. E medo. Medo que eu me jogue ainda mais pra fora de mim. E o que fazer? Lançados os nós... Nosso.
E cada vez mais indefinido, define-se o que sinto aqui dentro. Inteiramente. Só pra ele. Devagar... como as eras. E deixando o que era para trás. Com conta gotas de aprender a amar...
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segunda-feira, agosto 20, 2007
o medo
Na semana passada, creio que pela primeira vez tive uma dimensão do que dizia o mestre Yoda sobre o medo e o lado negro. Curiosamente sempre me julguei meio "jedi" e , por ser fã do universo de Star Wars, achei que dominava alguma coisa dessas.
Nada. Conveniências e acasos à parte, estava passando o Episódio III - o nascimento do bebê vampiro Darth Vader. Fantástico poder assistir e combinar as reflexões com isso. Identificações tão sensíveis com a personagem do vilão. Como o medo de perder pode deixar a gente cego, deslumbrado com a vontade e a possibilidade de ter. E não temos nada. Mesmo. Fiquei pensando como a gente constói castelinhos de areia. Frágeis. Mínimos. Dentro e fora da gente.
Fiquei com medo de ter medo e cair "no lado negro da força". Entendia, muito claramente, esse lance todo de que o medo leva à raiva, que leva ao ódio e que leva ao lado negro da força... Tenho vivido tantos desafios jedis dentro de mim. Talvez sem o treinamento adequado, diria. Mas que pavor de pensar que posso atravessar uma fronteira dessas tão rapidamente. E mais medo.
Semana passada ouvia a terapeuta falando do que o medo faz com a gente. Como regredimos. E dizia sobre "sentar na verdade". Como assim? O que é a verdade ora, essa?! Como a gente direcionar o olhar e o sentir - examinar os sentimentos verdadeiros (o que mesmo???????????) - sobre a verdade. Onde depositar a confiança????
Me deu medo de novo. Há tantas incertezas no caminho... e coisinhas que a gente julga -petulantemente - saber...
É...
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sexta-feira, agosto 17, 2007
Ontem. Saí tarde da USP. Ouvindo sei lá bem o que e me roendo por dentro por causa do Pierre Bourdieu. No caminho pra aula uma conversa com o Tiago, velho de guerra! salve, irmão! sobre gênero.
Muito bem, trabalhamos juntos e ele foi escolhido primeiro porque é homem. Achei graça dessa situação - depois claro...! - afinal, não basta estudar as relações humanas disso que é chamado - vulgarmente hoje, penso - de masculino e feminino.
Fui pra aula rindo da nossa conversa sobre a História, sobre a vida, casamentos, separações, achados, perdidos, guarda-volumes. Ele se casou no início do ano com uma mulher absolutamente LINDA de morrer. Meio à lá Catherine Zeta Jones. De noiva então... pãtz! arrasou!
Este texto é uma homenagem a ele. Pra dizer de coisas, de afinidades de alma que a gente reconhece pela vida. Estudamos juntos. Mas não nos falávamos. Nem sei porque. Ele trabalha com o Vinícius, meu outro irmão de alma. E a vida reuniu a gente numa equipe sensacional.
O Tiago tem uns trejeitos do Vinícius, mas é mais bem-humorado. Ainda bem! Dá uma saudade do outro quando encontro um deles. Se parecem em muitas coisas. Estudam muito e fazem parte de um raro contingente de homens sensíveis-inteligentes-charmosos-meiofemininosporserembacanasedobemcomasmeninas! Sou fã. Ontem ele, surpreendentemente levou amanditas para a reunião. A gente como doxe HORRORES e como eu gosto de dizer, como que nem menino; ora esse papo de comer alface é pra coelho! Assumo minha condição humana !(ufa...)
Devoramos as amanditas em meio a uma reunião de decisões de comoseráofuturodahumanidadesedependerdenós. Não seria ruim se dependesse, mas acho que não ia rolar. Digamos que a gente seja do time idealista-ingênuo-sonhador contra o resto do mundo. Ok, meio alienista.
Apresentei a Márcia pra ele. Outro encontro. Tenho vontade de ter o Tiago e a Cris, mulher dele, mais perto. Engraçado porque tanto eu como ele podíamos ter transformado a disputa de vaga em desconfiança pura. Só amor! E reconhecimento.
Estranhamente eu sinto uma coisa meio mãe, pode? Vontade de cuidar dos amigos queridos. São tantos. Tantos que eu não vejo mais... A vidna do Rodrigo a SP me despertou tantos sonhos deixados nos lençóis... escondidos nas cobertas. Ficamos horas conversando no dia que ele veio em casa. Uma vontade de congelar ele aqui dentro. Difícil aceitar no meu apego leonino às pessoas que elas se vão, puxam os elásticos pra longe e nem sempre voltam depressa. às vezes nem voltam... e fico aqui esperando com a cordinha na mão... saudade de tanta gente! mas é bom ver que tenho diversas cordinhas amarradas nos dedos. Que, quando eu puxar, a pesca será maior...
E que seja doce... com as amanditas...
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Srta T
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terça-feira, agosto 07, 2007
emergindo
De fato, dá vontade de ficar ali, contemplando. E me lembro daquela frase de Fernão Capelo Gaivota... "vê mais quem voa mais alto". Ontem, antes de dormir fiquei relendo o Sandman. Antes de me despedir das cartas do Caio Fernando, estava com esse sentir-se só. Uma solidão de dentro. Olhava o Juliano ali do lado. Que coisa boa... mas é a solidão de que a transformação é solitária. Você só pode fazer isso por você mesma. E as pessoas, no máximo te aplaudem. Ou nem isso.
Sandman sonha? Permite esses sonhares. Nem sempre solitários. Mas deve ser mais triste só contemplar a humanidade dali de cima. É difícil optar pela contemplação e pela experiência... As duas dão esse medinho.
Saudade da cachoeira...
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segunda-feira, agosto 06, 2007
descasulando
28. Saturno. E esse amadurecer lento. Doído. Que a gente joga pra fora da gente quase cuspindo. Márcia leu meus textos aqui. Achei legal porque às vezes sinto que a solidão me toma escrevendo. Me deixa esse sentir-se só... Engraçado porque ela me fez ver uma coisa que tenho refletido - sozinha, claro.
Me perguntou se eu estava infeliz. Me disse - nada sutilmente, claro Márcia - que eu projeto as minhas dores nos outros, sobretudo no Juliano. É ÓBVIO que eu faço isso, por isso se chama relacionamento. Por isso mais ainda que eu estou vivendo essa catarse de transformações alucinantes interiores - e exteriores: CORTEI O CABELO! estou me achando suuuuuper mulherão! bom pra nova fase de aniversário!
Sábado rolou a festinha. Bom ver os amigos de tanto tempo! nossa! tanta gente querida! e todos se apresentando! se conhecendo se curtindo! uma delícia. Enfim. Eu fico sempre embasbacada e alucinada porque de repente estão todos juntos ali, de uma vez, ao mesmo tempo agora. E essa vontade de abraçar e sair falando-rindo-dançando-badalando-chorando com todos eles. E claro que eu não consigo. Minha hiperatividade ainda não deu conta disso. Ainda bem.
Mas o ponto da noite foi uma conversa com o Gavin. Ele é uma jóia dessas preciosíssimas que encontrei no meio do deserto. Um deserto intenso de experiências peregrinas pra dentro e fora de mim. Ao mesmo tempo. Um ano de trabalho com artistas num projeto meio "vamos mudar o mundo". Depois que os poderes de Grayscol não rolaram e faltou maturidade de todos os lados, o esqueleto tomou o castelo. E eu saí por Tandera sem querer definitivamente mudar o mundo. Já dá trabalho mexer dentro desse caroço aqui. Mas voltando ao Gavin... Artista queridíssimo e um educador que sabe - tem aprendido na pele... educar a dor. A dele. E isso me comove demais. Foi pouquinho, mas nesses pouquinhos sempre rolam as epifanias. Mistérios da vida.
Ainda vou escrever mais sobre ele depois... Mas o presente veio depois de uns vinhos aqui e ali. Uma despedida carinhosa e cheia de encorajamentos para prosseguir nesse desafio - bem precário às vezes - que a gente chama de amadurecer. Arte mesmo. Tekné. Saber fazer. Sem receitas. Aí está o conceito de habilidade.
Hoje saio da terapia depois de um mês de sossego externo e puro inferno astral vivido no âmago desse cuspimento de mim. Alívio... mais talvez porque as coisas demorem a se resolver do jeito que eu quero - e aí reside um mistério gostoso da vida - do que de uma pseudo-solução-terapêutica-astrológica-espiritual.
A gente vai vivendo. E se humanizando. E amando. E (des)cobrindo mais da gente. (re)velando... tanta coisa boa. Que presente ter o Juliano por perto. Mais perto de mim do que eu mesma...
pra me segurar quando eu bater as asas e deixar essa vida lagarteando...
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Srta T
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telefonando...
Domingo. Dia de (suposto) descanso. e lá eu... à procura de uma solução para o meu celular. Fiquei me sentindo em um furacão meio à lá twister... ou qualquer coisa brega e bagunçada. Fomos a 3 lojas da TIM...
Detalhe importante para sublinhar a eficiência de serviços de comunicações do país... ligamos para o serviço de informações e a figura, dita "consultora" consultou todo mundo e ninguém, podendo-estar-dando-a-chamada-consultoria-dos-assessores-da-TIM, pôde ajudar. Mãe Diná teria feito melhor. Walter Mercado com o seu "ligue djá", coitado... djá teria ficado esperando HORRORES e perdido clientes. Nenhuma clarividência explicaria isso.
Trânsitos astrais à parte... Andamos por 4 lojas... Mais fácil achar o Santo Graal e mesmo a Arca da Aliança. Quase pedi emprego ao Spielberg como atriz coadjuvante em Indiana IV! Nos mandaram para a loja do Vila Lobos - a 3 loja! - e quando chegamos lá... nos mandaram para o Iguatemi. Muito bem. Respirei fundo. Tentei pedir uma explicação qualquer e depois, "será que por gentileza você poderia ligar para lá e confirmar que o sistema deles está funcionando?"
"Não".
Como assim? Fiquei sem acreditar por uns segundos e já estava respondendo "ah, ok, obrigada".... "não podemos ligar pra eles porque eles nunca atendem o telefone", disse o mocinho com toda naturalidades dos consultores-consultados. Passei. Imaginem. Uma empresa de telefonia que não atende o telefone. Ok, ou seja, TIMganram...!
Chegamos na loja do Iguatemi depois de esperar o maná dos céus e Deus, evidentemtente, ocupadíssimo - imagino que ele deveria estar em algum local do céu atendendo ligações de pessoas desesperadas como eu, ansiosas e inconformadas. Ou pior - ele também não atendia telefone. Afinal, era domingo, dia do senhor. Havia uma fila consideravelmente GRANDE e todo aquele papo de "pode esperar pela senha". Pegamos senha. E ficamos olhando como peixinhos no aquário a loja em frente. VIVO. Estavam todos muito mortinhos ali, a começar pelos clientes, exaustos, impacientes. Ficamos ali e quando eu ia perguntar qualquer coisa filosófica como eunãoseiporqueagentetemquepassarporisso o Juliano se levantou e foi até a "concorrente". Mais: ficamos conversando com os vivos clientes e pasmem! - sãotodasiguaisemserviços! MESMO.
Depois de uma conversa rápida sobre promoções e seduções tecnológicas fomos surpreendidos pelo lojista da VIVO entrar, bastante à vontade, na loja da TIM. Literalmente atravessou a rua. Foi ali. Entrou atrás do balcão. Pediu informações à lá confidencial e voltou com um papo olha-a-gente-pode-resolver-isso-e-eles-não. A loja ia fechar. Antes que tomássemos uma atitude naqueles espírito -surpreendente - dominical, voltamos. Claro, eu tinha que xingar a vendedora da VIVO que foi suuuuuper grossa só porque queríamos uma última informação. Depois de ficar umas 6 horas do dia nessa comunicação surreal...
Voltamos para casa quase 10 da noite sem resolver as coisas do celular.
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11:37 PM
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segunda-feira, julho 30, 2007
o retorno ... de qualquer coisa
Enfim, de volta às praias paulistanas. Geladíiiiiiiiiissimas. Depois de alguns chuás nas cachoeiras de MG e alguns retiros espirituais - nada fáceis nesse trânsito de inferno astral (existe mesmo! aos incrédulos!) - estou de volta. Preparada para encarar mais um semestre. Mais um aniversário e mais um de tudo o que a vida reserva. (sempre é mais um... nada se cria, nada se perde... bla bla bla)
Estou pensando em escrever algo sobre o Retorno de Saturno. Meio remaker de O Retorno de Jedi. Detalhe: só terminarei a saga em 2009... Mas vamo que vamo. Muita literatura nessas férias. Carrapatos, pulgas e outros parentes próximos! Viva a natureza e toda essa onda brega de ecoturismo e preservação. Somos intrusos MESMO. Senti na pele (isso não é definitivamente, figura de linguagem... dá-lhe anti-alérgico!)
Novas metas - que espero, torço, suspiro - que sejam cumpridas! e aquele etc e tal de sempre na véspera de aniversário. Saudades do tio Fredy. e profundíssimas!!!!! sempre!
Fico por aqui com a previsão do tempo para hoje: saia de casa suuuuuper entrochado, com um anti-gripal, guarda-chuva, e uma regatinha e protetor solar caso o tempo mude.
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domingo, julho 08, 2007
Passeios a pé pela cidade hoje me fizeram lembrar de coisas gostosas do passado. Café depois de sair das aulas de ballet no municipal... visitas à livraria francesa...
conversas intermináveis sobre "como será o amanhã"...
É bacana quando o amanhã surpreende. Com gosto de trufa derretendo na boca... esquentando esse gelado da nossa existência.
Acabei de receber os meus pais aqui em casa e numa conversa com a minha mãe, recém chegada de Porto Alegre, com bá e tudo o mais, me dei conta que os amanhãs surpreendem sempre. Mesmo - talvez mais - na vida dos outros. Tantos anos fora do Rio Grande e a gente continua vinculado.
A família é a raiz mais forte que existe, quando bem construída. Me senti num romance da Scarlet Ohara... e foi assim mesmo que eu gostei de me sentir. Enraizada nesse vínculo misterioso da vida - a família. É o velho porto, seguro. Sempre com as luzes acesas, mesmo quando você muda e pára de olhar naquela direção. Misteriosamente - e sem você saber - ele te espera. Porque sabe que você, no fundo mesmo, nunca sai de lá.
Fiquei com essa doçura no corpo todo. Vi a Renata grávida, me lembrei do casamento dela. Em Lavras. Da festa, das risadas, do porre. Da volta pra casa. Do fim da faculdade. Tantas misturas boas aqui dentro... lembranças recheadas com esperança. De expectativa de viver esse futuro mistério que se renasce no ontem...
Fiquei pensando, olhando a Renata, que uma nova família viria ali. Esperada e cultivada. Deu saudade dos meus irmãos. Estão longe, vivendo suas (re)descobertas. Quis ligar pra eles dois... um aperto gostoso aqui dentro. Nem sei bem como eu comecei a escrever isso. Nem sei como vou terminar. Só a sensação de que é como um sentimento de família... nunca termina, nem sei se principia de algum buraco dentro da gente... e eu aqui... sem jeito, sem texto, cheia de sentir, se saudando nas lembranças de cada um ali na fala da minha mãe, nas risadas dos meus irmãos, e na barriga linda da Rê...
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quinta-feira, julho 05, 2007
casa(r)(ndo)
Estranhamente nessas férias estou caseira demais... Depois de ajeitar o básico no primeiro dia de sossego, atropelei a ansiedade fazendo faxina no guara-roupa... é. Terapia de graça, que alivia, e dá uma renovada na energia.
Foram horas de ajustes, ajeites, ajeitos, e desajeitos na minha bagunça interior que sempre se transforma depois de uma boa limpeza. Colocar as minhocas para trabalhar. Isso mesmo, que elas tenham utilidades nobres à alma além de me atasanar...
Aliás, outro dia me perguntaram porque há tempos não escrevia sobre elas. Se eu tinha dado férias às meninas...estava menos rancorosa... Fiquei ouvindo aquilo tudo... e de repente parecia que essa figura que me indagava sobre essa "peculiaridade" nos meus textos não tinha entendido absolutamente nada.
Não vou ficar explicando as minhocas, nem dizer nada delas. Além do que elas são de fato. Minhocas. Com "M" maiúsculo. E por isso mesmo, profundamente femininas (no pior sentido dessa contextualização... Pandora, você nem imagina como seria o mundo se naquela sua caixinha tivesse minhocas...! não mesmo!), com curvas, sorrisos, lábios e tudo o mais. E mais: inteligentes. Isso mesmo, burlam você, derrubam você. Por isso mesmo não podem ser apreendidas, confiscadas e, lamento dizer, explicadas.
Mas voltemos... Esse pequeno bate papo informal sobre elas me deixou encabrunhada... primeiro, tem mais gente que lê isso do que eu pensava. Bom. Não é esse o problema. Segundo, como tornar o indecifrável tratado sobre mim mesma, para sempre inacabado e revisado, e rascunhado, minimamente legível... Comecei a rir pensando que eu talvez me daria ao trabalho de fazer isso.
Tenho escrito sobre o casamento. E a pergunta do Gustavinho, citada no post anterior, me trouxe algumas luzes. Primeira fresta da janela aberta: eu sou muitíssimo feliz. E talvez seja exatamente esse o problema. Não em ser feliz. Mas compreender e apreender o que se entende sobre felicidade. Delírios literários, psicanalíticos à parte (não vou mesmo me dar ao trabalho de falar sobre isso!) eu fiquei pensando que, além do fato disso ser profundamente relativo, o desafio está em viver essas pequenas epifanias. Não compreendemos nada sobre o pleno estado do ser. Não somos. Estamos apenas. Estamos com calor, frio, fome, sede, felizes, tristes, eufóricos, putos da vida, de saco cheio. Estamos sempre alguma coisa. Essas etiquetas mutantes são a única coisa que temos de mais constante (apesar de toda a inconstância delas!)... e de fato, ainda estamos aprendendo a ser.
Talvez ser feliz seja extamente saber lidar com essa mutação de etiquetas emocionais, sociais que se têm o dia todo. Sem controlar. Ora, isso sim é pura ilusão. Talvez seja o movimento de sempre (re)fazer as faxinas no guarda-roupa... sem medo de jogar fora a roupa de anos atrás. O ponto é que a gente (aí sim!) É super apegado...
O casamento é isso. Testemunhar a vida do outro. Ok, essa é a parte fácil Você até pode assistir de camarote se quiser. Comprar uma pipoca, esperar e apagar a luz. A parte difícil, desafiadora e, claro, a mais bonita, é deixar que o outro testemunhe a nossa vida. Nossos defeitos, medos, alegrias, conquistas e derrotas. Testemunhe nossas mais feiosas e engraçadas idiossincrasias. E, maravilhosamente, passe a amá-las. É... isso é espetacular. Nossa existência na Terra já é solitária e corre-se o risco de ser vazia, sem graça, quase esquecida. Sempre me lembro de como os egípcios sacramentavam essa passagem da gente aqui. Escreve-se o nome das pessoas na pedra. Ela viverá para sempre. Será sempre lembrada por alguém.
Cansados de carregar as pedras habituais da vida que, cá entre nós, pesam um bocado... A gente se casa. Por amor, por medo da solidão, por encontrar a pessoa que completa, que dá sentido, por paixão, por gravidez inesperada, por grana, por qualquer coisa...
E, para o meu romantismo incontestável, o testemunhar é o que se tem de mais inteiro nisso. E justamente por esse motivo é que os casamentos duram pouco, ou nem começam, ou escorregam pelos dedos... Falta manutenção. Cuidado. Ser testemunha não é fácil mesmo. Advogados que o digam. Mas as pessoas tem medo dessa tarefa, você não pode mentir e, se o fizer, será condenado em algum plano de existência, seu ou do outro. Mas não passará incólume.
Justamente por isso. No dia do lançamento do livro do Pico, fiquei um tempão conversando com o Gustavinho... falamos sobre isso. Sobre mim. Ele viu uma Srta T há alguns anos atrás a ponto de quase se perder dela mesma. E foi o primeiro, talvez o único a dar a sentença de morte. Disse a ele de coisas que acontecem nos meus pesadelos de viver. Contei de coisas, de dores, de saudades, de tristezas, de transformações. E concordamos nisso. Transformação dá trabalho. Dor de cabeça (dói em outros lugares também...) E talvez esteja aí a metáfora do casamento que encontrei nessa conversa com ele... arrumar a casa para esperar a pessoa mais importante da sua vida. E descobrir que a sua arrumação, mon cher, não está a contento. Que aos poucos a monotonia da sua casa precisa mudar os móveis de lugar, limpar os farelos de pão que o outro deixou cair. Lavar lençóis, tirar o pó. Ah! detalhe importante! Nessa casa não se trabalham faxineiros ou empregados. Só você, afinal o seu convidado pode, no máximo, ser orientado onde e como jogar o lixo. E onde vai se sentar à mesa. O resto... é da nossa conta.
Por isso mesmo o casamento é assim. Bonito demais. Gostoso de tudo. Até com esse azedo amargo no fundo. Se mastiga... e quanto mais se mastiga, mais saboroso fica. Você descobre outros ingredientes secretos. Mas é preciso paciência.
Mais ainda, é preciso gostar de ficar em casa. E continuar arrumando tudo. Sem pressa. Com carinho e jeitinhos... fala-se pouco, e se faz mais... o resto, vem de madrugada, naquela ternura toda do edredon. Que é só nossa... e ninguém poderia jamais compreender. Epifania...
Gu, obrigada por me mostrar essa casa nova, naquela noite no Frans... sempre aberta para te receber...
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Srta T
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tardes de inverno
Essa imagem, de uma tarde de frio, sol, calor, passeio na usp...
Me lembrou o Gustavinho quando me perguntava na terça-feira, se eu vivia uma fase boa da minha vida...
Engraçado como isso se mostra de modos diferentes para as pessoas. Lendo e relendo algumas das coisas daqui, pode parecer, talvez, que eu tenha estado mal... mas como mesmo? se tudo o que eu tenho sido e vivido, experienciado e abraçado é o mais bonito que a vida pode dar. A gente nasce aos poucos, e demora pra florescer. Enquanto isso nos resta passeios em tardes assim, com carinhos na mão, no rosto e beijos no coração. Se a gente não consegue florescer a tempo, fico olhando as flores já nascidas. Vermelhas. Doídas até...
e agradecendo a minha história de amor... que sempre surpreende, e esquenta esse friozinho de inverno no peito...
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domingo, julho 01, 2007
resposta de infância
Thaty,
Mais uma vez fica dificil expressar em palavras tudo o que senti lendo o lindo post que você escreveu no seu blog. Peço desculpas pela demora em ler e responder mas minha vida anda literalmente de cabeça para baixo, acontecendo coisas que te conto na próxima vez que sairmos para tomar um chopp (quer dizer, tecnicamente porque eu, como sempre, vou pedir guaraná:-).
´
A vida realmente passa muito rapido e ao olhar para trás, pro nosso passado juntos, muitas vezes ele parece como algo de sonho, como cenas que nossa mente construiu e que não aconteceram de verdade.
Você bem sabe o quanto, em boa parte da minha vida, eu fui muito sozinho. Fosse pela timidez, pelo meu jeito ou minhas idéias eu era aquele garoto de um amigo só, que não saía com os outros e que passava longas tardes brincando sozinho. Isso só começou a mudar quando fiz quinze anos e quando por consequência conheci os meninos do Mirr (uma benção de Deus sem a qual não saberia como seria minha vida hoje). O que quero dizer é que antes de tudo isso, havia uma pessoa que enxergava em mim mais do que "o filho do dono da escola", o "nerd medroso" e esse alguém sempre foi você.
Você foi minha primeira amiga e a pessoa por quem me apaixonei pela primeira vez. A ´pessoa que aceitou me dar aulas particulares depois do horário, que criava e inventava mundos de fantasia, com que eu discutia a filosofia quântica dos nanotransmissores elementares :-0.
Sinto muitas vezes que em todos esses anos não fui capaz de retirbuir adequadamente todo esse amor e dedicação que você tem por mim e quero que saiba que se muitas vezes não o demonstro é porque não sei exatamente como faze-lo. Você foi uma grande benção de Deus em minha vida, talvez aquela que me deu a força necessária para sair do mundo infantil e perceber que não é só de fantasias que se faz esse terrivel e obscuro mundo das pessoas adultas.
Saiba sempre que te adoro e o quanto você é especial para mim. Estou certo que em um futuro distante, quando estivermos bem velhinhos, ainda vamos lembrar dessa fase com muito carinho
Beijos de quem te adora
Pico.
P.S: A nossa foto de caipirinhas é a ÚNICA foto de mulher autorizada pela Aninha a permanecer na minha escrivaninha :-)
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8:10 PM
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sábado, junho 23, 2007
irmanando
O corpo fragilizado mesmo... tanto cansaço, tanta vontade de ficar quietinha... e nesse quase-sono entorpecido... eu descubro mais...
Há coisas que a gente só se permite ver na fragilidade. Nesse entorpercer do corpo, cansando de si mesmo. De ver o mundo e sentir como se a gente pudesse, de alguma forma, controlar.
Ontem recebi a notícia... Clara terminou o namoro. Engraçado como algumas notícias tem impactos profundos na gente. Passei o dia com ela em sentimento. Não nos falamos. Fiquei com o coração apertado. Queria estar perto, ajudar, sentir, abraçar, escutar. Essas conversas que as irmãs têm quando se reconhecem mulheres adultas... Passei o dia assim. Descobrindo na minha fragilidade física a vontade de estar e ser ela. Tirar essa dor do peito e trazer pra mim. Mas ao mesmo tempo me lembrei de alguns anos atrás... a libertação é melhor sensação para a alma. Não posso roubar essa dor liberta dela. Não é justo...
e fico aqui, olhando as flores pela janela, esperando a Clara me ligar. Ou ligo antes? antecipo... ventos na cortina...
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2:32 PM
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sexta-feira, junho 22, 2007
antes de nós
Antes de mí tú no eras tú,
antes de tí yo no era yo.
Antes de ser nosotros dos
no había ninguno de los dos,
no había ninguno de los dos.
Antes de ser parte de mí,
antes de darte a conocer,
tú no eras tú y yo no era yo,
parece que fuera antes de ayer.
Antes que nada
yo quiero aclarar
que no es que estuviera tampoco pasándolo mal antes.
Pero algo de mí, yo no supe ver
hasta que no me lo mostró,
algo de tí, que quiero creer
que no vio nadie antes que yo,
que nadie vio antes que yo
Después de todo
lo que quiero es decir
que no entiendo como podía vivir antes,
no entiendo como podía vivir antes
no entiendo como podía vivir.
Antes de irme
yo debo decir:
yo también pensaba que era feliz
No entiendo como podía vivir antes.
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11:25 AM
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quinta-feira, junho 21, 2007
perguntando sobre as tulipas
Ontem um amigo me perguntou o que eram as tulipas além da obviedade - flores...
Percebi que o texto cozinhado na geladeira sobre elas deve ser terminado... Mas para que mesmo? não seriam essas tulipas as minhas testemunhas mais quietinhas? soli(t)dárias?
Talvez seja essa coisa do Mario Benedetti mesmo, sobre El Nuestro, que foi pessimamente traduzido! Dias atrás eu estava na Livraria Cultura e dei de cara com a tradução. "O Nosso Assunto"... que quase me deu uma crise de pânico. Me senti tão ultrajada com aquilo. Afinal, o Nosso é sempre nosso, meu quase. Como poderia ter sido traduzido desse jeito?
Acho que é o mesmo com as tulipas... não sei se vou me dar ao trabalho de explicar alguma coisa. Não mesmo...
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terça-feira, junho 19, 2007
sábado, junho 09, 2007
El Nuestro
Essa (in)definição, desde julho de 2004... dada pelo poeta, manifesta pelo Juliano...
Era uma noite fria, a gente caminhava pela R da Consolação, pelo lado dos Jardins. Tínhamos falado de Chaplin. A gente lia Pedro Nava em cada esquina, lembrava do dia que a gente se conheceu, se olhava, se escrevia. Passamos em frente ao bar que tínhamos nos conhecido há poucas semanas. Do dia que eu falava do meu passado, ele do dele. Enfim... e outros diários apareceram...
"Martes, 28 de mayo
Ella viene casi todos los días a tomar el café conmigo. El tono general de la charla es simpre el de la amistad. A lo sumo, de amistad y algo más.Pero voy haciendo progresos en ese 'algo más'. Por ejemplo, a veces hablamos de Lo Nuestro. Lo Nuestro es ese indefinido vínculo que ahora nos une. Pero cuando lo mencionamos es siempre desde afuera. Me explico: decimos, por ejemplo, que, 'en la oficina todavía nadie se dio cuenta de Lo Nuestro', o que tal o cual cosa sucedió antes de que empezara Lo Nuestro. Pero , en definitiva, que és Lo Nuestro? Por ahora, al menos, es una especie de complicidad frente a los otros, un secreto compartido, un pacto unilateral. Naturalmente, esto no es una aventura, ni un programa, ni - menos que menos - un noviazgo. Sin embargo, es algo más qye una amistad. Lo peor (o lo mejor?) es que ella se encuentra muy cómoda en esta indefinición. Me habla con toda confianza, con todo humor, creo que hasta com cariño."
(La tregua. Mario Benedetti)
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3:34 PM
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musicando....
"Forgiven Not Forgotten"
All alone, staring on
Watching her life go by
When her days are grey
And her nights are black
Different shades of mundane
And the one eyed furry toy
That lies upon the bed
Has often heard her cry
And heard her whisper out a name
Long forgiven, but not forgotten
You're forgiven not forgotten
You're forgiven not forgotten
You're forgiven not forgotten
You're not forgotten
A bleeding heart torn apart
Left on an icy grave
In the room where they once lay
Face to face
Nothing could get in their way
But now the memories of the man are haunting her days
And the craving never fades
She's still dreaming of a man
Long forgiven, but not forgotten
You're forgiven not forgotten
You're forgiven not forgotten
You're forgiven not forgotten
You're not forgotten
Still alone, staring on
Wishing her life goodbye
As she goes searching for the man
Long forgiven, but not forgotten
You're forgiven not forgotten
You're forgiven not forgotten
You're forgiven not forgotten
You're forgiven not forgotten
You're forgiven not forgotten
You're forgiven not forgotten
You're forgiven not forgotten
You're forgiven not forgotten
You're not forgotten
You're not forgotten
No, You're not forgotten
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2:49 PM
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quero poder contar....
O Pico. Mais uma vez. Mais todas as vezes. Eu há dois meses tenho rascunhado um texto sobre uma notícia que ele me passou...
Há dias que eu pensava nele. Essas coisas que a minha intuição faz comigo o tempo todo... enfim... Tem cada uma! Mas voltando. Eu estava em casa. Era tarde da noite. Uma sexta-feira. Tinha acabado de comer e me preparava para receber os carinhos no pé. Mas tinha um cutuco no peito. Eu precisava saber se o Pico estava bem.
Curiosamente o Pico estava on-line... Senti uma coisa engraçada por dentro, uma felicidade particular naquele momento e chamei-o para uma conversa. Nunca virtual. Nossas conversas nesses anos todos sempre foram as mais verídicas que eu pudera ter. Lá estávamos nós e eu louca para dizer do meu estranho sentimento pra ele. Que ele seria pai.
Antes mesmo que eu pudesse dizer alguma coisas ele disse que queria muito me contar uma coisa... e eu quase fiz a piadinha... que nem deu tempo. Quando li na hora que ele seria pai, foi tão forte como no dia que eu descobri que Darth Vader era pai de Luke Skywalker. Fiquei paralisada. Silêncio interrompido por um grito meu enlouquecido de felicidade. Balbuciei para o Juliano qualquer coisa e um "eu sou foda!" na sequência.
Pai. Nem me dei ao trabalho de voltar para o computador. Liguei o telefone de pé pulando e gritando a notícia como se ninguém num raio de 2 km tivesse escutado a minha modesta celebração.
Atendeu o telfone. Gritava! e comecei a chorar. Pai. Isso ainda ecoa em mim por dentro. O Pico é o meu amigo mais antigo. E vai ser pai. Isso parecia tão distante da gente há alguns anos atrás e de repente... eu casada. Ele, pai. A vida adulta te pega na esquina. De surpresa mesmo. Fiquei tão comovida com isso que nem podia dizer nada pra ele de significativo. A conversa ao telefone foi a mais rápida que tivemos em 20 anos de amizade. Não havia o que dizer. Estou devendo esse abraço para ele todos os dias desde então.
É impressionante como a gente se dá conta que envelheceu. Que não vive mais naquele mundinho construído e protegido. A gente precisa retribuir isso ao mundo. Trazendo gente boa pra cá. Foi a primeira vez que eu senti um poder absoluto num nascimento de uma criança. O filho do Pico. Eu o amo mesmo antes de o conhecer. É como se eu o tivesse comigo por perto desde sempre.
Ele mesmo está atônito ainda coma notícia. "É... eu acho que a minha ficha ainda não caiu" ele disse. E nem as minhas. Parece essas cenas de filme. Que os roteiros adaptados fazem melhor que o original. Aqui é exatamente o oposto. Eu não sou capaz de reproduzir a minha alegria e maravilhamento com a notícia.
Já fico imaginando eu indo na maternidade, vendo essa criança crescer. Contar para ela que eu e o pai dela nos conhecemos na primeira série. analfabetos do mundo. E que nos alfabetizamos de mãos dadas nesse mundo de fantasia. Nos apresentamos mundos de sonhos que sonhamos - e realizamos - até hoje... ET, literatura de sci-fi, Duna, Monthy Pyton, Star Wars, RPG e todos os seres maravilhosos que agregamos nesse caminhar de tanto tempo, os amigos, reais, próximos, que abraçam, riem, choram, participam. Testemunham.
Eu tenho pensado nesse testemunhar da vida. Como algumas pessoas em especial testemunham a nossa vida em plenitude. O Pico é um desses. E me senti privilegiada por estar aqui assistindo o nascer dele. Eu fico sentindo um calor bem quente mesmo no coração pensando como vai ser daqui há algum tempo... ir nas festas de aniversário. Me lembro de todos os aniversários do Pico que eu fui, No McDonald's, na casa dele, nos restaurantes. Mesmo. Me lembro de um dia a Mariana, irmã mais velha dele, dizer para a minha mãe que a gente estava "brincando" no quarto, quando na verdade, já quase adolescentes, a gente tinha uma dessas conversas fantásticas sobre o mundo e sobre a vida, de onde para onde ir, sem ir a lugar algum conhecido.
Eu quero poder contar ao filho dele que o Pico fez muito da minha infância valer a pena. Que ele tinha uma pistola Zillion que brilhava e fazia um zum bem bacana, que me ensinou a fazer os primeiros comunicadores de caixa de fósforo e que podiam ter luzinhas e apitar. Quero poder contar a ele que fiz a minha primeira traquinagem numa festa de aniversário, atirando batatas fritas nos colegas por causa dele. Que a gente passava horas pensando em como imitar os trabalhos de George Lucas e Spielberg. Que a gente queria criar universos fantásticos e jogar muito RPG. Que eu pensava em ir para a Disney e ver os EUA por causa das coisas que ele me contava de lá. Quero poder dize a ele das nossas caminhadas intermináveis no Playcenter quando eu adorava caminhar no Labirinto e dar cabeçadas no vidro só para ver o Pico rir.
Quero dizer a ele também que o Pico foi o amigo que eu mais briguei, mais ri, mais chorei, mais amei. E que no meio de tudo isso ainda tivemos tempo para fazer peças de teatro, ensaiar e dançar no teatro da escola. Escrever trabalhos mirabolantes, fazer maquetes do Prof. Pardal e deixar os professores de cabelo em pé. Quero agradecer por ele ter esse pai. Que foi meu pai, irmão, amigo, inimigo, príncipe encantado, vilão, fabricador de sonhos, mestre dos mares, herói, mendigo, médico do coração e a alma mais generosa que eu encontrei no meu caminho.
Quero poder mostrar a ele aquela foto que eu não tenho comigo sei lá porque até hoje, da gente fantasiado de caipira numa festa junina de muitos anos atrás. Vou dizer a ele também de todas as besteiras que a gente se disse nessa vida. E de como os pedidos de desculpa - nem sempre ditos - eram os mais sinceros e regeneradores. De como eu aprendi a perdoar com ele. De como ele me ensinou - e ensina sempre - a ser humilde, a ter bondade e compaixão. De como ele mostrou que a frase do Cristo "dar a outra face" pode ser vivida no dia-a-dia. Como ele me ensinou a transformar as sucatas em sonhos. Como o verbo sublimar foi ensinado tão fortemente por esse pai. E ainda consigo me surpreender com outros significados que ele traz a essa palavra.
E quero poder dizer a ele que o seu pai é uma dessas raridades que Deus manda pra Terra, só para que a gente testemunhe a sua grandeza. E que por isso, e por outro motivos mais que eu só vou poder contar ao longo de uma vida, eu sou grata por ter acompanhado esse menino-homem-mago-pirata caminhar por esse mundo, às vezes fantástico, e poder trazer um pouco de fantasia pra gente. De como esse serzinho que está chegando é um privilegiado de ter um pai desses. Que transforma. Que acontece. Que sonha-vivendo...
Pico, eu quero poder contar tudo isso... e que você esteja junto para me lembrar das coisas e me dar um lenço quando eu não puder continuar. Parabéns... e sempre obrigada.
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corpo humano
Fomos assistir ontem à exposição do Corpo Humano. Foram com a gente, Clara e o namorado, Groselha. Ambos da Escola Paulista de Medicina. Aula intensiva. Fiquei abestalhada com esse movimento pra dentro. Como disse o Juliano, do "macaco se olhar no espelho".
Tanta gente. Tanta fila, tanta curiosidade. Traduzida de forma vulgar do "de onde vim, pra onde vou?" Coisas assim. Fiquei passada com a nossa maravilhosa monstruosidade interior. Com a nossa perfeição funcional, mágica, misteriosa e inquietante. Me assustou que a gente soubesse tanto - e nada - sobre nós mesmos. Como o deslumbre pela descoberta do mecanismo, a fascinação pela engenhosidade do que habitamos, ou ainda, do que somos. Fiquei assim... quase como se tivessem me visto de roupa pela primeira vez. Olhei em volta. A casa cheia. Todos éramos iguais ali. Brancos, negros, índios, gays, virgens, divorciados, profissionais, vagabundos, ateus, crentes. Todos feitos do mesmo engenho. Funcionando igual. Me senti mergulhada num sentimento de identificação. Tudo tão óbvio, traduzido: o porquê da dor, da gripe, do sangue, do cheiro, do medo, do suor, calor, frio, insitinto, fome. Tudo igualmente terminado na morte... Definido ali. Concluído. Início, meio, fim. Transformação é para ser ao longo da existência.
Ouvi os dois falando apaixonadamente pelo mistério desvelado do corpo. Exibido ali. Quase como caça ganha. "Conquistamos". Mas ficava me perguntando onde estava o resto? Estaria tudo ali? Eu sou mesmo assim tão ingênua com essas coisas? Será que fico buscando poesia em tudo? Me assombrava a proximidade dessa arrogância sobre nós mesmos. Essa sensação de poder. Afasta. Amedronta. Mas fascina. Entorpece. Fiquei com inveja dos médicos...
Saímos de lá e ficamos falando dessa experiência da morte. Perder pessoas deve ser mais inexplicável quando você acredita que, de fato, tem o poder sobre a vida e a morte. Senti essa angústia de habitar a fronteira entre saber-acharquesabemos.Voltei pra casa achando tudo efêmero demais. Mesmo essa sabedoria toda da gente. E que talvez até mesmo a fronteira seja um artifício pra nos manter crentes. Em nós mesmos.
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Srta T
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shakespeare sexta
Ontem assisti novamente o documentário Ricardo III, feito felizmente por Al Pacino. Deslumbrante. Pude, de algum modo traduzir ao Juliano minha paixão por esse autor. Fiquei tentando me lembrar porque, ou melhor, quando eu me apaixonei por esse inglês... E porque, ou melhor, como venho cultivando essa paixão há tantos anos.
O documentário é feito de modo a tentar explicar porque Shakespeare é mal interpretado. A diferença entre Shakespeare e shakespereano. As peças, os textos, sonetos, tudo parece complicado demais. Al Pacino sai pelas ruas dos EUA e Inglaterra perguntando às pessoas se elas conhecem Sahkespeare. A maioria ouviu falar. A maioria não leu, ou leu pouco, ou leu pouco e obrigada na escola. FAto: a maioria acha "boring" demais para encarar um fim de semana ou mesmo uma tarde. Pior seria passar a noite com ele.
Um homem muito simples, entrevistado, sem dentes, negro e pobre nos EUA, dizia que não entendemos Shakespeare porque não sabemos mais sentir. Desaprendemos isso com o tempo. E mais, ainda fizemos o crime maior de prendê-lo nas academias e bibliotecas. Quase fizemos como os antigos egípcios que, para matar alguém na eternidade, apagavam o seu nome escrito. Era o fim. Ninguém mais se lembraria...
Não vou me dar ao trablho de comentar o trabalho do elenco maravilhoso e inquestionável. Mas queria pontuar que o percurso oferecido por Al Pacino desvela Shakespeare. Desvela a academia, o teatro. O medo e o tabu que esse ator encerra em suas páginas. Me deu um calor no peito revendo o filme e o quanto Sahkespeare é pungente nas suas construções. Ele poderia dizer de outro jeito. Mas não quis. Para complicar? Não, para mostrar que sentir, viver, ver, estar no mundo não é tão óbvio como se parece, e mais ainda, é mais desafiador e revelador. Ora, sua matéria prima é o sentimento. Sua forma de nos apresentar isso... suas palavras. E que magia.
Fizemos vários intervalos no meio do filme. Suco, comidinhas aqui e ali, beijos, reflexões sobre a vida, sobre o autor, o filme. Nada mais bonito que ver o Juliano se shakespereanizando. Poroso deixando aquela força do texto invadir a sua vida. Eu ria. Achei graça como ele descobria a poesia daquilo.
Maravilhada, encantada com a profundidade do humano ali. Pensei nas minhas fantasias de sair e tomar um café com esses meus autores favoritos. Antes de dormir, Juliano me perguntava se eu preferia sair com Deus ou Shakespeare. DIsse a ele que Shakespeare teria mais a me dizer de Deus e dos homens do que o próprio Criador. Ele anda ocupado ultimamente: aquecimento global, aids, gente pra todos os lados vivendo o desespero de estar aqui ou lá. Levaria Shakespeare para tomar um chimarrão. Na praça Pôr-do-Sol. Ficaria ali ouvindo ele falar. Dizer das coisas que viu. Adoro o jeito que ele traduz a história da humanidade propriamente: Mercador de Veneza, os reis todos, Henriques, James, João, Ricardo. São tantos os reis, mulheres, Hamlets que habitam a gente. Tantos Romeus, Julietas, tantas noites de verão, de reis, de sonhos, de megeras domadas, Antônios, Cleópatras, Pucks, Porcia, Ladies Macbeths e todas as famílias complicadas de York, Capuletos, Lancaster. Só são personagens, personificações distantes, mas vindas de dentro de você, de mim, do cara aqui do lado, do sujeito que abastece o meu carro no posto, do caixa do supermercado, da faxineira. São tantos. E tão poucos se colocarmos ali, espelhados nesse reflexo bonito do texto.
Shakespeare tem esse bisturi da vida. Ele é propriamente essa intervenção cirúrgica na vida. Corta a sua alma. Exatamente onde ela dói. Onde você acha que vê e não entende nada. Acha que sabe, e desconhece.Fiquei me lembrando da reação do Juliano ontem falando coisas como "nooooooooooosssaaaaaaaaaaaaa" e outros adjetivos mais contundentes... Bonito quando tudo faz sentido. Senti esse quentinho na alma de poder dividir esse inglês tão especial na minha vida. Que me diz tanto, me sente tanto. Bonito a gente poder se apresentar entre os queridos.
Acordei com esse dia cheio de sol, me preparando para o nosso 2 sarau romântico. Livros, poesias, escritos, e toda essa coisa que deixa a alma respirar no mundo. De dentro e de fora... shakespearizando o dia, a vida... sem academia, sem tabu. Sem entender. Só o sentir...
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quinta-feira, junho 07, 2007
Para que evitar a dor se ela pode ser o que mais aproxima? Humaniza. A dificuldade dos relacionamentos não é evitar a dor, mas bancar a dor.
Não se evita sofrer. É como querer parar de respirar. Inútil. Mortalmente suicida. E vão. Nunca parei para pensar que o desafio é se preparar - não para sentir! - mas para aproveitar o melhor da dor. É... isso existe. E é lição de casa dada nas últimas aulas, sem aviso de que cairia na prova. E caiu, valendo sempre muitos pontos.
Tenho olhado pelos olhos dele e pela primeira vez, creio, percebi o tamanho da angústia ... e do medo de amar. Que bom que a gente se sinalizou. E que bom que a gente banca a dor um do outro. Companheirismo não. Cumplicidade. E descobri que isso não está à venda, nem se baixa pela internet. Está aqui... invisível aos olhos, mas debaixo deles. Poesia alquímica. Ou vulgarmente chamada de amor.
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delírios de poesia
Aqui, jogada no meio das almofadas da nossa biblioteca. Conversas dali, daqui, olhando textos, brinquedos, nada muito (des)organizado aqui em casa. E fiquei jogada aqui, ouvindo o Walt Whitman e o Borjes... boas companhias para pensar naquele café colonial em que eu adoraria reunir caras como Hegel, Aristóteles, Shakespeare, Deus, Schopenhauer... nada mal.
Mas me dei conta que ia ser excessivamente cerebral. E tudo o que eu preciso agora é sair das minhas roupagens de agente do FBI. Desse jeito esquisito de pressentir as coisas que vão ocorrer, adivinhar quem é quem, etc... Preferiria tomar uma sopinha ouvindo poetas conversarem. Fiquei com inveja do Juliano falando que seu trabalho seria ouvir todas as poesias gravadas que temos aqui... Os filósofos, cientistas... é, precisariam de mais paixão... sem panfletagem! Uma dose boa de gin, uma luz de abajour... uma música de fundo... e eu ali, de platéia quase disfarçada.
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passeios de fim de tarde
Novamente eu me atiro ao sol. Fui à praça hoje ver o sol ir embora, daquele jeito mágico, vermelhão inesquecível pra lembrar que ele sempre volta. Toda vez que vejo aquele disco vermelho no meio do céu, inteiro, quente, fico recompondo a mágica relação que os egípcios tinham com ele.
Fiquei ali, vendo o Juliano pedindo os cafunés, as coceiras. Eu estava ali, imersa nesse oceano de carinhos e declarações... Sentia aquela brisa bem suave, namorando o luz do outono, toda impressionista. Admirei as cores das árvores, dos cabelos das crianças que iam e vinham com os pais, os cachorros, os brinquedos. FIquei ali, silenciando o movimento incessante. Tentando escutar outras sintonias, mais distantes da percepção desse "comboio de cordas" como dizia o F. Pessoa.
Fiquei ali, no meio daquelas cores todas pensando no livro do Desassossego... de que cor é o sentir? Maravilhei-me com a idéia de que a natureza espelha bem esse desassossego caótico existente na gente. Fiquei ali, olhando, perdida de mim. Ótimo para quem se desafia a lutar diariamente com a explosão cerebral >< sentimentalismos excessivos.
Rodei mais um pouco nos cabelos do Juliano. Olhava as cores dele também. Prestava atenção nas pessoas ao redor conversando sobre coisas quase nada interessantes. E gostava de observar as que, como eu, nem olhavam a vista, nem o sol, nem ninguém. Olhavam para esse lugar que a gente acha que não existe. Algum lugar no meio do comboio de cordas.
Prestei atenção em um rapaz que estava ali, sem cigarro, sem bebida, sem bicicleta. Nem boné, nem aquele óculos de gente metida a charmosa... Ele estava ali. Nele. Olhava em 360 graus. Senti uma afinidade silenciosa com aquela percepção. Juliano dormia quase. E eu me divertia fazendo ele rir das carícias. Das minhas leituras de Shakespare, de comentários aleatórios e dos suspiros que a gente dá. Ele transcendia o mundo "através das suas unhas..." Ri.
O rapaz de repente puxou um caderninho de notas, semelhantes aos que eu e Juliano temos. Notei que ele rabiscava e continuava olhando ao redor. Achei até que poderia estar ali a trabalho - ok, era feriado hoje! - mas não... Ele tinha uma maneira muito doce de escrever, quase como as meninas quando inauguram a primeira página do diário. Era terno com as páginas. Escrevia devagar, quase como se estivesse a ponto de paralizar o todo a nossa volta. E pintar isso em palavras. Eu fiquei me lembrando de coisas da minha adolescência quase demasiado contemplativa. Sempre gostei de saborear as coisas lentamente, as pessoas, as paisagens, as comidas, as conversas. Apesar da minha ansiedade, o meu excesso de apego às vezes me faz parecer muito, demasiado calma. Ilusão. Fiquei imaginando o que aquele moço tentava pintar ali, o que ele sentia. De que cor sentia. E porque, estranhamente, as pessoas se apegam a esses registros do dia...
Eu via o céu se alaranjando. A brisa se despedindo e trazendo o geladinho do vento. As pessoas se agasalhavam. A luz acendeu. O céu era lilás. O rapaz continuava escrevendo. Juliano tinha se levantado do sono profundo dos carinhos e me retribuído... Fui flagraga por aquele moço. Ele também tinha me observado daquele jeito, quase. Sorrimos um para o outro. E eu deixei de ficar sem graça. TInha um violãozinho ali perto, convidando as pessoas a ficarem menos vigilantes. Ele se levantou. Passou do meu lado, sorriu. E acenou com o caderninho dele. Gostei do adeus.
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Ontem tive uma conversa com um amigo no Filial. Levei a Lúcia. Era uma noite muito especial porque iria encontrar pessoas queridas que não via há tempos. E de fato saiu tudo uma delícia. Ri bastante. Depois de algumas cervejas e muitas risadas e beijinhos e discussões semi-complexas sobre a vida... esse papo de bar de véspera de feriado.
Ouvi sobre esse meu espaço de escrever. Não imaginava que as pessoas se interessassem por ler isso aqui. Afinal, é o email que mando pra mim. Foi gostoso me sentir identificada nas crises pessoais. Saber que mais gente tem minhocas... aliás as minhas há bastante tempo tem ficado de férias e de vez em quando mandam telegramas, emails, telefonam para dizerem que não me esquecem... ok. E que as minhocas de todo mundo são amigas, companheiras, se visitam, se escrevem, saem na balada. Que gostoso ter essa percepção de que - certamente - até as minhocas tem as suas crises também.
Mas o fato é que a conversa de quase ir embora de ontem me fez pensar sobre o que eu tenho chamado de "crise". Lembro agora da história da palavra. Grega, significa dividir, analisar. Acho que é um jeito - bem humano - de desmontar a ordem - nada natural - do interior/exterior da gente. E com isso, rearrumar. Ora, o problema é justamente saber, ou intuir, onde colocar o que.
Tenho conversado muito com a Lúcia sobre isso. É gostoso saber que as pessoas conscientes fazem isso o tempo todo, sem necessariamente sofrer por isso. Aliás, sofrer é bom nesse sentido. Lembra a gente que estamos vivos. E não tem nada de sado-maso aqui não... é pura experimentação do sentir. A gente acha que conhece esse verbo. Nada.
Acabei de me dar conta que os passeios de fim de tarde na praça pra ver o por do sol não são apenas meus, nem os emails. Me senti quase uma egoísta por ter pensado assim. Ouvir as pessoas e as suas buscas, as suas (re)organizações de interior de casa me deixam mais suave, porosa. Admirada com a capacidade que cada um tem de se regenerar. Gerar-se a si mesmo. De olhos fechados, abertos, surdos, mudos... mancos.
Olho para o Dexter em cima do meu computador. Ele olha com esses óculos enormes jurando que sabe de alguma coisa. Dou risada dele. E de mim, por achar que meu laboratório é também, só meu.
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Srta T
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andar de olhos fechados
Exsite uma coisa na experiência do tempo que é a gente se surpreender com a gente mesmo. Eu tenho vivido isso. Essas pequenas - e profundas descobertas - (a)temporais...
Depois dos sopros frios do inverno na cicatriz... olhei pra ela, que parecia ainda tão doída e feia. Puxa, que alívio apertar o corte e olhar nos olhos dele. Olhar a sua pequenes, a sua fragilidade e o seu sentimento de estar deslocado no meu corpo.
Estava mesmo. Só havi lugar ali para algo que habita a minha vida há 3 anos... Olho sempre para o Juliano surpreendida com a possibilidade de que as coisas nunca são as mesmas - ainda bem - e que as transformações acontecem na alquimia mágica da convivência. Sempre me cobrei achando que ele dá muito mais para essa relação do que eu. O curioso é que recentemente peguei ele dizendo o mesmo pra mim. Ficamos ali, quietos, olhando nos olhos transfigurantes da alma apaixonada. Nada... Rimos. É sempre incrível quando você tem a chance de não julgar. De compreender e perceber, como uma brisa na fresta da janela, que as janelas nunca são iguais. As paisagens que elas abrem para o que a gente julga "estar lá fora" são sempre distintas, surpreendentes. E que sol mais bonito que invade a minha vida aqui dentro.
Sinto o coração esquentar. Percebo que esse amor que eu recebo, dado de graça, de alma, de corpo e de todas as ações que as pessoas julgariam piegas ou romanticazinhas ou qualquer coisa à lá etc e tal invade a vida. Olho para quem ele foi. Escuto todos os dias "você me faz a cada dia ter vontade de ser uma pessoa melhor" Entre palavras cortadas por suspiros, romances, beijos, carinhos, "eu te amo" infinitos... essa concretude da transformação que o amor opera. Testemunho isso. Sinto. Vejo. (des)Cubro.
Eu fui reler os útimos textos daqui. E achei interessante que o caminhar da dilatação perceptiva da gente se acelera, ofusca. Me dei conta que na vida, a gente sempre anda de olhos fechados, morrendo de medo de ver o que está além daquilo que podemos tocar, sentir. O desconhecido fica desconhecido porque o medo de aproximação é sempre maior que a curiosidade corajosa. Olhei pra ele agora há pouco cantando pra mim... que delícia saber que quando ele abriu os olhos, era eu que estava ali na frente... e que maravilha saber que eu posso abrir e fechar os meus. Tem sempre aquela mão carinhosa no meu rosto... e um sussurro baixinho... mas isso não posso contar...
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terça-feira, junho 05, 2007
soprando devagar no frio
Ontem voltei dirigindo mais uma vez pela Raposo. Era tarde e eu escutava músicas aleatórias. Nada particularmente especial, mas vinha sentindo, não pensando... milagres de fato acontecem...
sentia no coração essa brisa do inverno que corta o peito...
Sentia que o tempo tem esse efeito maturativo na gente, não curativo ou cicatrizante. A cicatriz fica. Sempre. Mas a gente olha pra ela de um jeito diferente. Mas sempre sente. Lembrei de muitas coisas no caminho, de conversas, de silêncios, de olhares e pensava que depois de muitos anos as coisas talvez só agora começassem a fazer sentido... A cicatriz dói com o frio do inverno. Lembra onde, quando e como começou tudo isso... Reler as anotações dá um olhar diferente do primeiro dia. O tal "olhar datado do historiador" muda de óculos... Um prenúncio de compreender, sem ter que aceitar.
Já é dolorido compreender, quanto mais aceitar. Tem doído, mas aquela dor de expulsão de pus... Ainda dói o peito, mas sinto, não penso, as coisas transformadas, intensas, honestas e mais próximas disso que a gente chama de coração.
Olho fora do carro. Vejo a luz do quarto apagada. Uma espera abraçada na cama. Quentinha, cheia de carinho, silêncio e todo amor do mundo pra mim. O que mais eu posso querer?
Deixar o frio soprar no peito, devagar, sentindo esse gelinho quente na alma.
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segunda-feira, junho 04, 2007
ver pelos olhos teus
Pela primeira vez... nesse tempo todo eu pude ver, aquel frestinha libertadora que anuncia o alívio. Pude te escutar... sem julgar. Ver a tua dor e sentir a minha... em silêncio para sentir a tua enfim.
Escutei, olhei, respirei. Vi ali esse menino quietinho sempre em busca de si mesmo, cheio de medos, incertezas. Precisando mostrar para si, para os outros. Escondendo a sua dor nesses braços e corpos estranhos sem amor. Sem vida. Puro desejo - de fuga - de vontade de se descobrir e perceber, depois de beijar e gozar nos cadáveres vampirescos de sexo e amor, que só você poderia fazer isso mesmo por si. Pena eu não ter imaginado esse desespero, a angústia e a ojeriza... Pena mesmo eu só ter visto essa sua ilusão quase tão convincente. Pena não ter sentido essa dor, o vazio.
Pena a gente não ter se desarmado antes. E pena você tê-la buscado. Pena eu ser tão insegura, quase como você. Pena eu não ter me perdido na vida e amado loucamente esses corpos solitários nas camas. Pena você não ter sinalizado antes, nem eu. Pena a gente ter tido tanto medo. Pena você ter mentido. Ter deixado a sua intuição de lado e se deixar envenenar por essa mulher... Pena eu ter sucumbido a uma carência e falsa esperança e querer ter voltado pra ele. Pena a gente ter se machucado tanto... Ter se defendido. Ter se escondido...
Pena eu ter lido tudo aquilo. Pena mesmo que quase tudo ali é meia-verdade. Pena eu não ter escutado o meu coração. Pena você escutar pouco o teu. Pena a gente ser tão cerebral. Pena eu ser tão exigente comigo, contigo. Pena não ter tido tempo para respirar e vomitar tantas vezes em ti. Pena a gente se omitir. Pena que eu tenha sido rancorosa. Pena você saber se comunicar tão mal quando fala do coração. Pena eu quase ter deixado te acreditar e querer a gente. Pena você ter quase deixado de dizer.
Pena que a gente caminhou sozinho tanto tempo. Pena que a gente se perdeu. Pena que a gente não controla a própria história. Pena eu ter que conviver com seus ex-amorecos esvaziados. Pena você me enxergar assim tão fraca. Pequena. Pena você ter saído sem mim. Pena você ter tomado tantas iniciativas vazias e doídas. Pena eu ter abandonado essa vontade de acreditar. Pena eu ter demorado a perceber quem você é realmente. Pena eu ter demorado a te entender. Pena mesmo eu ter agredido tanto.
Pena eu não ter conseguido perdoar. Pena você se esconder ainda mais. Pena que tudo isso não tenha começado antes. Pena a transformação demorar a chegar para que isso se transfigurasse nesse amor. Pena eu e você sermos oscilantes. Pena eu ter medo de te perder. Mas bom mesmo, é que eu não tenho o menor interesse em viver sem você. E melhor, é que você não tenha deixado de ser quem é.
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sexta-feira, maio 25, 2007
cervejas de inverno
Tenho vivido pequenas e profundas descobertas. Parece que, à medida que eu me busco dentro, as mensagens de fora são mais intensas. Tenho descoberto pessoas especiais nesses caminhares confusos da vida.
Ontem, mais uma vez, fui tomar uma cerveja com a Lúcia, minha colega - e amiga - do trabalho. Fazia muito frio, ventavamuito e não me restava nada a fazer além de levar as minhocas para uma cervejada. Chegamos quase juntas no bar. Olhei pra ela e a simpatia brota tão naturalmente... é um sentir-se à vontade diferente. A gente, apesar de se ver todos os dias, não tem tempo para trocar muita coisa além dos assuntos do trabalho. Mas enfim, acontece.
A Lúcia tem me feito sentir mais humanidade em mim, essa humanidade que faz a gnete descer do próprio pedestal protetor que a gente cria pra se defender. Escuto-a com tanta atenção: mulher, bonita, profissional competente, mãe, esposa, tantas semelhanças... é quase um espelho.
Falei pouco de mim, mas procurei ouvi-la, como fiz com a Clara. Lindo a gente se ouvir pela boca do outro. Saí mais calma, inteira, pronta pra viver as astronautices parte 100.... e 000.... que bom que a cerveja esquenta o coração no inverno!
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terça-feira, maio 22, 2007
Little miss sunshine
Filmes. Mais um desses que te tocam o espírito com os 10 dedos, te denunciando as coisas mais sublimes que ainda mascaramos.
Sábado à noite. Sexta à noite... e eu estava particularmente sensível com a semana toda. Cansada. Queria ver um filme cheio de poesia, que me sinalizasse que a vida seria - e é - mais do que a gente consegue ver, mesmo não olhando diretamente nos olhos dela.
Little miss sunshine é um desses que deixam dias sentindo, lembrando... e pensando. Uma história que tinha tudo para ser piegas, ridiculamente narrada e cheia de chavões. Nada disso. O filme te atravessa o tempo todo, e mesmo os que são mais turrões não deixam de se emocionar com ele. Uma família cheia de poréns, como todas as famílias, assistindo de longe mesmo os sonhos de uma menina. Distantes de si mesmos e daquilo que achavam que tinham deixado pra trás há muito tempo. É uma redenção...
A pequena miss e aquela combe amarela, com gente maluca, lamentando a própria existência e ansiando por viver uma coisa artificial... Pois bem, me lembrei da minha família, de quem às vezes eu senti vergonha, quis ir embora, me distanciar. Engraçado como a gente se identifica ali de quando em vez com um e outro personagem. A narrativa é acolchoada nesses sentimentos. Mais do que identificação, você sente com eles... a frustração. O medo. E a superação no seu sentido mais sublime. Deixar ir embora aquilo que, de fato, não nos diz respeito.
Chorei em muitos momentos. Especialmente o da conversa do tio e do sobrinho olhando para o mar. Chovia. Ventava muito e nada ali parecia particularmente poético. Nem mesmo o motivo pelo qual eles conversavam. Mas era exatamente aí que residia toda a mágica discreta, envolvente... Você encontra poesia justamente onde os nossos olhos treinados não depositam crédito.
Fiquei me recordando de coisas que eu queria ter feito, ter sido. Ter vivido. Tanto... E ali, olhndo à beira do mar, você percebe que tudo o que você tem, de fato, é o que você é. Portanto o desafio não é ter mais. É ser mais. Constantemente, você. Esquecer e se desapegar. E só. O resto, vem, com paciência. E atenção para perceber esses pequenos milagres. Esses deslizes poéticos nas fraquezas, a redenção de si mesmo. A coragem de se olhar, se expor. E ver-se diante dos palcos, exibindo o nosso lado mais criança. Mais ridiculamente autêntico.
Depois de atravessar kilômetros angustiantes - e emocionantes - naquela combe amarela o destino final era uma beleza que não estava fora de ninguém. A criança, além de ser a única saudável ali, lúcida, percebia as idiossincrasias demoradas de cada um. E, amorosamente, os trazia de volta. O detino da viagem e o vencedor do concurso - eles mesmos...
Acho que ao final do filme, quando a família inteira dançou com a pequena, todos ali, de alguma forma, entenderam que há mais coisas que valem a pena do que o nosso esforço. Fiquei me lembrando de uma frase do Juliano sobre um ditado zen... que quanto mais a gente se esforça, menos a gente consegue. Ora, é exatamente isso que o filme atacava... perdedores e vencedores do que mesmo? para quem?
Invejei a menina. Quis dançar como ela e me lembrei das vezes que consegui esse desprendimento. Essa sensação de liberdade de mim mesma, dos meus cadáveres interiores que apodrecem, mas insisto em preservar aqui dentro. De algum modo, não sei como essa poesia voltou a habitar a minha casa. Como dizia a Dani, a gente não pode ter medo de ser ridículo... e que alívio isso! Dormi em paz. Senti que as feridas paravam de arder à medida que eu me desapegava dessas pequenas - e falsas - frustrações. Senti saudades de casa. Das vezes todas que meu pai pagava um mico e minha mãe ria dele. Nem sempre eu conseguia rir das coisas que a gnete fazia. Eu era, de vez em quando, a mais séria... e outras a mais subversiva.
Fiquei com vontade de voltar a dançar nesse concurso de miss da vida. Missing muita coisa.
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segunda-feira, maio 21, 2007
músicas de domingo de manhã
KT TUNSTALL LYRICS
"Suddenly I See"
Her face is a map of the world
Is a map of the world
You can see she's a beautiful girl
She's a beautiful girl
And everything around her is a silver pool of light
The people who surround her feel the benefit of it
It makes you calm
She holds you captivated in her palm
Suddenly I see (Suddenly I see)
This is what I wanna be
Suddenly I see (Suddenly I see)
Why the hell it means so much to me
I feel like walking the world
Like walking the world
You can hear she's a beautiful girl
She's a beautiful girl
She fills up every corner like she's born in black and white
Makes you feel warmer when you're trying to remember
What you heard
She likes to leave you hanging on her word
Suddenly I see (Suddenly I see)
This is what I wanna be
Suddenly I see (Suddenly I see)
Why the hell it means so much to me
And she's taller than most
And she's looking at me
I can see her eyes looking from a page in a magazine
Oh she makes me feel like I could be a tower
A big strong tower
She got the power to be
The power to give
The power to see
Suddenly I see (Suddenly I see)
This is what I wanna be
Suddenly I see (Suddenly I see)
Why the hell it means so much to me
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Srta T
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domingo, maio 20, 2007
mais ....
Manhã de 4a. feira... a Clara... deu uma saudade dela, duas noites de sonhos seguidos com a minha irmã. Arauto do meu sonho de soneca na alma... ela aparece, dona de si... e eu passei o dia com esse aperto, de saudade dela, querendo que ela viesse ao vivo, me dizer, me abraçar.
Liguei pra ela durante o dia depois de ler um email assustado, dela, sobre ela... e me senti feliz de participar. De poder ouvir, dela querer confiar, de sentir... essas coisas que os irmãos tem, mas a timidez assusta os corações mais frágeis.
Fomos para um bar na esquina da casa dela. Ficamos ali, fazia frio... e as duas irmãs, mulheres, agora, sem mais Barbies para despertar as garras uma da outra, nem as disputas pelo guarda-roupa. Tínhamos deixado tudo isso de lado, no carro, acho, para pedirmos a ajuda uma da outra. Ora, cerveja e uma conversa transparente, o que mais poderia ser?
Escutei ela falando dos seus amores e desamores, dos sonhos, das contradições dela, da vida, do mundo, do coração. Puxa... e eu ali, com o coração estilhaçado. Nem podia falar, e a única coisa que saía inteira era "traz mais um escuro pra mim"... ela ficou ali, discursando... e eu tão feliz de poder ouvir, testemunhar...sentir aquele amor todo por ela. Admirá-la aos poucos, inteiramente e ver naquele nó de emoções os fios que a dor tece pra deixar a gente virar gente grande... e que coisa mais bonita.
Escutar a Clara foi um deixar-se que me permitiu voltar ao centro da Srta T... escutar outras vozes... e começar a esperar. Tirar de dentro essa coisa colada. Amarras de antes, que se transformaram nos fios do agora... Rimos, falei pouco de mim, mas pude espelhar. E enfim, esperar...
Voltei para casa, dirigi devagar naquela noite, olhando o céu. Não tinha mais lua. Parece que ela levou, de algum modo, a tempestade para outro lugar... E nem quis ligar o rádio. Fiquei com a música da Clara... ali, quietinha no meu coração, agradecendo essa epifania da transformação... que a vida oferece e a gente insiste em pagar... um beijo na Clara...
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paciência
Essa nunca foi uma das virtudes mais cultivadas no coração. Ao contrário. Eu sempre fiz de tudo para me esquivar dela. Foi assim no ballet em que, depois de duas aulas eu queria dançar como as russas. Na escola e na faculdade... queria sair doutora no dia seguinte... e na vida... bem, aquele papo de ter 18 anos logo seguiu caminho com os 19, 20, 21 e ainda sinto a permanência dessa ansiedade. enfim...
Esses últimos meses tem me desafiado nesse item pouco estudado. Empurrado com a barriga mesmo. E pior que isso... negligenciado pela famosa máscara do "eu tenho razão". Paciência é o sacramento para se viver com paz. Essa palavra, percebi recentemente tem mais ramificações e raízes do que eu pudera, até então imaginar.
Ontem assistindo Little Miss Sunshine me dei conta que é a paciência que nos aproxima das pessoas, da gente mesmo. Invejei a menina que sabia esperar a hora e o jeito melhor de revelar aos seus o que elas tinham de melhor. Em nenhum momento ela se apressou para isso. Não se angustiou, não chorou. E olhei pra ela, com aqueles óculos enormes... ela tinha mais, era mais, muito mais inteira.
Assisti aquela reunião de dramas, de desejos, frustrações... e a paciência, passageira mais cara na combe amarela da viagem, apontava soluções que não são milagrosas, mirabolantes, mas pacientes, cuidadas. Acarinhadas.
E é com esse sentido mesmo que o amor caminha ao lado dela. Fiquei pensando essa noite como eu poderia ter tido mais paciência em relacionamentos anteriores, mas minha pressa em ver as coisas acontecerem me deixaram com os ingressos na mão. E hoje, ao lado do Juliano, me vejo com esses tickets comprados, esperando a hora de entrar no show. Mas estou deixando de curtir essa espera gostosa, realizadora, tranquilizante, da fila. Olho à frente, não vejo as coisas que tem acontecido aqui, tenho desligado outros sentidos. E a paciência não aparece. Tenho ficado com pressa até para que ela apareça, pode?
Tenho cultivado ainda a ansiedade voraz de ter as coisas aqui, do jeito que devem ser, pra mim. E não sei esperar pelas pequenas epifanias. Estou diante do mar, aberto, ventania nos olhos cheios de areia, no ouvido cheio de água do mar. E molhada, não espero o sol sair para me secar. Fico ali, entrando e saindo da água. E sem conseguir sentir a beleza daquela imagem no Rio de Janeiro. De um mergulho esperado. E de um abrir de braços, amoroso, apaixonado, inteiro... Fico ali, na beira da praia esperando, com os pés na beiradinhas da água, sem conseguir me soltar por causa do frio de fim de tarde. E vejo as pessas correndo na praia. E vejo o corpo mergulhado, salgado, com o sorriso de menino, distante, lá longe, assustado, cheio de vontade de entrar mais fundo no mar...
E eu ali, na beira do mar aberto. As nuvens chegando. O sol indo, devagar, paciente, esperando eu ainda perder o medo e a vontade aumentar... e me deixar levar por aquelas ondas... pra onde elas quiserem, sem carta náutica, sem estrela polar ou cruzeiro do sul... E onde ficou mesmo a paciência? Não me lembro de tê-la trazido para a vida. Acho que ainda, de algum modo, fico esperando o mar me trazê-la, numa ondinha discreta... Mas minha ansiedade só me deixa ver as ondas grandes, aquelas que machucam, que arrastam, que vão embora de uma vez. E que levam o pior (d) e para você...
Ele está ali. E olha para mim. E sorri. E me chama, e me grita palavras de criança, gargalha, e me me jura de amor, de paixão. E eu aqui... ainda sem paciência de olhar atenta as pequeninas ondinhas amorosas que chegam, remechendo nas profundezas daquele oceano que desconheço. E me lembro ali do pôr-do-sol no arpoador, dos bilhetinhos, das promessas e das noites de abraço em silêncio... e olho para o mar. Onde ele deixou mesmo a minha paciência?
Uma pena que a gente não traz na bolsa pílulas diárias de virtude para oferecer aos outros quando nos pedem. Mais vento ainda... e eu aqui, tentando deixar a razão calar-se. E deixar-se ir, para o meu coração trazer de volta... calma, paciência, menina... o sol já se pôs e você vai ficar aqui... à beira do mar... ele está ali, Vênus apareceu do outro lado no céu. Lembrou pra você que o amor não vem com manual de instruções e que a sua ansiedade, nada generosa, poderia ficar ali, à beira do mar, apaixonada por ela mesma... e aí, aí sim, você pode entrar na água, de corpo inteiro, mergulhando a alma no sal... purificando... cicatrizando... mas até pra isso é preciso ter paciência... a conquista... nunca é dada de presente...
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segunda-feira, maio 14, 2007
dia das mães
Esse dia certamente faz parte dos nossos dias. Ontem foi engraçado... um sentimento de vontade de voltar pra casa, sem querer voltar. Fui cedo ver minha mãe. Embora já tivesse perdido o tempo da bagunça dos irmãos na cama dela. Café da manhã igual ao que a gente fazia naqueles tempos de presentinhos, cartinhas de amor e coisas que as crianças fazem... - ainda me lembro bem dos desenhos desajeitados que fazia dela. Acreditando que ela era a mulher mais bonita do mundo, embora o desenho não demonstrasse isso exatamente...
Ficamos lá, tomando café da manhã em família. Rimos juntos e repetimos o enredo de anos... eu com meus discursos contra a Igreja - vendo a missa do papa... - meu irmão fazendo piadas de como é o filho (único) mais lindo e gostoso do mundo e minha irmã falando do excesso de trabalho. Meu pai sempre derrubando coisas na mesa e dando o habitual exemplo de glutão. Em algum momento ali eu deixei de lado e passei a assistir minha família. Foi uma delícia repetir o roteiro.
Fui para o quarto da minha mãe com ela. Ia se arrumar e sair com o Gustavo para comprar - o atrasado - presente. Ia dar uma carona aos 3. Olhei pra ela. De óculos, perto da janelinha do quarto onde entrava luz e aquele cabelo dourado já se prateava todo. Vi as rugas no rosto, as manchas nas mãos. E ainda era a mulher mais bonita do mundo. E só os meus olhos ali viam isso. Invejei ela. Com essa maturidade, bom-humor. E me achei tão mais complicada, encanada com a minha mesmice de sempre - intelectualidades frouxas e o coração apertado. Segurava o espelho para ela arrumar as sombrancelhas. Branquinhas como as de nenê. Tenho as mesmas sombrancelhas dela. Mais finas. Ficamos rindo ali da idade dela e da minha. De como as coisas caem, e outras se consolidam. Ouvi ela reclamar da falta de dinheiro, de que se achava feia e em meio a tudo isso ríamos das bobagens que nos dizíamos, das caretas, dos segregos ainda não ditos. Expressos.
Olhava pra ela e ria - os óculos, o espelho e apinça para tirar as sombrancelhas. Foi divertido. Ficamos ali nos equilibrando nas emoções das passagens rápidas da vida. Ouvi mais uma vez histórias de quando eu era pequena. Do meu pai e dos meus irmãos. Lembrei de outros dias das mães em que acordava mais cedo que os outros e preparava bilhetinhos e corações. Senti falta de não ter mais essa cama pra pular cedo de manhã...
Fiquei escutando ela falar do meu pai, do casamento de 30 anos dela... dos dias de praia na Bahia... do sol e do mar. Dos sonhos de amor, de viajar, de conhecer o mundo. Ouvi o falar de tudo isso como se fosse uma música circular gostosa de dançar - que não tinha fim nunca. E deixei ali... o meu ouvido pra me encantar... "Nós construimos coisas tão bonitas... eu e seu pai. Eu amo tanto ele" E olhei fundo naquele azul de céu dos olhos dela. Havia tanto amor ali. Queira um pouquinho pra mim... E só retribuí dizendo um sorriso condecendente. Antes que eu pudesse terminar ela disse "nossa! me emocionei com isso!" E rimos. De novo. Eu repetia o roteiro. Assistia e me emocionava. Uma coisa de criança mesmo. Gostosa de sentir. Na hora, nem pensei nesse papo todo de maternidade, de dar à luz, de ver crescer. Só deu um calor no coração, de pensar que naquela mulher ali tão e mais bonita eu podia ainda contemplar coisas que só as crianças podem ver... todos os dias...
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amortecendo
Tenho sentido esse adormecimento, depois de tanto querer
Olho pra fora, pra dentro, e só o que vejo é a possibilidade de amortecimento completo.
Eu não quero mais. Deixar isso tomar conta é tão assustador, sim... parece que se vai, de mim, pra fora.
É como se, de alguma forma, eu não pudesse mais respirar. Nadando dentro do peito já é tão difícil... pudera nadar em mares que a gente, pretenciosamente, deseja conhecer... é mais que arriscoso. É quase suicídio.
Passei a noite em claro, ouvindo a janela bater, olhando os vultos do quarto. Sentindo as brisas de chuva... lembrava da tarde agradável de domingo, esperando a noite chegar. O céu, com aquele multicolorido azulado, lilás... meia-dúzia de estrelas escondidas pelas milhares que caíram no chão. Fiquei ali, enroscada nos pensamentos sem sentido de dor, ouvindo a minha própria solidão chamar o mundo dele que não me pertence. Sentia as mãos, os beijos, os afagos... e me protegia de tanta coisa... olhava, deitada a imensidão do céu e queria ir embora... navegar naquele azul pra fora de mim... poder respirar aliviada. Como se eu não pudesse sentir mais.
À noite, depois de sonhar com a Clara, curiosamente clareando os meus monstrengos de pensar... fiquei acordada, como disse. Esperando o dia chegar com alguma resposta. Acho que é mais fácil a gente pensar que está aliviada se parar de sentir. Como eu invejo essa possibilidade. Tenho me sentido em frangalhos. Aos pedaços, de novo. Aquela sensação que vivi há 3 anos atrás parece ter voltado. Eu não quero desistir. Mas tem sido tão solitário...
Queria poder pedir, agir, sentir menos, querer menos. Rezar para esquecer, deixar. E nada disso. Só aquele entorpecimento depois de um choro longo, doído nas almofadas. Como se, de algum modo, as lágrimas pudessem arrastar para fora de mim essas lembranças tortuosas, doloridas. E purificar. Senti um vazio depois do choro, como se não houvesse mais nada dentro de mim, nem a dor. Só esse sono, essa exaustão de querer, de tentar. E de não conseguir mais esperar. Tanto por viver... por sonhar. E tantos desejos a realizar nesses beijos, carinhos. E tudo o que eu senti ontem foi esse amortecer de dentro. De querer descansar. De quase poder parar. E deixar isso ir. A gente não perde aquilo que nunca teve... Isso dói mais - a sensação de nunca ter tido... e de imaginar, por minutos de amortecer... que talvez, mesmo, eu nunca venha a ter... e seja só um sonho bom, um sonhar de menina apaixonada. Infantil... desses que a gente carrega no peito pela eternidade...
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quarta-feira, maio 09, 2007
soprinhos...
Algumas vezes eu tenho a sensação de que, na minha ausência completa de qualquer possibilidade de controle... tudo está fora, perdido...
Esfriou... passou um tempo de calor excessivo, sol quente no rosto deixando a vista cega e o corpo cansado...
Vi ali, na rua molhada, indo longe... pra mim e de volta... a calmaria dos tempos de inverno, a tranquilização que esse silêncio de dentro traz... soprinhos no pé do ouvido pra deixar a alma se aquietar...
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segunda-feira, maio 07, 2007
passeios de fim de lua
Esse fim de semana... que coisa. Tempestades de sábado terminaram na virada cultural que viraram cervejas no Emapanadas, que viraram chá de erva-cidreira no Frans... 2 da manhã aterrisando em casa, na pontinha dos pés... luzes apagadas. E mais nada. Só a sensação de que não se pode fugir de si mesma. Das coisas que a gente mesma traz para a própria vida. Ainda sinto no coração a Fabi falando... doeu ver a minha amiga assim de novo.
Domingos de feira, gente mal-educada e bagunçada... coisas que não se espera, mas se vê. Leituras de samurais... sol na sala. Entupida de almofadas e pantufas preguiçosas. Tempestades iam e vinham... eu olhei. Nada de lua ainda. Ela tinha ficado na balada de sábado, me olhando pelo meio dos prédios confirmando a reflexão anterior... eu não vou ter respostas nessa hora mesmo!
Ontem resolvi dar o fora de casa. Liguei para Márcia. A gente ia jogar conversa fora... ficar à toa e se espreguiçar no sol. Fomos para a minha praça favorita. Eu queria muito mostrar essa praça para ela. Ficamos ali, deitadas na grama, falando dos casamentos, das crises, dos sonhos e das angústias. Ficamos ali... Umas cervejas pra animar o papo. Era engraçado estar ali com ela. A Márcia é testemunha - sem sempre silenciosa - das minhas peripécias mais contraditórias e intempestivas. É um tipo de cumplicidade maior que pode existir. Complicado de explicar. Fácil de sentir quando estou junto dela.
Tomamos duas "eskóis" cada uma, rimos e falamos todo o tipo de besteira que duas mulheres, recém casadas, maluquetes e exigentes, podem falar. Nada ficou de fora. E pra minha surpresa, a gente não parava de rir um minuto. Fiquei me lembrando há quanto tempo eu não tinha uma tarde dessas com risadas. E foram muitas. Fazia tempo que a gente não se matava assim. Esses risos infantis que deixam os adultos constrangidos nos espaços públicos. Ora... Nisso, posso garantir, a escola que trabalhamos foi muito generosa. Estivemos por muito tempo sobrecarregadas com as humilhações, pressões e etc e tal que nossa alternativa de subversão era - e ainda é, creio - o riso. Interessante como alguns hábitos são cultivados. A Márcia tem essa capacidade de trazer uma poesia diferente na minha vida. Uma espécie de coisa de criança que faz a minha (pseudo)adultisse se derreter e me centrar. Escuto as broncas dela, as queixas, as desilusões... e me vejo ali. Espelhada.
Fim de lua ou não. Deixei a Marciota no metrô... o sol tinha ido. A Lua aparecia, já pelas metades dela. Em meio às nuvens. Linda. OLhei pra ela e para o Juliano no carro. Havia tanto para silenciar ali naquele olhar. Fiquei e insisti. Esperei. A ternura aparece dos jeitos tímidos do outro. Sem jeito. Sem condições de dar mais. E eu ali, na minha exigente lua que ia e voltaria daqui há algum tempo... sem avisar.
Voltei pra casa e não dormi. Pensei, pensei... onde eu caibo nisso tudo? Há vagas? Ou a vida já é lotada demais de coisas. De gente, de dor, de saudade e de angústia. Ainda ne vejo, aqui, em casa, esperando o visto permanente na vida. Só ganhei ainda o de turismo. Tomo café. Escrevo. Lembro dos passeios de fim de lua no fim de semana e vejo as nuvens se afastando da tempestade que se deixa em paz... e eu fico aqui. Sem conseguir mais esperar...
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sábado, maio 05, 2007
E a lua mesmo?
Ontem me peguei olhando para o céu... isso acontece há algum tempo especialmente em dias de lua cheia...
Fiquei olhando pra ela, como se, de alguma forma, as perguntas que eu sempre faço tivessem naquele brilho a resposta... quanta bobagem me passou ali...
Tenho olhado para uma ferida, cada vez mais profunda, que cava buracos enormes... e que tem, ultimamente, deixado a superfície esburacada... dói muito, e cada vez mais. E mais ainda pela percepção, cada vez mais nítida, de que nada do que eu queira, ou faça, terá uma repercussão efetiva. Talvez seja mesmo essa a "mágica" da frustração... nada se faz... nem se pode, e agora, nem se deva. Estou cansada. De tanta coisa.
Acendi um incenso dentro de casa. Inalo esse perfume do mesmo modo que pergunto à Lua se ela tem algo a me dizer. Se ela, ou qualquer outro astro lá em cima tem algum controle sobre o que eu sinto. E sobre o que o outro sente. Ora, seria até irônico pensar que alguém o controla. Ele, que teme tanto o descontrole de si mesmo, de sua inútil e infantil maneira de se portar e de se descomportar. Senti nojo. Me lembro da Lua... e mais nojo ainda. Como se pode permitir tantas máscaras, iludidas em si mesmas para afastar, e justificar e completar e caminhar, cada vez mais pra longe. Olho pra fumaça do incenso aqui... ele invade o quarto, a sala e a cozinha. Entranha-se na vida alheia. E os outros nada fazem pra isso... não o impedem, não disputam com ele esse poderzinho territorial. O ponto principal é acendê-lo. E nada mais. De novo, olhei pra Lua na 5a. feira... ela crescia, majestosa à minha frente... e escondia charmosa as suas esburacadas cicatrizes - feridas... doídas do impacto de astros metidos a besta. Cometas que invadem, tomam, estragam tudo com essa luz tão bonita... e somem... Me perguntei se eu era capaz disso... mais... se eu de fato queria isso. Para que? Para preservá-lo da certeza de que ele não sabe - e me parece cada vez mais que não quer - ser alguma coisa a mais que um cometinha bestalhudo... se relacionar em profundidade... é ser tão responsável assim? Ora... claro... e nada mais parece se clarear dentro de mim, a não ser a certeza que estou, a cada dia, mais, mais e mais iludida. Desejando manter essa ilusão daqui, de dentro de mim mesma. E não sei mais tirar isso de fora.
O incenso acaba... ninguém parece perturbado aqui dentro. Só eu. Olho para o redor dos objetos. Há um Dexter no meu computador. Ele aponta para a janela. É isso, talvez. As coisas estejam demais aqui dentro. E eu esteja, profundamente exausta, cansada de tudo. Deixando de acreditar. Fé não pode ter esforço. E eu vejo que tenho feito força demais...
Ah, claro. A Lua? sim... continua ali, deixando todo mundo com a ilusão de que ela controla alguma coisa... Bela maquiagem para os fracos de si mesmos... que temem tanto o seu próprio deixar-se... bela maneira de ir embora sem precisar se despedir. E sem se comprometer... deixo lá. No canto, vejo a Lua indo... o incenso apagando, eu, cansando, quase deixando de ir... de uma vez...
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Srta T
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quarta-feira, maio 02, 2007
será que eu consigo?
Será que posso? Esperar, ver o milagre acontecer? o u o milagre é apenas a ilusão de que posso esperar? Construída... sentida... deixada ali. Em espera na fila de desejos que só cresce...
Medo... e a expectativa de não chegar... eu ficar a vida, esperando. Sem ver...
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Srta T
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10:45 AM
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