quarta-feira, setembro 05, 2007

Hoje é o lanaçamento do livro do Juliano... Ontem à noite fui encontrar o meu amigo-irmão de alma e demos uma passeada pela livraria. Lá estava o livro no meio de tantos outros...

Fiquei me lembrando de um email que ele mandou semana passada sobre a sensação de ver seu livro publicado ali no meio de tantos outros. Achei graça do caminho da cabeça dele. Mas ontem, mais que isso fiquei pensando ali na livraria, olhando aquele monte de autores, sobre os caminhos de cada um deles. Nesse sentido é mágico poder acompanhar a gestação de um filho nos bastidores. Tanto aprendizado nisso. Crescimento. Dilatação de dentro.

E perdoem as pieguices, mas fiquei com a imagem do filme do "Procurando Nemo". É um pouco essa a sensação - pressuponho - você lançar naquele oceano, informações, conhecimento, opinião. É tanto por ver. Fiquei orgulhosa dele. Por alguns segundos eu me lembrava de uma fala constante no Nosso "eu sou tímido". Timidez é sinal de orgulho. E achei bonito, corajoso, ele se despir desse jeito pro mundo. Humanizar as relações. E vejo esse livro acontecendo dentro da gente. Das descobertas, das experiências. Da humanização de coisas que não são escritas. De um cuidado no observar, perceber.

Fiquei pensando se os outros autores ali tinham vivido isso no coração de algum modo. Que histórias eles tinham para contar? Como tinham sido os bastidores dessa despir-se? Pena as editoras não contarem essas coisas. Parece sempre que o livro vem pronto. Que a vida prontifica tudo pra gente. E ontem, depois, conversando com o Vinícius, falando sobre o amor, os relacionamentos, os desafios, os casamentos, fiquei com o coração emocionado sabendo que tudo isso é pura construção. E que as fundações dela são trabalhosas de levantar. Custam. Suor, desapego, paixão pelo transformar-se... deixar-se ir pela mão do outro. É mais que confiança. É entrega. E como a gnete teima nisso! Cumplicidade...

ELe não dormiu essa noite. Claro. No lugar dele provavelmente eu teria tido um treco antes... mesmo. Mas acho especial poder testemunhar esse nascimento, acompanhado de tantos outros que os leitores mal imaginam. Nada virtual.

Hoje cedo, há pouco, ele saiu de casa serelepe. Tinha uma porção de coisas para fazer. Está preparado para o evento de hoje à noite. Uma agitação que lembra festa de formatura, primeiro encontro, casamento, esses ritos que marcam os caminhos transformando-se... Comecei a arrumar as coisas aqui e deixei a roupa dele em ordem. Bontinha, pendurada. Achei graça disso. Cuidar dele. A ternura surge nesses pequenos momentos da vida. Que tem permanências tão sutis... e aí me senti como aquelas mulheres no mundo antigo... que as historiadoras de gênero não me leiam! - arrumando o guerreiro. E me emocionei. Você ajeita e prepara o outro para algo que está fora das fronteiras do seu... do Nosso, e ao mesmo tempo percebe que essa fronteira é tão dilatada. Elástica.

Percebi o cheiro dele, a nossa história, as nossas coisas. E tudo ali tão etéreo, mas forte. Tentei me colocar no lugar dele. Repensar a trajetória profissional, os caminhos perdidos, encontrados, os desvios. As celebrações, os choros. As idas. As voltas. Surpresas. Há tanto nesse homem e, mesmo eu, assim tão perto, não sou capaz de apreender essas sutilezas invisíveis. A sensação de querer apoiar e não saber como nos deixa vulneráveis nesse amor. Expostas as debilidades desajeitantes da gente. E acho graça de mim querendo bancar a "esposa". Revi os meus escritos de pesquisa. Tudo passou tão rápido... ri da minha dificuldade de comunicar essas sutilezas todas...

Achei bonito esse feminino desengajado em mim. Fiquei ali, olhando a camisa, a calça, um bom tempo. O sol entrando pelo quarto, anunciando esse dia dele. E que delícia poder ser a primeira convidada. Para um debate dentro dele. Sem platéia. E que não tem prazo para acabar.

Juliano autografou o meu coração... pra sempre. E eu permaneço conectada...

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terça-feira, setembro 04, 2007

Algumas descobertas da vida são mais dolorosas pelo descompasso do que pelo descobrir... Às vezes sinto como se vivesse num filme francês cheio de histórias que se enrolam em si, desdobram-se nos sentires, olhares, calares... E falar? Para que?


Tem sido difícil conviver com o silêncio. Em muitos sentidos. Muitas vezes tenho a tentação de sempre me fazer sincera. Direta. De algum modo - ingênuo? - penso que isso pode ser uma demonstração de força de caráter. E o mais estúpido é quando a gente se percebe completamente humanizada e despida dessas etiquetas sem fim... E olhar os talvez. Os "se"... quem sabe? Dói. E mais pela ausência de qualquer solução do que pela verborrágica procura - (ir)racional - de ações. Pragmatismo. Nada...

Ontem saí da terapia com esse vazio. Me lembrava da fala do Juliano, citando uma vez, que os sentimentos não precisam ser comunicados. Só sentidos. Alguém aí sabe como se faz isso? Digamos que para uma pessoa absolutamente pluralizada na experiência do sentir - e por que não completar dizendo que há uma dose de exagero nisso tudo que não sei como resolver (há meios?) - a sensação deve ser comunicada. Faz parte do ritual do viver.

E ontem me dei conta que há de fato coisas que a gente carrega sempre, para sempre talvez, para dentro da gente. E ficam ali. Vivas. Mas monologam com o teu coração. E você nem sempre pode - ou deve - responder. Era tarde e me deu uma crise de choro no carro. Andei devagarzinho pela direita para não correr riscos. Expor desse jeito o sentir me parece arriscoso... Mas que seja. Consegui falar ao telefone bem quase engasgada por mim mesma. Dirigindo o carro e desgovernada aqui dentro.

E o que fazer com o sentir? Deixar? Sair? Sentir? Não tenho idéia de como isso sai - ou fica - na gente. Em paz. Tenho vontade de falar e não consigo. De rir e não posso. De chorar... e não sei mais. Dá saudade.

Acordei à noite milhões de vezes e vi o Juliano ali do lado. Dormindo na sua semi-gripe de pré-lançamento. Gostoso saber dele ali perto. Mas a insegurnaça do peito apertava e me impedia de continuar o sono que nunca chegava. Saí cedo. E espero que o dia me deixe respirar um pouco para fora de mim. Aqui dentro muitas vezes o mundo sufoca. E lá fora... tanto por sentir. Novidade. Diferente...

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segunda-feira, setembro 03, 2007

Para aqueles que são aliados da força!

Sensacional...
http://www.collectspace.com/news/news-082807a.html

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Queria poder sair daquela frestinha de luz...

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Ontem fui visitar a Teresa. E é muito misterioso como os laços se dão, os nós desatam... Nós nos conhecemos no ponto de ônibus...
Acho que eu estava no terceiro ano da faculdade e costumava sair cedo para chegar cedo e ver os amigos. Sempre gostei de puxar papo no ônibus e nas filas. Acho que é um bom lugar para a gente descobrir pessoas, vida. E saimos do habitual mimimi de reclamações. Aliás, assunto em qualquer lugar de espera é sempre o mesmo: clima, se vai chover, é ruim, se está calor, também, se demora, é péssimo, se vai rápido (ok, isso nunca acontece!) não é mais que obrigação.

Aquele dia foi especial. Um desses reencontros de alma que a vida não avisa, mas programa. Ficamos amigas ali e a vida nos presenteou depois com uma série de amizades comuns, outros reencontros. O primeiro, e acho, mais importante de todos fio o Vinícius. Eu nem saberia falar dele num texto. Não sei me expressar nessa convulsão de sentimentos por ele. E o mais bonito de tudo é que ele nos aproximou muito. Nos deixou mais irmãs e cúmplices, num certo sentido, de muitos porvir...

Apresentei o Thomas pra ela. Thomas é um par de águas-marinha na minha vida. Tem os olhos mais especiais já vistos, não pela imensidão do azul, mas por tudo o que esse azul traz consigo. Hoje o Thomas é marido dela. E a história, pra ser contada, vai levar ainda alguns anos... Trata-se daquelas histórias de amor que a gente presencia de perto, bem de perto, e quase duvida que seja real. O cinema está perdendo grandes histórias por aqui.

Meses depois a Teresa me apresenta o Juliano. E desse eu não vou me estender muito por razões mais que óbvias. Ele já uma extensão minha. Como ele mesmo disse nesse fim de semana "carne do meu coração". E não há nada mais intenso que isso. O amor ainda misterioriza seus mistérios no corpo da gente.

Há algum tempo atrás nós 4 nos estranhamos um pouco. Nada que fosse suficientemente forte para abalar um reencontro. Mas a vida também prega peças. Estremecimentos à parte é mais bonito ver a reconstrução das casas e das coisas importantes do que se fixar naquilo que elas destroem. Foi mais ou menos assim... amadurecer diante da vida. Diante dos amigos. Do coração.

E a cada encontro com Teresa e Thomas isso parece ficar mais claro. É tão bonita a experiência de formar a família. Essa sim a gente escolhe. Não é o sangue. É a vida que brota dessas descobertas em esquinas de ponto de ônibus. Somos padrinhos deles. E eles da gente. Foi a mãe da Teresa que cantou a bola sobre o Nosso. Tantas coisas nessa sacolinha de viver.

Ontem, como eu dizia, fomos visitá-la. Ela está meio dodói e num momento quase inesperado começamos uma "conversa de meninas". Eu adoro conversa de meninas. Embora, tenho que confessar, que tenho pouquíssimas amigas mulheres. Portanto, quando essas conversas acontecem, tem repercussões no peito por meses. A de ontem não foi diferente.

Não vou falar do assunto, de outro modo não seria "conversa de meninas". Essas conversas tem como pressuposto um véu de segredos que devem certamente deixar os meninos muitíssimo curiosos. Perfeito. Começamos falando do casamento... e isso se desdobrou em lembranças muito lindas da época de faculdade. De repente, me vi olhando para a Srta T há algum tempo atrás, mais ingênua e boboca com a vida do que qualquer outra, deslumbrada com um monte de sonhos que deram lugar a tatuagens bonitas na alma e, mais que isso, me trouxeram presentes tão exclusivos... Lmbrei de muitos cafés nos intervalos. De conversas sobre o mundo, a vida, e qualquer coisa quase-ou-nada-interessante. Horas nas mesas do Dpto de História tentando entender o que algumas pessoas levaram anos para apresentar e me dando conta de um mistério que nenhuma ciência é ainda capaz de explicar. A Teresa, ontem, me devolveu tudo isso. Nem sei se ela percebeu. Me deu de volta um "se" que a gente, historiador, nunca pensa. E que não é um crime trazer essa particulazinha pra dentro da vida. Mas não cultivei nenhum arrependimento... não mesmo.

Ao contrário, me olhei ali, naquele sofá da casa dela. O Nietszche (é o gato deles) com as suas traquinagens... e eu chorando. Descobrindo... e como a Penélope na Odisséia, tecendo e desfiando coisas de ontem de hoje, de amanhã. Ouvi tanto de mim ali. Na boca dela. Me vi pelos olhos dela. E, pela primeira vez, talvez, tenha sido tão desnudada por alguém. Ainda emociono com a generosidade daquela conversa. Chorei bastante essa noite. Não de tristeza. Mas não sei porque também. Será que o choro tem um motivo pra acontecer? Ou é o mistério em si quando ele acontece na gente? Dormi muito pouco. Tive que disfarçar a insônia e não deixar o Juliano preocupado. Fiquei olhando de novo as cortinas do quarto. Ouvindo o barulhinho do coração, do vento. Lembrando do prédio da História, das idas à biblioteca, das discussões pretenciosas e sem propósito. Dos caminhos pelo gramado. Do pôr-do-sol. Da espera do ônibus e da chegada de tantos ônibus, que levaram a gente por ruas diferentes, com destinos separados. Que se distanciam no tempo, no percorrer. E a espera de um reencontro na esquina seguinte, pra tomar um café... e ver outros ônibus passarem...

Quis ficar na estação esperando. E ao mesmo tempo, a pressa de seguir meu caminho me deixam sempre com os olhos na janela. Olhando quem passou ali perto, e que eu levo pra dentro de mim. Em viagens desse silêncio. E da despedida.

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sábado, setembro 01, 2007

ouvindo o rádio

Há algum tempo o rádio tem sido mais companheiro que muitos amigos. Não pela falta de amizade do pessoal. Mas pela presença mais constante. Ao menos mais tagarela. Há algumas semanas eu tenho redescoberto algumas outras epifanias nas ondas invisíveis...

Sair de casa para o trabalho tem um ritual diário de compenetração interior. É a hora antes do espetáculo que a fantasia é colocada e a maquiagem refeita. Enfrentar a sala de aula é, de um certo modo, confrontar os meus personagens comigo mesma. E isso requer meditação e recolhimento. Antes. Depois.

No caminho há um trecho particularmente especial onde eu sempre paro um pouquinho para olhar. São 7 árvores que denunciam as estações do ano como ninguém. No interior da Vila Madalena... e eu passo ali sempre e me remeto ao meu coração, ao meu pensar, ao meu sentir, viver, falar e calar. Dá uma vontade enorme de silenciar tudo o resto em volta de mim. Parar para respirar e de alguma forma, observar a nuanças de cores de violeta, rosa, verdes, amarelos e dourados. Neste outono eu acompanhei o sono de cada uma delas. Passava de carro e já de longe via que as folhas e as flores - generosamente - enfeitavam o meu caminho para o trabalho. Era quase como um tapete vermelho pelo qual eu passava e, ritualmente, caminhava para o meu palco interior. Com prêmios inapreensíveis e inexplicáveis.

Mas essas últimas semanas... me dei conta que sempre ali dava a sorte (????) de ouvir uma música no rádio. Dessas que a gente gosta DEMAIS e pede para ouvir... foi mágico me dar conta que as árvores, as 7, funcionam como uma espécie de portal... silencioso para abrir as percepções musicais de outras rádios dentro da gente.

Mais mágico ainda foi perceber que a maioria das músicas por elas escolhidas eram endereçadas ao Juliano. Ou melhor, ao Nosso. E mais engraçado que tudo isso foi perceber que eu sempre ligava nessas horas do celular para ele para ele escutar as músicas junto comigo. E os risos dos dois ao telefone finalizavam essas canções.

Dias atrás indo por esse mesmo caminho, muito cedo, liguei na rádio USP... era a voz do Juliano falando no Leia Livro. Mistério? Disposição? Certamente epifanias que não merecem explicações, do contrário, deixam de ser epifanias...

Isso tem sido frequente... e me dando conta disso passei a cumprimentar as árvores. Todas elas. Agradecendo por esse cuidado especial no meu coração. Acho que até deu certo essa prece diária de agradeceres... essa semana elas inauguraram os primeiros traços da primavera... tá aí. No meu coração também. Hoje, sem tulipas no jardim de casa, mas com o peito florido, só para quem aqueles que tem olhos de ver.

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Há uma coisa interessante nesse processo de viver loucamente. Essa semana, na 5 feira saindo da usp eu simplesmente não sabia o caminho de volta pra casa.

No entanto, fiquei olhando a lua ontem à noite... no caminho de volta pra casa (já relembrado!) Amarela. Imponente e cuidadosamente espiando os desatentos com a sua magnitude. Ontem cheguei à conclusão que a lua é leonina.

A gente cria mecanismos de desculpas (para si mesmo?!) ou é um ato de negligência intencional? Digo isso porque me dei conta que meu tempo - escasso demais - sempre tem rituais que não abro mão. Olhar o céu, por exemplo. Tive uma semana enlouquecida e consegui escrever razoavelmente. Pacíficos no coração. Oceanos de todos os lados e lugares e profundezas mergulhando em mim. Senti o corpo levitar de dentro pra fora. Apesar de ter digitado mais de 1000 notas, preservei - talvez pela primeira vez - o meu espaço sagrado aqui dentro.

E não sei como pude ou mesmo consegui realizar isso. Talvez pelas aulas de natação. Talvez pela atenção dada ao Juliano em vésperas de lançamento? Talvez porque eu tenha desejado sair do meu estado de meninice reclamona.

Ah, por que a lua é leonina? Porque ela nem sempre FAZ tudo e de tudo para chamar atenção - pelo menos nem sempre. Mas quando resolve apelar... sai da frente. Me senti constrangida ontem à noite olhando para o céu. Como a gente tem presentes dos deuses - ou do que lá você quiser chamar... - o tempo todo.

Voltei pra casa tarde. Abri a janela. Olhei as cortinas dando espaço pra lua entrar aqui... Que gosotosa a sensação de ser testemunha silenciosa desses pequenos milagres. Tempo? ora, isso me parece mais esse discurso modernete que a gente monta pra se sentir aceito. Não é percepção... é disponibilidade genuína. Eu quero mais!

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quinta-feira, agosto 30, 2007

embalando

Era mais de 11 horas da noite e eu ainda estava encoberta pelos trabalhos e pelas notas... Tanta coisa pra fazer e ler... Ouvia do quarto da tv o som de um jogo de futebol e me acalmava sentindo a presença viva do Juliano aqui em casa. É engraçada essa construção da intimidade. Parei um pouco enquanto tomava uma sopinha quente que ele tinha me trazido... tudo ali ganhava sentidos multicolores com o respirar. O cheiro, as cores, quase as madeleines (?) de rimbaud...

Espalhei fotos nossas aqui na mesa do escritório. Família, amigos, o Nosso. Lugares para visitar. Viagens feitas. Cores, risos. Caretas.

As cortinas daqui são bem vermelhas... Esquentavam os sentidos. De repente me senti numa ilha Nossa. Cada objeto aqui tinha a sua história. O dia que escolhi, surpreendi, fui presenteada. Histórias de antes. Coisas do amanhã. E tudo tão presente que fazia o embalo no coração agitado suavizar a respiração, o sentir, o ouvir. O olhar.

E passei a granhar percepções, epifanias, mutações de paisagem que transfiguraram um novo rito do Nosso. (re)Construir(-se) o tempo todo. É isso que as pessoas têm chamado de amor? Ou é só uma tentativa minha de desaguar esse oceano de sentires...?

Dormi antes dele. Exausta. O chuveiro me deixava curvar... lembro que parei as mãos nas paredes do box e tentei estender esse sentir. Como há mistério nesse amor. O banhar-se do outro é único, lento, prazeiroso. Dorminhoco.

Senti aquele reconhecimento de braços, dedos, carinhos. Dormi. Embalada nesse mistério. Nessa novidade vanguardista reacionária do peito, do corpo. Hoje cedo, despertava aquele sininho do palm... a luz da janela, a cortina ali embalado o meu amor... e os beijos todos, só pra mim, pra guardar no estoque da boca. Até acabar hoje à noite.

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quarta-feira, agosto 29, 2007




Olhar isso aqui, uma estrela atmosfera desta estrela gigante de brilho variável, 50 vezes mais maciça que o Sol, é como examinar os detalhes de uma moeda a 75 km de distância. Fico pensando se é essa a imagem que a gente consegue ver da gente mesmo...

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destroços

Hoje cedo saí com os alunos para o Museu Paulista - o do Ipiranga...Passeava com o pensamento solto. É sempre bom sair com a escola. Gosto de poder olhar a rua e a reação das pessoas ao verem um ônibus cheio de adolescentes. É surpreendente em muitos sentidos. Acho que eles esqueceram-se da sua...

Num determinado momento da viagem eu me dei conta que chegávamos perto do aeroporto. Congonhas. Não vou filosofar sobre as causas do acidente. Não sou boa nisso e acho que perderia o que foi ver de perto...

Apertou o peito. A dor sempre é maior quando bate na porta do coração da gente. Não tive nenhuma perda real naquele acidente. Não conhecia ninguém, mas confesso que me deu um nó na garganta. Não havia nada ali. Nada de fato. Destruição de um monte de desconhecidos... e que senti fundo como a gente é pequeno diante daquilo que cria. Os fantasmas, as dores, as máquinas, o dinheiro, a vida, o amor... A gente sempre é menor que tudo isso.

Lembro que o Juliano e eu estávamos perto de viajar quando isso aconteceu. Não quisemos ver a televisão. Nem as imagens. Nem a dor das pessoas. Uma escolha que poderia passar pela "opção de alienamento". Prefiro chamar de "solidariedada silenciosa". Dói o excesso de barulho. No corpo todo. E foi aí que me doeu a visão de hoje. Um silêncio detonado em dinamites... nada sobrou ali. Nem a imprensa. De fato aquelas pessoas morreram. Mesmo. De uma vez. E se a gente pudesse parar ali e sentir. ...

Há tantas histórias enterradas naqueles escombros. Não são nomes. Nem números. São caras que iam ver a namorada, mães carinhosas, que exigiam notas altas dos filhos, filhso que pararam de falar com os pais. Chefe mandão, empregado cansado. Gente com problemas de saúde, com medo de escuro, depressivos, serelepes, que tinham brigado em casa, despedido o jardineiro, deixado de pagar as contas, que faziam poupança, deviam no banco, gostavam de andar na beira da praia, amavam filmes de ação, comiam pipoca e batata frita, eram desajeitados para dançar, tímidos, sofridos, eperançosos. Outros ali perderam a chance de pedir desculpas, de tomar uma cerveja com os amigos, ver o pôr-do-sol. Alguns certamente iam pegar um filme na locadora... esperar a noite chegar sozinhos, acompanhados, trabalhando... Iam viajar nas férias, tomar um mate no Guaíba e ver as pessoas passeando no Redenção. Fiquei ali observando as ruínas... tentando ver as histórias que nem a arqueologia ou outra ciência humana serão capazes de recuperar. E talvez a memória ainda as perca.

Fiquei me lembrando dos meus que eu perdi... Perder nunca é bom. Ainda mais se a gente não consegue explicar o porquê. Digo aos alunos que com o Criador não se discute. Ele está ocupado... E os humanos ocupados porque discutem demais. E a gente passa e soterra...

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terça-feira, agosto 28, 2007

me confundindo em mim...

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conectando

Ontem cheguei em casa meio moída. Depois de passar numa maratona de aulas e pedalações voltei com o rádio ligado na cultura... paz. vim chorando quietinha dentro de mim. Sentia tantas coisas que não sei explicar. Querendo dizer. Passei rápido no supermercado e quando voltei para casa eis que me abre a porta o Juliano... com um sorriso de meninão (essa parte do meninão é certamente uma das que eu gosto muito!) e com as mãozinhas pra trás trazia o seu primeiro livro.

Vi aquela peça de papel meio sem acreditar... Tantos meses juntos acompanhando. Esforço, minhocação, terapia, concentração, insônias... E mais que isso eu vinha apreciando esse sabor da demora, da conquista passo a passo dele. Admirada.

E caí em choro gostoso depois de ler a dedicatória. Tem tantas coisas ali nela que os leitores mal saberiam entender. Uma coisa tão do Nosso. Nem mesmo eu saberia (acho que nem desejaria isso...) explicar. Tem coisas que não se explica, se sente. E eu fiquei ali nos braços dele, sentindo essa expansão do corpo. Do peito pra fora de mim! Que medo! Mas como é bom cair em queda livre. E fui... devagar. Lendo as páginas que vi montarem-se devagar, demorar. Tão bonito. Ver a pessoa que a gente ama conquistando os terrenos é maravilhoso, sobretudo quando ela te estende a mão pra você ocupar esse lugar com ela.

Juntamente com esse livro, pouquíssimos sabem... há tanto aprendizado interior, amaduderecer, amar, crescer, querer, sentir e doer. Chorar, rir, comemorar, tomar pilequinhos, celebrar, não dormir, acordar, festejar. Esperar. Acontecer. Devagar. Descobrir-se. E conectar-se... no mais íntimo do ser. Só pro outro ver. E sentir com você.

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segunda-feira, agosto 27, 2007

É engraçado como a gente pode se esforçar demais por dentro e o outro nem notar. Ontem foi um dia em que coisas dentro do coração explodiam. E como não deixar explodir ou respingar no outro?

Na última 6 feira aprendi o ritual do perdão. Desde lá tenho exercitado esses pequenos momentos epifânicos. O amor tem um contibuinte caro: a gente quer que o outro mereça algo melhor do que somos. E de repente, tudo começa a valer a pena. Ainda dói aqui dentro. Tantas coisas. Escondidas ali, aqui, debaixo do travesseiro. Escuto os telefonemas. Os sorrisos e me recebo nos carinhos. Mas o resto... parece que o apego ao que aconteceu é tão maior. Fico me perguntando até quando as lágrimas conseguem existir.

Sábado achei que fosse desistir disso. De mim. Achei que o preço era alto demais. Tentei. Escutei coisas que não queria. Disse outras mais. Saí do carro. É difícil a comparação de qualquer coisa fora da gente. Como medir? Fiquei olhando as cortinas do quarto à noite. O vento quente ia e vinha. Nada parecia passar. E sentia aquele abraço só dele. Reconciliando a Thais com ela mesma. Será que vai passar? A gente nunca esquece as coisas. Mas é possível perdoar sem esquecer? A cabeça diz que sim. O coração silencia. Ele crê na mudança. Sente. Mas o medo fica ainda aqui no cantinho da porta... olhando pelas frestas.

Saí de dentro disso... e não sei se consigo caminhar sem olhar pra trás... E sigo no esforço. No rito. No repetido. No azul. No calar-se...

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o que será que vem do lado de lá?

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coisinhas do lado de lá

Eu não sei exatamente o que acontece quando a gente reencontra pessoas sem data marcada na vida. Fora a surpresa, vem um monte de coisas aomesmotempoagora que deixam a gente com vontade de falar de tudo. Isso aconteceu com poucos amigos. E se repete a cada (re)encontro com eles.

O André foi assim. Era uma 6feira bem atípica em SP (ou não?) cheia de carros enlouquecidos conduzindo gente mais doida ainda. Greve de metrô. Esse detalhe eu não sabia... E recebo as seguintes instruções do Juliano: "compra um vinho bacana e eu te ligo pra vc pegar a gente no metrô". Ok, positivo e operante. Estava correndo porque eu tinha dado milhões de aulas e vindo num auê para comprar o vinho a tempo. Recebi o telefonema. Saí de casa e acreditando que rapidamente pegaria os dois moços, viria pra casa e me hibernaria numas almofadas enquanto eles pensariam e resolveriam o mundo virtual (de repente é mais fácil do que o real...)

Ora, querida, sinto muito. O tal do André naquela ocasião demorou HORRORES para chegar - lógico! a cidade estava um HORROR! - e mais ainda... eu precisei ficar dando voltinhas no quarteirão para aguardar. Nas 3 primeiras, ok. Paciência é uma virtude. Descobri que não tenho. Na 5 volta um ônibus me fchou e claro que eu fui dar uma de mulher maravilha e desci do carro barraqueira-chiliquenta para dar uma lição no motorista. O máximo que eu consegui foi uma risadinha sádica e um pedido (quasemudo) de desculpas. Ok. Larguei o carro quase no meio da rua na Vl Madalena e saí a pé bufando... Quando cheguei os dois estavam animadinhos com a conversa. Tentei - mesmo- me recuperar de um estress. Não deu certo. O Juliano bem sem graça disse meio tímido "ela está brava". Esta PUTA DA VIDA. Mal dei um "oi" e segui caminhando na frente. À lá "vamos logo". Mas o moço era um amor. O tal do André foi deixando de ser "o tal" e com aquela doçura toda estava a caminho de desmanchar o meu bico. Dito e feito.

No carro ainda disse que ia me acalmar e ia voltar a ser simpática. Pode? Descobri que ele se interessava por antropologia. Achei legal. Nunca imaginei que alguém relacionada ao mundo da internet de fato quisesse teorizar um pouco mais sobre aquilo. Enfim. Seguimos e abandonei os dois com o vinho no escritório para uma conversa sobre a internet, o mundo de lá, de cá, etc e tal. Aproveitei e hibernei um pouquinho. Consegui relaxar e lá pelas tantas peguei um papo "Irlanda" no meio da conversa.

Irlanda. Não é uma palavra que me sai da cabeça tão facilmente. Tirando o fato de eu AMAR Guiness e tudo o mais, eu particularmente gosto das dancinhas, da música e de todo o resto. Não vou desenvolver muito o papo aqui. Mas queria pontuar que, de alguma forma, quando eu saí do transe do piti, uma coisa muito gostosa brotou. Falei para o Juliano depois. No dia seguinte eles se encontraram eu acho. Domingo fomos para a praça Pôr-do-Sol, com a Bianca, uma fofa de tudo. E ali as conversas foram mais amigas, mais soltas.

Reencontrei o André depois de um tempo em Londres e na Irlanda. Foi muito bacana. Conversamos no sábado sobre a vida e essa sensação de que as buscas se entrançam o tempo todo através da gente. Buscar tudoaomesmotempoagora não dá. Esgota. Falamos sobre o mundo de lá, de cá. Sobre as angústias. As vontades de mudar, de se mudar, dos medos. Dos momentos bons e de uma tentativa de humanizar as pessoas em suas coisas. Ou seria de humanizar as coisas das pessoas? Pretensões à parte, foi uma delícia. Acho que pela primeira vez eu conseguia conversar sobre essas coisas num universo tecnológico de bar. Bloguiros, gente que manja de sites, que publica, que acontece, que vende, que pensa. Poucos ali sentiam... E a Ceila foi outro presente trazido.

André, obrigada pelas músicas. Mais que isso, obrigada por reforçar a doçura nessas coisas que são quase de sci-fi. Tive a impressão de em alguns momentos abraçar gente feita de metal prateado e que fazem toc toc no chão quando andam, manja? Legal achar através de você (falar do Juliano aqui seria redundante... por razões óbvias)pessoas queridas, reencontrar em mim outras coisas que quase se perdem. E a gente, muitas vezes por presunção, deixa passar mesmo.

Nos vemos no próximo bar...

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blogando

Nunca pensei que um texto aqui teria esse título... Na verdade poucas coisas têm-se mostrado "normais" ultimamente comigo. Estive ontem, surpreendentemente, num evento de blogueiros. É. Apresentada pelo Sr Spyer como "blogueira". Esse título, epíteto desacreditável, aconteceu.

Lá pelas tantas me vi querendo dar palpites em coisas como "por que os jovens fazem isso ou aquilo". Blablablabla... na verdade me perguntei quietinha porque a gente fica se preocupando com isso. Sendo bastante honesta, ontem, pela primeira vez, percebi que meu blog era lido. E isso me custou alguns neurônios numa conversa.

Primeiro, porque eu escrevo... Nunca pensei nisso de forma organizada. Na verdade, escrever me organiza a bagunça interior...Depois, por que escrevo no blog? ora, essa pergunta acho que ficou (semi)esclarecida no texto "inaugural". Mas como cabeçuda deplantão enveredamos pelo caminho do públicoXprivado... Agradeço ao Pedro Mrkun pelas elucidações reflexivas-compenetradas-inusitadas a uma pre-iniciante-básica-complicadinhadealmaquegostadeescrever... De repente eu parei de ler sobre "gênero", história e a clássica "categoria mulher" e me vi abraçada a novos universos tecnológicos.

No fundo esse blog é uma tentativa de expurgar alguns demônios (no sentido original da palavra grega) que habitam a minha cabecinha. Pensar demais e sentir demais nem sempre combinadas são legais. Não mesmo. Por outro lado, pensar que este espacinho meu virtual (realíssimo) é habitado visitado. UAU. Lembro que mandei o linkdo blog para alguns amigos (bem poucos... ) os mais íntimos. Era como mandar um email. Foi mais que isso... eles começaram a mostrar para outras pessoas. Aí a gente perde de fato o controle sobre esse emailsópramim...

Ao mesmo tempo a sensação de ser lida - e mais, qeu isso aqui, de algum modo, faz sentido - me acalma. Ora, a inquieta não sou eu. Ao menos não estou sozinha. Verdadeiramente não tenho vontade de ser uma mega-pop-cheia-de-audiência. Isso me obrigaria a escrever. E odeio obrigações de alma. Estar vivo é suficiente para a menina. O resto precisa espontaneidade. E isso não se encomenda.

Presente de grego a idéia do Juliano. Isso aqui faz parte de mim de um jeito que sinto falta... gostaria de ter mais tempo livre para escrever qualquer coisa divertida ou que me ajudasse a organizar o álbum cerebral-sentimental.

Gostei do evento. Menos pelos debates. Mais pela conversa no sofá. Nos bares. Adorei rever o André. Ainda vai um texto depois sobre ele. Adorei estar ao lado do Juliano e ver as pessoas ali admirando e reconhecendo um dos muitos valores dele. O resto, fica nos bastidores. Bom ver gente humanizando a máquina. O resto, já vimos bastante.>

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quinta-feira, agosto 23, 2007

marquinhas

São 3 anos... e fiquei pensando no que dar de presente. É complicado porque a gente se presenteia todos os dias, em todos os momentos. Não seria exagero dizer que o Nosso é de fato um presente.

Fomos assistir Miss Saigon, presente da sogra... e ganhei o presente mais generoso vindo de alguém que está a se abrir a todo instante. Mas isso fica em segredo. É do Nosso.

Fiz uns marcadores de livros... Desses bem meus, românticos, ritualísticos. E novamente, à noite outra descoberta. Muito mais nossa...

E o mais incrível disso tudo é ver como a gente marca a vida um do outro, sempre, profundamente, intensamente. E não há como fazer isso sem dor...

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star wars >< sr dos anéis

1. Se sua espada cai, Aragorn precisa correr até ela para pegá-la de
volta.
2. Mark Hammil não parece uma moça feito o Elijah Wood.
3. Han Solo levaria apenas 0.0023 parsecs pra voar até Mordor.
4. Os Stormtroopers podem ser meio frouxos, mas pelo menos têm rifles
laser.
5. Duas palavras: cavaleiros jedi.
6. Flechadas não derrubariam um AT-Walker.
7. A Millenium Falcon é muito mais rápida que Scadufax.
8. Três palavras: sabres de luz.
9. O Um Anel pode permitir a conquista de um continente. A Estrela da
Morte destrói planetas.
10. Gandalf não pode simplesmente dizer: "estes não são os hobbits que
estão procurando."
11. Lando Calrissian traiu o grupo, mas compensou destruindo a 2ª
Estrela da Morte. Boromir traiu o grupo e, pra compensar, morreu
estupidamente.
12. Nenhum agente do Império tem medo da luz do sol.
13. Rohan tem tropas montadas. A Aliança tem uma esquadra de caças
X-wing.
14. Han Solo não namora uma mulher 3000 anos mais velha que ele.
15. Sauron não usa Star Destroyers.
16. O Pônei Saltitante não tem uma banda com integrantes de diversos
planetas.
17. Tantas línguas na Terra-Média - e nenhuma tão maneira quanto o
idioma Wookie.
18. Orthanc, Minas Morgul e Barad-Dûr não têm baterias anti-aéreas.
19. Nenhum Comandante Supremo do Império seria derrotado por uma mulher

e um hobbit.
20. Darth Vader não usa anel.

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terça-feira, agosto 21, 2007

Engraçado ver o tempo passar. E não sentir esse "peso" em você... Fazem 3 anos... e me sinto tão mais viva. Inteira. Ainda juntando pedaços desconhecidos de mim... Colando, costurando. Revendo a combinação de cores. E jogando remendos esfiapados...

Há gratidão nisso. E medo. Medo que eu me jogue ainda mais pra fora de mim. E o que fazer? Lançados os nós... Nosso.

E cada vez mais indefinido, define-se o que sinto aqui dentro. Inteiramente. Só pra ele. Devagar... como as eras. E deixando o que era para trás. Com conta gotas de aprender a amar...

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segunda-feira, agosto 20, 2007

vontade de ficar de ponta cabeça....

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o medo

Na semana passada, creio que pela primeira vez tive uma dimensão do que dizia o mestre Yoda sobre o medo e o lado negro. Curiosamente sempre me julguei meio "jedi" e , por ser fã do universo de Star Wars, achei que dominava alguma coisa dessas.

Nada. Conveniências e acasos à parte, estava passando o Episódio III - o nascimento do bebê vampiro Darth Vader. Fantástico poder assistir e combinar as reflexões com isso. Identificações tão sensíveis com a personagem do vilão. Como o medo de perder pode deixar a gente cego, deslumbrado com a vontade e a possibilidade de ter. E não temos nada. Mesmo. Fiquei pensando como a gente constói castelinhos de areia. Frágeis. Mínimos. Dentro e fora da gente.

Fiquei com medo de ter medo e cair "no lado negro da força". Entendia, muito claramente, esse lance todo de que o medo leva à raiva, que leva ao ódio e que leva ao lado negro da força... Tenho vivido tantos desafios jedis dentro de mim. Talvez sem o treinamento adequado, diria. Mas que pavor de pensar que posso atravessar uma fronteira dessas tão rapidamente. E mais medo.

Semana passada ouvia a terapeuta falando do que o medo faz com a gente. Como regredimos. E dizia sobre "sentar na verdade". Como assim? O que é a verdade ora, essa?! Como a gente direcionar o olhar e o sentir - examinar os sentimentos verdadeiros (o que mesmo???????????) - sobre a verdade. Onde depositar a confiança????

Me deu medo de novo. Há tantas incertezas no caminho... e coisinhas que a gente julga -petulantemente - saber...

É...

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sexta-feira, agosto 17, 2007

Ontem. Saí tarde da USP. Ouvindo sei lá bem o que e me roendo por dentro por causa do Pierre Bourdieu. No caminho pra aula uma conversa com o Tiago, velho de guerra! salve, irmão! sobre gênero.

Muito bem, trabalhamos juntos e ele foi escolhido primeiro porque é homem. Achei graça dessa situação - depois claro...! - afinal, não basta estudar as relações humanas disso que é chamado - vulgarmente hoje, penso - de masculino e feminino.

Fui pra aula rindo da nossa conversa sobre a História, sobre a vida, casamentos, separações, achados, perdidos, guarda-volumes. Ele se casou no início do ano com uma mulher absolutamente LINDA de morrer. Meio à lá Catherine Zeta Jones. De noiva então... pãtz! arrasou!

Este texto é uma homenagem a ele. Pra dizer de coisas, de afinidades de alma que a gente reconhece pela vida. Estudamos juntos. Mas não nos falávamos. Nem sei porque. Ele trabalha com o Vinícius, meu outro irmão de alma. E a vida reuniu a gente numa equipe sensacional.

O Tiago tem uns trejeitos do Vinícius, mas é mais bem-humorado. Ainda bem! Dá uma saudade do outro quando encontro um deles. Se parecem em muitas coisas. Estudam muito e fazem parte de um raro contingente de homens sensíveis-inteligentes-charmosos-meiofemininosporserembacanasedobemcomasmeninas! Sou fã. Ontem ele, surpreendentemente levou amanditas para a reunião. A gente como doxe HORRORES e como eu gosto de dizer, como que nem menino; ora esse papo de comer alface é pra coelho! Assumo minha condição humana !(ufa...)

Devoramos as amanditas em meio a uma reunião de decisões de comoseráofuturodahumanidadesedependerdenós. Não seria ruim se dependesse, mas acho que não ia rolar. Digamos que a gente seja do time idealista-ingênuo-sonhador contra o resto do mundo. Ok, meio alienista.

Apresentei a Márcia pra ele. Outro encontro. Tenho vontade de ter o Tiago e a Cris, mulher dele, mais perto. Engraçado porque tanto eu como ele podíamos ter transformado a disputa de vaga em desconfiança pura. Só amor! E reconhecimento.

Estranhamente eu sinto uma coisa meio mãe, pode? Vontade de cuidar dos amigos queridos. São tantos. Tantos que eu não vejo mais... A vidna do Rodrigo a SP me despertou tantos sonhos deixados nos lençóis... escondidos nas cobertas. Ficamos horas conversando no dia que ele veio em casa. Uma vontade de congelar ele aqui dentro. Difícil aceitar no meu apego leonino às pessoas que elas se vão, puxam os elásticos pra longe e nem sempre voltam depressa. às vezes nem voltam... e fico aqui esperando com a cordinha na mão... saudade de tanta gente! mas é bom ver que tenho diversas cordinhas amarradas nos dedos. Que, quando eu puxar, a pesca será maior...

E que seja doce... com as amanditas...

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terça-feira, agosto 07, 2007

lavando a alma MESMO

 

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emergindo




De fato, dá vontade de ficar ali, contemplando. E me lembro daquela frase de Fernão Capelo Gaivota... "vê mais quem voa mais alto". Ontem, antes de dormir fiquei relendo o Sandman. Antes de me despedir das cartas do Caio Fernando, estava com esse sentir-se só. Uma solidão de dentro. Olhava o Juliano ali do lado. Que coisa boa... mas é a solidão de que a transformação é solitária. Você só pode fazer isso por você mesma. E as pessoas, no máximo te aplaudem. Ou nem isso.

Sandman sonha? Permite esses sonhares. Nem sempre solitários. Mas deve ser mais triste só contemplar a humanidade dali de cima. É difícil optar pela contemplação e pela experiência... As duas dão esse medinho.

Saudade da cachoeira...

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segunda-feira, agosto 06, 2007

descasulando

28. Saturno. E esse amadurecer lento. Doído. Que a gente joga pra fora da gente quase cuspindo. Márcia leu meus textos aqui. Achei legal porque às vezes sinto que a solidão me toma escrevendo. Me deixa esse sentir-se só... Engraçado porque ela me fez ver uma coisa que tenho refletido - sozinha, claro.

Me perguntou se eu estava infeliz. Me disse - nada sutilmente, claro Márcia - que eu projeto as minhas dores nos outros, sobretudo no Juliano. É ÓBVIO que eu faço isso, por isso se chama relacionamento. Por isso mais ainda que eu estou vivendo essa catarse de transformações alucinantes interiores - e exteriores: CORTEI O CABELO! estou me achando suuuuuper mulherão! bom pra nova fase de aniversário!

Sábado rolou a festinha. Bom ver os amigos de tanto tempo! nossa! tanta gente querida! e todos se apresentando! se conhecendo se curtindo! uma delícia. Enfim. Eu fico sempre embasbacada e alucinada porque de repente estão todos juntos ali, de uma vez, ao mesmo tempo agora. E essa vontade de abraçar e sair falando-rindo-dançando-badalando-chorando com todos eles. E claro que eu não consigo. Minha hiperatividade ainda não deu conta disso. Ainda bem.

Mas o ponto da noite foi uma conversa com o Gavin. Ele é uma jóia dessas preciosíssimas que encontrei no meio do deserto. Um deserto intenso de experiências peregrinas pra dentro e fora de mim. Ao mesmo tempo. Um ano de trabalho com artistas num projeto meio "vamos mudar o mundo". Depois que os poderes de Grayscol não rolaram e faltou maturidade de todos os lados, o esqueleto tomou o castelo. E eu saí por Tandera sem querer definitivamente mudar o mundo. Já dá trabalho mexer dentro desse caroço aqui. Mas voltando ao Gavin... Artista queridíssimo e um educador que sabe - tem aprendido na pele... educar a dor. A dele. E isso me comove demais. Foi pouquinho, mas nesses pouquinhos sempre rolam as epifanias. Mistérios da vida.

Ainda vou escrever mais sobre ele depois... Mas o presente veio depois de uns vinhos aqui e ali. Uma despedida carinhosa e cheia de encorajamentos para prosseguir nesse desafio - bem precário às vezes - que a gente chama de amadurecer. Arte mesmo. Tekné. Saber fazer. Sem receitas. Aí está o conceito de habilidade.

Hoje saio da terapia depois de um mês de sossego externo e puro inferno astral vivido no âmago desse cuspimento de mim. Alívio... mais talvez porque as coisas demorem a se resolver do jeito que eu quero - e aí reside um mistério gostoso da vida - do que de uma pseudo-solução-terapêutica-astrológica-espiritual.

A gente vai vivendo. E se humanizando. E amando. E (des)cobrindo mais da gente. (re)velando... tanta coisa boa. Que presente ter o Juliano por perto. Mais perto de mim do que eu mesma...

pra me segurar quando eu bater as asas e deixar essa vida lagarteando...

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telefonando...

Domingo. Dia de (suposto) descanso. e lá eu... à procura de uma solução para o meu celular. Fiquei me sentindo em um furacão meio à lá twister... ou qualquer coisa brega e bagunçada. Fomos a 3 lojas da TIM...

Detalhe importante para sublinhar a eficiência de serviços de comunicações do país... ligamos para o serviço de informações e a figura, dita "consultora" consultou todo mundo e ninguém, podendo-estar-dando-a-chamada-consultoria-dos-assessores-da-TIM, pôde ajudar. Mãe Diná teria feito melhor. Walter Mercado com o seu "ligue djá", coitado... djá teria ficado esperando HORRORES e perdido clientes. Nenhuma clarividência explicaria isso.

Trânsitos astrais à parte... Andamos por 4 lojas... Mais fácil achar o Santo Graal e mesmo a Arca da Aliança. Quase pedi emprego ao Spielberg como atriz coadjuvante em Indiana IV! Nos mandaram para a loja do Vila Lobos - a 3 loja! - e quando chegamos lá... nos mandaram para o Iguatemi. Muito bem. Respirei fundo. Tentei pedir uma explicação qualquer e depois, "será que por gentileza você poderia ligar para lá e confirmar que o sistema deles está funcionando?"

"Não".

Como assim? Fiquei sem acreditar por uns segundos e já estava respondendo "ah, ok, obrigada".... "não podemos ligar pra eles porque eles nunca atendem o telefone", disse o mocinho com toda naturalidades dos consultores-consultados. Passei. Imaginem. Uma empresa de telefonia que não atende o telefone. Ok, ou seja, TIMganram...!

Chegamos na loja do Iguatemi depois de esperar o maná dos céus e Deus, evidentemtente, ocupadíssimo - imagino que ele deveria estar em algum local do céu atendendo ligações de pessoas desesperadas como eu, ansiosas e inconformadas. Ou pior - ele também não atendia telefone. Afinal, era domingo, dia do senhor. Havia uma fila consideravelmente GRANDE e todo aquele papo de "pode esperar pela senha". Pegamos senha. E ficamos olhando como peixinhos no aquário a loja em frente. VIVO. Estavam todos muito mortinhos ali, a começar pelos clientes, exaustos, impacientes. Ficamos ali e quando eu ia perguntar qualquer coisa filosófica como eunãoseiporqueagentetemquepassarporisso o Juliano se levantou e foi até a "concorrente". Mais: ficamos conversando com os vivos clientes e pasmem! - sãotodasiguaisemserviços! MESMO.

Depois de uma conversa rápida sobre promoções e seduções tecnológicas fomos surpreendidos pelo lojista da VIVO entrar, bastante à vontade, na loja da TIM. Literalmente atravessou a rua. Foi ali. Entrou atrás do balcão. Pediu informações à lá confidencial e voltou com um papo olha-a-gente-pode-resolver-isso-e-eles-não. A loja ia fechar. Antes que tomássemos uma atitude naqueles espírito -surpreendente - dominical, voltamos. Claro, eu tinha que xingar a vendedora da VIVO que foi suuuuuper grossa só porque queríamos uma última informação. Depois de ficar umas 6 horas do dia nessa comunicação surreal...

Voltamos para casa quase 10 da noite sem resolver as coisas do celular.

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segunda-feira, julho 30, 2007

o retorno ... de qualquer coisa

Enfim, de volta às praias paulistanas. Geladíiiiiiiiiissimas. Depois de alguns chuás nas cachoeiras de MG e alguns retiros espirituais - nada fáceis nesse trânsito de inferno astral (existe mesmo! aos incrédulos!) - estou de volta. Preparada para encarar mais um semestre. Mais um aniversário e mais um de tudo o que a vida reserva. (sempre é mais um... nada se cria, nada se perde... bla bla bla)

Estou pensando em escrever algo sobre o Retorno de Saturno. Meio remaker de O Retorno de Jedi. Detalhe: só terminarei a saga em 2009... Mas vamo que vamo. Muita literatura nessas férias. Carrapatos, pulgas e outros parentes próximos! Viva a natureza e toda essa onda brega de ecoturismo e preservação. Somos intrusos MESMO. Senti na pele (isso não é definitivamente, figura de linguagem... dá-lhe anti-alérgico!)

Novas metas - que espero, torço, suspiro - que sejam cumpridas! e aquele etc e tal de sempre na véspera de aniversário. Saudades do tio Fredy. e profundíssimas!!!!! sempre!

Fico por aqui com a previsão do tempo para hoje: saia de casa suuuuuper entrochado, com um anti-gripal, guarda-chuva, e uma regatinha e protetor solar caso o tempo mude.

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domingo, julho 08, 2007

Passeios a pé pela cidade hoje me fizeram lembrar de coisas gostosas do passado. Café depois de sair das aulas de ballet no municipal... visitas à livraria francesa...
conversas intermináveis sobre "como será o amanhã"...

É bacana quando o amanhã surpreende. Com gosto de trufa derretendo na boca... esquentando esse gelado da nossa existência.

Acabei de receber os meus pais aqui em casa e numa conversa com a minha mãe, recém chegada de Porto Alegre, com bá e tudo o mais, me dei conta que os amanhãs surpreendem sempre. Mesmo - talvez mais - na vida dos outros. Tantos anos fora do Rio Grande e a gente continua vinculado.

A família é a raiz mais forte que existe, quando bem construída. Me senti num romance da Scarlet Ohara... e foi assim mesmo que eu gostei de me sentir. Enraizada nesse vínculo misterioso da vida - a família. É o velho porto, seguro. Sempre com as luzes acesas, mesmo quando você muda e pára de olhar naquela direção. Misteriosamente - e sem você saber - ele te espera. Porque sabe que você, no fundo mesmo, nunca sai de lá.

Fiquei com essa doçura no corpo todo. Vi a Renata grávida, me lembrei do casamento dela. Em Lavras. Da festa, das risadas, do porre. Da volta pra casa. Do fim da faculdade. Tantas misturas boas aqui dentro... lembranças recheadas com esperança. De expectativa de viver esse futuro mistério que se renasce no ontem...

Fiquei pensando, olhando a Renata, que uma nova família viria ali. Esperada e cultivada. Deu saudade dos meus irmãos. Estão longe, vivendo suas (re)descobertas. Quis ligar pra eles dois... um aperto gostoso aqui dentro. Nem sei bem como eu comecei a escrever isso. Nem sei como vou terminar. Só a sensação de que é como um sentimento de família... nunca termina, nem sei se principia de algum buraco dentro da gente... e eu aqui... sem jeito, sem texto, cheia de sentir, se saudando nas lembranças de cada um ali na fala da minha mãe, nas risadas dos meus irmãos, e na barriga linda da Rê...

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quinta-feira, julho 05, 2007

casa(r)(ndo)

Estranhamente nessas férias estou caseira demais... Depois de ajeitar o básico no primeiro dia de sossego, atropelei a ansiedade fazendo faxina no guara-roupa... é. Terapia de graça, que alivia, e dá uma renovada na energia.

Foram horas de ajustes, ajeites, ajeitos, e desajeitos na minha bagunça interior que sempre se transforma depois de uma boa limpeza. Colocar as minhocas para trabalhar. Isso mesmo, que elas tenham utilidades nobres à alma além de me atasanar...

Aliás, outro dia me perguntaram porque há tempos não escrevia sobre elas. Se eu tinha dado férias às meninas...estava menos rancorosa... Fiquei ouvindo aquilo tudo... e de repente parecia que essa figura que me indagava sobre essa "peculiaridade" nos meus textos não tinha entendido absolutamente nada.

Não vou ficar explicando as minhocas, nem dizer nada delas. Além do que elas são de fato. Minhocas. Com "M" maiúsculo. E por isso mesmo, profundamente femininas (no pior sentido dessa contextualização... Pandora, você nem imagina como seria o mundo se naquela sua caixinha tivesse minhocas...! não mesmo!), com curvas, sorrisos, lábios e tudo o mais. E mais: inteligentes. Isso mesmo, burlam você, derrubam você. Por isso mesmo não podem ser apreendidas, confiscadas e, lamento dizer, explicadas.

Mas voltemos... Esse pequeno bate papo informal sobre elas me deixou encabrunhada... primeiro, tem mais gente que lê isso do que eu pensava. Bom. Não é esse o problema. Segundo, como tornar o indecifrável tratado sobre mim mesma, para sempre inacabado e revisado, e rascunhado, minimamente legível... Comecei a rir pensando que eu talvez me daria ao trabalho de fazer isso.

Tenho escrito sobre o casamento. E a pergunta do Gustavinho, citada no post anterior, me trouxe algumas luzes. Primeira fresta da janela aberta: eu sou muitíssimo feliz. E talvez seja exatamente esse o problema. Não em ser feliz. Mas compreender e apreender o que se entende sobre felicidade. Delírios literários, psicanalíticos à parte (não vou mesmo me dar ao trabalho de falar sobre isso!) eu fiquei pensando que, além do fato disso ser profundamente relativo, o desafio está em viver essas pequenas epifanias. Não compreendemos nada sobre o pleno estado do ser. Não somos. Estamos apenas. Estamos com calor, frio, fome, sede, felizes, tristes, eufóricos, putos da vida, de saco cheio. Estamos sempre alguma coisa. Essas etiquetas mutantes são a única coisa que temos de mais constante (apesar de toda a inconstância delas!)... e de fato, ainda estamos aprendendo a ser.

Talvez ser feliz seja extamente saber lidar com essa mutação de etiquetas emocionais, sociais que se têm o dia todo. Sem controlar. Ora, isso sim é pura ilusão. Talvez seja o movimento de sempre (re)fazer as faxinas no guarda-roupa... sem medo de jogar fora a roupa de anos atrás. O ponto é que a gente (aí sim!) É super apegado...

O casamento é isso. Testemunhar a vida do outro. Ok, essa é a parte fácil Você até pode assistir de camarote se quiser. Comprar uma pipoca, esperar e apagar a luz. A parte difícil, desafiadora e, claro, a mais bonita, é deixar que o outro testemunhe a nossa vida. Nossos defeitos, medos, alegrias, conquistas e derrotas. Testemunhe nossas mais feiosas e engraçadas idiossincrasias. E, maravilhosamente, passe a amá-las. É... isso é espetacular. Nossa existência na Terra já é solitária e corre-se o risco de ser vazia, sem graça, quase esquecida. Sempre me lembro de como os egípcios sacramentavam essa passagem da gente aqui. Escreve-se o nome das pessoas na pedra. Ela viverá para sempre. Será sempre lembrada por alguém.

Cansados de carregar as pedras habituais da vida que, cá entre nós, pesam um bocado... A gente se casa. Por amor, por medo da solidão, por encontrar a pessoa que completa, que dá sentido, por paixão, por gravidez inesperada, por grana, por qualquer coisa...

E, para o meu romantismo incontestável, o testemunhar é o que se tem de mais inteiro nisso. E justamente por esse motivo é que os casamentos duram pouco, ou nem começam, ou escorregam pelos dedos... Falta manutenção. Cuidado. Ser testemunha não é fácil mesmo. Advogados que o digam. Mas as pessoas tem medo dessa tarefa, você não pode mentir e, se o fizer, será condenado em algum plano de existência, seu ou do outro. Mas não passará incólume.

Justamente por isso. No dia do lançamento do livro do Pico, fiquei um tempão conversando com o Gustavinho... falamos sobre isso. Sobre mim. Ele viu uma Srta T há alguns anos atrás a ponto de quase se perder dela mesma. E foi o primeiro, talvez o único a dar a sentença de morte. Disse a ele de coisas que acontecem nos meus pesadelos de viver. Contei de coisas, de dores, de saudades, de tristezas, de transformações. E concordamos nisso. Transformação dá trabalho. Dor de cabeça (dói em outros lugares também...) E talvez esteja aí a metáfora do casamento que encontrei nessa conversa com ele... arrumar a casa para esperar a pessoa mais importante da sua vida. E descobrir que a sua arrumação, mon cher, não está a contento. Que aos poucos a monotonia da sua casa precisa mudar os móveis de lugar, limpar os farelos de pão que o outro deixou cair. Lavar lençóis, tirar o pó. Ah! detalhe importante! Nessa casa não se trabalham faxineiros ou empregados. Só você, afinal o seu convidado pode, no máximo, ser orientado onde e como jogar o lixo. E onde vai se sentar à mesa. O resto... é da nossa conta.

Por isso mesmo o casamento é assim. Bonito demais. Gostoso de tudo. Até com esse azedo amargo no fundo. Se mastiga... e quanto mais se mastiga, mais saboroso fica. Você descobre outros ingredientes secretos. Mas é preciso paciência.

Mais ainda, é preciso gostar de ficar em casa. E continuar arrumando tudo. Sem pressa. Com carinho e jeitinhos... fala-se pouco, e se faz mais... o resto, vem de madrugada, naquela ternura toda do edredon. Que é só nossa... e ninguém poderia jamais compreender. Epifania...

Gu, obrigada por me mostrar essa casa nova, naquela noite no Frans... sempre aberta para te receber...

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tardes de inverno



Essa imagem, de uma tarde de frio, sol, calor, passeio na usp...
Me lembrou o Gustavinho quando me perguntava na terça-feira, se eu vivia uma fase boa da minha vida...

Engraçado como isso se mostra de modos diferentes para as pessoas. Lendo e relendo algumas das coisas daqui, pode parecer, talvez, que eu tenha estado mal... mas como mesmo? se tudo o que eu tenho sido e vivido, experienciado e abraçado é o mais bonito que a vida pode dar. A gente nasce aos poucos, e demora pra florescer. Enquanto isso nos resta passeios em tardes assim, com carinhos na mão, no rosto e beijos no coração. Se a gente não consegue florescer a tempo, fico olhando as flores já nascidas. Vermelhas. Doídas até...

e agradecendo a minha história de amor... que sempre surpreende, e esquenta esse friozinho de inverno no peito...

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domingo, julho 01, 2007

resposta de infância

Thaty,

Mais uma vez fica dificil expressar em palavras tudo o que senti lendo o lindo post que você escreveu no seu blog. Peço desculpas pela demora em ler e responder mas minha vida anda literalmente de cabeça para baixo, acontecendo coisas que te conto na próxima vez que sairmos para tomar um chopp (quer dizer, tecnicamente porque eu, como sempre, vou pedir guaraná:-).
´
A vida realmente passa muito rapido e ao olhar para trás, pro nosso passado juntos, muitas vezes ele parece como algo de sonho, como cenas que nossa mente construiu e que não aconteceram de verdade.

Você bem sabe o quanto, em boa parte da minha vida, eu fui muito sozinho. Fosse pela timidez, pelo meu jeito ou minhas idéias eu era aquele garoto de um amigo só, que não saía com os outros e que passava longas tardes brincando sozinho. Isso só começou a mudar quando fiz quinze anos e quando por consequência conheci os meninos do Mirr (uma benção de Deus sem a qual não saberia como seria minha vida hoje). O que quero dizer é que antes de tudo isso, havia uma pessoa que enxergava em mim mais do que "o filho do dono da escola", o "nerd medroso" e esse alguém sempre foi você.

Você foi minha primeira amiga e a pessoa por quem me apaixonei pela primeira vez. A ´pessoa que aceitou me dar aulas particulares depois do horário, que criava e inventava mundos de fantasia, com que eu discutia a filosofia quântica dos nanotransmissores elementares :-0.

Sinto muitas vezes que em todos esses anos não fui capaz de retirbuir adequadamente todo esse amor e dedicação que você tem por mim e quero que saiba que se muitas vezes não o demonstro é porque não sei exatamente como faze-lo. Você foi uma grande benção de Deus em minha vida, talvez aquela que me deu a força necessária para sair do mundo infantil e perceber que não é só de fantasias que se faz esse terrivel e obscuro mundo das pessoas adultas.

Saiba sempre que te adoro e o quanto você é especial para mim. Estou certo que em um futuro distante, quando estivermos bem velhinhos, ainda vamos lembrar dessa fase com muito carinho

Beijos de quem te adora

Pico.

P.S: A nossa foto de caipirinhas é a ÚNICA foto de mulher autorizada pela Aninha a permanecer na minha escrivaninha :-)

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sábado, junho 23, 2007

irmanando

O corpo fragilizado mesmo... tanto cansaço, tanta vontade de ficar quietinha... e nesse quase-sono entorpecido... eu descubro mais...

Há coisas que a gente só se permite ver na fragilidade. Nesse entorpercer do corpo, cansando de si mesmo. De ver o mundo e sentir como se a gente pudesse, de alguma forma, controlar.

Ontem recebi a notícia... Clara terminou o namoro. Engraçado como algumas notícias tem impactos profundos na gente. Passei o dia com ela em sentimento. Não nos falamos. Fiquei com o coração apertado. Queria estar perto, ajudar, sentir, abraçar, escutar. Essas conversas que as irmãs têm quando se reconhecem mulheres adultas... Passei o dia assim. Descobrindo na minha fragilidade física a vontade de estar e ser ela. Tirar essa dor do peito e trazer pra mim. Mas ao mesmo tempo me lembrei de alguns anos atrás... a libertação é melhor sensação para a alma. Não posso roubar essa dor liberta dela. Não é justo...

e fico aqui, olhando as flores pela janela, esperando a Clara me ligar. Ou ligo antes? antecipo... ventos na cortina...

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sexta-feira, junho 22, 2007

antes de nós

Antes de mí tú no eras tú,
antes de tí yo no era yo.
Antes de ser nosotros dos
no había ninguno de los dos,
no había ninguno de los dos.

Antes de ser parte de mí,
antes de darte a conocer,
tú no eras tú y yo no era yo,
parece que fuera antes de ayer.

Antes que nada
yo quiero aclarar
que no es que estuviera tampoco pasándolo mal antes.

Pero algo de mí, yo no supe ver
hasta que no me lo mostró,
algo de tí, que quiero creer
que no vio nadie antes que yo,
que nadie vio antes que yo

Después de todo
lo que quiero es decir
que no entiendo como podía vivir antes,
no entiendo como podía vivir antes
no entiendo como podía vivir.

Antes de irme
yo debo decir:
yo también pensaba que era feliz
No entiendo como podía vivir antes.

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quinta-feira, junho 21, 2007

perguntando sobre as tulipas

Ontem um amigo me perguntou o que eram as tulipas além da obviedade - flores...
Percebi que o texto cozinhado na geladeira sobre elas deve ser terminado... Mas para que mesmo? não seriam essas tulipas as minhas testemunhas mais quietinhas? soli(t)dárias?

Talvez seja essa coisa do Mario Benedetti mesmo, sobre El Nuestro, que foi pessimamente traduzido! Dias atrás eu estava na Livraria Cultura e dei de cara com a tradução. "O Nosso Assunto"... que quase me deu uma crise de pânico. Me senti tão ultrajada com aquilo. Afinal, o Nosso é sempre nosso, meu quase. Como poderia ter sido traduzido desse jeito?

Acho que é o mesmo com as tulipas... não sei se vou me dar ao trabalho de explicar alguma coisa. Não mesmo...

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terça-feira, junho 19, 2007

caminhar por aí

 

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el nuestro

 

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o crepúsculo das tulipas

 

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preâmbulos tulipenhos

 

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nascimento da tulipa parte I

 

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encontros de domingo

 
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sábado, junho 09, 2007

El Nuestro

Essa (in)definição, desde julho de 2004... dada pelo poeta, manifesta pelo Juliano...
Era uma noite fria, a gente caminhava pela R da Consolação, pelo lado dos Jardins. Tínhamos falado de Chaplin. A gente lia Pedro Nava em cada esquina, lembrava do dia que a gente se conheceu, se olhava, se escrevia. Passamos em frente ao bar que tínhamos nos conhecido há poucas semanas. Do dia que eu falava do meu passado, ele do dele. Enfim... e outros diários apareceram...

"Martes, 28 de mayo

Ella viene casi todos los días a tomar el café conmigo. El tono general de la charla es simpre el de la amistad. A lo sumo, de amistad y algo más.Pero voy haciendo progresos en ese 'algo más'. Por ejemplo, a veces hablamos de Lo Nuestro. Lo Nuestro es ese indefinido vínculo que ahora nos une. Pero cuando lo mencionamos es siempre desde afuera. Me explico: decimos, por ejemplo, que, 'en la oficina todavía nadie se dio cuenta de Lo Nuestro', o que tal o cual cosa sucedió antes de que empezara Lo Nuestro. Pero , en definitiva, que és Lo Nuestro? Por ahora, al menos, es una especie de complicidad frente a los otros, un secreto compartido, un pacto unilateral. Naturalmente, esto no es una aventura, ni un programa, ni - menos que menos - un noviazgo. Sin embargo, es algo más qye una amistad. Lo peor (o lo mejor?) es que ella se encuentra muy cómoda en esta indefinición. Me habla con toda confianza, con todo humor, creo que hasta com cariño."
(La tregua. Mario Benedetti)

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musicando....

"Forgiven Not Forgotten"

All alone, staring on
Watching her life go by
When her days are grey
And her nights are black
Different shades of mundane
And the one eyed furry toy
That lies upon the bed
Has often heard her cry
And heard her whisper out a name
Long forgiven, but not forgotten

You're forgiven not forgotten
You're forgiven not forgotten
You're forgiven not forgotten
You're not forgotten

A bleeding heart torn apart
Left on an icy grave
In the room where they once lay
Face to face
Nothing could get in their way
But now the memories of the man are haunting her days
And the craving never fades
She's still dreaming of a man
Long forgiven, but not forgotten

You're forgiven not forgotten
You're forgiven not forgotten
You're forgiven not forgotten
You're not forgotten

Still alone, staring on
Wishing her life goodbye
As she goes searching for the man
Long forgiven, but not forgotten

You're forgiven not forgotten
You're forgiven not forgotten
You're forgiven not forgotten
You're forgiven not forgotten
You're forgiven not forgotten
You're forgiven not forgotten
You're forgiven not forgotten
You're forgiven not forgotten
You're not forgotten
You're not forgotten
No, You're not forgotten

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quero poder contar....

O Pico. Mais uma vez. Mais todas as vezes. Eu há dois meses tenho rascunhado um texto sobre uma notícia que ele me passou...

Há dias que eu pensava nele. Essas coisas que a minha intuição faz comigo o tempo todo... enfim... Tem cada uma! Mas voltando. Eu estava em casa. Era tarde da noite. Uma sexta-feira. Tinha acabado de comer e me preparava para receber os carinhos no pé. Mas tinha um cutuco no peito. Eu precisava saber se o Pico estava bem.

Curiosamente o Pico estava on-line... Senti uma coisa engraçada por dentro, uma felicidade particular naquele momento e chamei-o para uma conversa. Nunca virtual. Nossas conversas nesses anos todos sempre foram as mais verídicas que eu pudera ter. Lá estávamos nós e eu louca para dizer do meu estranho sentimento pra ele. Que ele seria pai.

Antes mesmo que eu pudesse dizer alguma coisas ele disse que queria muito me contar uma coisa... e eu quase fiz a piadinha... que nem deu tempo. Quando li na hora que ele seria pai, foi tão forte como no dia que eu descobri que Darth Vader era pai de Luke Skywalker. Fiquei paralisada. Silêncio interrompido por um grito meu enlouquecido de felicidade. Balbuciei para o Juliano qualquer coisa e um "eu sou foda!" na sequência.

Pai. Nem me dei ao trabalho de voltar para o computador. Liguei o telefone de pé pulando e gritando a notícia como se ninguém num raio de 2 km tivesse escutado a minha modesta celebração.

Atendeu o telfone. Gritava! e comecei a chorar. Pai. Isso ainda ecoa em mim por dentro. O Pico é o meu amigo mais antigo. E vai ser pai. Isso parecia tão distante da gente há alguns anos atrás e de repente... eu casada. Ele, pai. A vida adulta te pega na esquina. De surpresa mesmo. Fiquei tão comovida com isso que nem podia dizer nada pra ele de significativo. A conversa ao telefone foi a mais rápida que tivemos em 20 anos de amizade. Não havia o que dizer. Estou devendo esse abraço para ele todos os dias desde então.

É impressionante como a gente se dá conta que envelheceu. Que não vive mais naquele mundinho construído e protegido. A gente precisa retribuir isso ao mundo. Trazendo gente boa pra cá. Foi a primeira vez que eu senti um poder absoluto num nascimento de uma criança. O filho do Pico. Eu o amo mesmo antes de o conhecer. É como se eu o tivesse comigo por perto desde sempre.

Ele mesmo está atônito ainda coma notícia. "É... eu acho que a minha ficha ainda não caiu" ele disse. E nem as minhas. Parece essas cenas de filme. Que os roteiros adaptados fazem melhor que o original. Aqui é exatamente o oposto. Eu não sou capaz de reproduzir a minha alegria e maravilhamento com a notícia.

Já fico imaginando eu indo na maternidade, vendo essa criança crescer. Contar para ela que eu e o pai dela nos conhecemos na primeira série. analfabetos do mundo. E que nos alfabetizamos de mãos dadas nesse mundo de fantasia. Nos apresentamos mundos de sonhos que sonhamos - e realizamos - até hoje... ET, literatura de sci-fi, Duna, Monthy Pyton, Star Wars, RPG e todos os seres maravilhosos que agregamos nesse caminhar de tanto tempo, os amigos, reais, próximos, que abraçam, riem, choram, participam. Testemunham.

Eu tenho pensado nesse testemunhar da vida. Como algumas pessoas em especial testemunham a nossa vida em plenitude. O Pico é um desses. E me senti privilegiada por estar aqui assistindo o nascer dele. Eu fico sentindo um calor bem quente mesmo no coração pensando como vai ser daqui há algum tempo... ir nas festas de aniversário. Me lembro de todos os aniversários do Pico que eu fui, No McDonald's, na casa dele, nos restaurantes. Mesmo. Me lembro de um dia a Mariana, irmã mais velha dele, dizer para a minha mãe que a gente estava "brincando" no quarto, quando na verdade, já quase adolescentes, a gente tinha uma dessas conversas fantásticas sobre o mundo e sobre a vida, de onde para onde ir, sem ir a lugar algum conhecido.

Eu quero poder contar ao filho dele que o Pico fez muito da minha infância valer a pena. Que ele tinha uma pistola Zillion que brilhava e fazia um zum bem bacana, que me ensinou a fazer os primeiros comunicadores de caixa de fósforo e que podiam ter luzinhas e apitar. Quero poder contar a ele que fiz a minha primeira traquinagem numa festa de aniversário, atirando batatas fritas nos colegas por causa dele. Que a gente passava horas pensando em como imitar os trabalhos de George Lucas e Spielberg. Que a gente queria criar universos fantásticos e jogar muito RPG. Que eu pensava em ir para a Disney e ver os EUA por causa das coisas que ele me contava de lá. Quero poder dize a ele das nossas caminhadas intermináveis no Playcenter quando eu adorava caminhar no Labirinto e dar cabeçadas no vidro só para ver o Pico rir.

Quero dizer a ele também que o Pico foi o amigo que eu mais briguei, mais ri, mais chorei, mais amei. E que no meio de tudo isso ainda tivemos tempo para fazer peças de teatro, ensaiar e dançar no teatro da escola. Escrever trabalhos mirabolantes, fazer maquetes do Prof. Pardal e deixar os professores de cabelo em pé. Quero agradecer por ele ter esse pai. Que foi meu pai, irmão, amigo, inimigo, príncipe encantado, vilão, fabricador de sonhos, mestre dos mares, herói, mendigo, médico do coração e a alma mais generosa que eu encontrei no meu caminho.

Quero poder mostrar a ele aquela foto que eu não tenho comigo sei lá porque até hoje, da gente fantasiado de caipira numa festa junina de muitos anos atrás. Vou dizer a ele também de todas as besteiras que a gente se disse nessa vida. E de como os pedidos de desculpa - nem sempre ditos - eram os mais sinceros e regeneradores. De como eu aprendi a perdoar com ele. De como ele me ensinou - e ensina sempre - a ser humilde, a ter bondade e compaixão. De como ele mostrou que a frase do Cristo "dar a outra face" pode ser vivida no dia-a-dia. Como ele me ensinou a transformar as sucatas em sonhos. Como o verbo sublimar foi ensinado tão fortemente por esse pai. E ainda consigo me surpreender com outros significados que ele traz a essa palavra.

E quero poder dizer a ele que o seu pai é uma dessas raridades que Deus manda pra Terra, só para que a gente testemunhe a sua grandeza. E que por isso, e por outro motivos mais que eu só vou poder contar ao longo de uma vida, eu sou grata por ter acompanhado esse menino-homem-mago-pirata caminhar por esse mundo, às vezes fantástico, e poder trazer um pouco de fantasia pra gente. De como esse serzinho que está chegando é um privilegiado de ter um pai desses. Que transforma. Que acontece. Que sonha-vivendo...

Pico, eu quero poder contar tudo isso... e que você esteja junto para me lembrar das coisas e me dar um lenço quando eu não puder continuar. Parabéns... e sempre obrigada.

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corpo humano

Fomos assistir ontem à exposição do Corpo Humano. Foram com a gente, Clara e o namorado, Groselha. Ambos da Escola Paulista de Medicina. Aula intensiva. Fiquei abestalhada com esse movimento pra dentro. Como disse o Juliano, do "macaco se olhar no espelho".

Tanta gente. Tanta fila, tanta curiosidade. Traduzida de forma vulgar do "de onde vim, pra onde vou?" Coisas assim. Fiquei passada com a nossa maravilhosa monstruosidade interior. Com a nossa perfeição funcional, mágica, misteriosa e inquietante. Me assustou que a gente soubesse tanto - e nada - sobre nós mesmos. Como o deslumbre pela descoberta do mecanismo, a fascinação pela engenhosidade do que habitamos, ou ainda, do que somos. Fiquei assim... quase como se tivessem me visto de roupa pela primeira vez. Olhei em volta. A casa cheia. Todos éramos iguais ali. Brancos, negros, índios, gays, virgens, divorciados, profissionais, vagabundos, ateus, crentes. Todos feitos do mesmo engenho. Funcionando igual. Me senti mergulhada num sentimento de identificação. Tudo tão óbvio, traduzido: o porquê da dor, da gripe, do sangue, do cheiro, do medo, do suor, calor, frio, insitinto, fome. Tudo igualmente terminado na morte... Definido ali. Concluído. Início, meio, fim. Transformação é para ser ao longo da existência.

Ouvi os dois falando apaixonadamente pelo mistério desvelado do corpo. Exibido ali. Quase como caça ganha. "Conquistamos". Mas ficava me perguntando onde estava o resto? Estaria tudo ali? Eu sou mesmo assim tão ingênua com essas coisas? Será que fico buscando poesia em tudo? Me assombrava a proximidade dessa arrogância sobre nós mesmos. Essa sensação de poder. Afasta. Amedronta. Mas fascina. Entorpece. Fiquei com inveja dos médicos...

Saímos de lá e ficamos falando dessa experiência da morte. Perder pessoas deve ser mais inexplicável quando você acredita que, de fato, tem o poder sobre a vida e a morte. Senti essa angústia de habitar a fronteira entre saber-acharquesabemos.Voltei pra casa achando tudo efêmero demais. Mesmo essa sabedoria toda da gente. E que talvez até mesmo a fronteira seja um artifício pra nos manter crentes. Em nós mesmos.

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ecos de sexta

A ironia é mesmo a hipocrisia com estilo?

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shakespeare sexta

Ontem assisti novamente o documentário Ricardo III, feito felizmente por Al Pacino. Deslumbrante. Pude, de algum modo traduzir ao Juliano minha paixão por esse autor. Fiquei tentando me lembrar porque, ou melhor, quando eu me apaixonei por esse inglês... E porque, ou melhor, como venho cultivando essa paixão há tantos anos.

O documentário é feito de modo a tentar explicar porque Shakespeare é mal interpretado. A diferença entre Shakespeare e shakespereano. As peças, os textos, sonetos, tudo parece complicado demais. Al Pacino sai pelas ruas dos EUA e Inglaterra perguntando às pessoas se elas conhecem Sahkespeare. A maioria ouviu falar. A maioria não leu, ou leu pouco, ou leu pouco e obrigada na escola. FAto: a maioria acha "boring" demais para encarar um fim de semana ou mesmo uma tarde. Pior seria passar a noite com ele.

Um homem muito simples, entrevistado, sem dentes, negro e pobre nos EUA, dizia que não entendemos Shakespeare porque não sabemos mais sentir. Desaprendemos isso com o tempo. E mais, ainda fizemos o crime maior de prendê-lo nas academias e bibliotecas. Quase fizemos como os antigos egípcios que, para matar alguém na eternidade, apagavam o seu nome escrito. Era o fim. Ninguém mais se lembraria...

Não vou me dar ao trablho de comentar o trabalho do elenco maravilhoso e inquestionável. Mas queria pontuar que o percurso oferecido por Al Pacino desvela Shakespeare. Desvela a academia, o teatro. O medo e o tabu que esse ator encerra em suas páginas. Me deu um calor no peito revendo o filme e o quanto Sahkespeare é pungente nas suas construções. Ele poderia dizer de outro jeito. Mas não quis. Para complicar? Não, para mostrar que sentir, viver, ver, estar no mundo não é tão óbvio como se parece, e mais ainda, é mais desafiador e revelador. Ora, sua matéria prima é o sentimento. Sua forma de nos apresentar isso... suas palavras. E que magia.

Fizemos vários intervalos no meio do filme. Suco, comidinhas aqui e ali, beijos, reflexões sobre a vida, sobre o autor, o filme. Nada mais bonito que ver o Juliano se shakespereanizando. Poroso deixando aquela força do texto invadir a sua vida. Eu ria. Achei graça como ele descobria a poesia daquilo.

Maravilhada, encantada com a profundidade do humano ali. Pensei nas minhas fantasias de sair e tomar um café com esses meus autores favoritos. Antes de dormir, Juliano me perguntava se eu preferia sair com Deus ou Shakespeare. DIsse a ele que Shakespeare teria mais a me dizer de Deus e dos homens do que o próprio Criador. Ele anda ocupado ultimamente: aquecimento global, aids, gente pra todos os lados vivendo o desespero de estar aqui ou lá. Levaria Shakespeare para tomar um chimarrão. Na praça Pôr-do-Sol. Ficaria ali ouvindo ele falar. Dizer das coisas que viu. Adoro o jeito que ele traduz a história da humanidade propriamente: Mercador de Veneza, os reis todos, Henriques, James, João, Ricardo. São tantos os reis, mulheres, Hamlets que habitam a gente. Tantos Romeus, Julietas, tantas noites de verão, de reis, de sonhos, de megeras domadas, Antônios, Cleópatras, Pucks, Porcia, Ladies Macbeths e todas as famílias complicadas de York, Capuletos, Lancaster. Só são personagens, personificações distantes, mas vindas de dentro de você, de mim, do cara aqui do lado, do sujeito que abastece o meu carro no posto, do caixa do supermercado, da faxineira. São tantos. E tão poucos se colocarmos ali, espelhados nesse reflexo bonito do texto.

Shakespeare tem esse bisturi da vida. Ele é propriamente essa intervenção cirúrgica na vida. Corta a sua alma. Exatamente onde ela dói. Onde você acha que vê e não entende nada. Acha que sabe, e desconhece.Fiquei me lembrando da reação do Juliano ontem falando coisas como "nooooooooooosssaaaaaaaaaaaaa" e outros adjetivos mais contundentes... Bonito quando tudo faz sentido. Senti esse quentinho na alma de poder dividir esse inglês tão especial na minha vida. Que me diz tanto, me sente tanto. Bonito a gente poder se apresentar entre os queridos.

Acordei com esse dia cheio de sol, me preparando para o nosso 2 sarau romântico. Livros, poesias, escritos, e toda essa coisa que deixa a alma respirar no mundo. De dentro e de fora... shakespearizando o dia, a vida... sem academia, sem tabu. Sem entender. Só o sentir...

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quinta-feira, junho 07, 2007

Para que evitar a dor se ela pode ser o que mais aproxima? Humaniza. A dificuldade dos relacionamentos não é evitar a dor, mas bancar a dor.

Não se evita sofrer. É como querer parar de respirar. Inútil. Mortalmente suicida. E vão. Nunca parei para pensar que o desafio é se preparar - não para sentir! - mas para aproveitar o melhor da dor. É... isso existe. E é lição de casa dada nas últimas aulas, sem aviso de que cairia na prova. E caiu, valendo sempre muitos pontos.

Tenho olhado pelos olhos dele e pela primeira vez, creio, percebi o tamanho da angústia ... e do medo de amar. Que bom que a gente se sinalizou. E que bom que a gente banca a dor um do outro. Companheirismo não. Cumplicidade. E descobri que isso não está à venda, nem se baixa pela internet. Está aqui... invisível aos olhos, mas debaixo deles. Poesia alquímica. Ou vulgarmente chamada de amor.

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delírios de poesia

Aqui, jogada no meio das almofadas da nossa biblioteca. Conversas dali, daqui, olhando textos, brinquedos, nada muito (des)organizado aqui em casa. E fiquei jogada aqui, ouvindo o Walt Whitman e o Borjes... boas companhias para pensar naquele café colonial em que eu adoraria reunir caras como Hegel, Aristóteles, Shakespeare, Deus, Schopenhauer... nada mal.

Mas me dei conta que ia ser excessivamente cerebral. E tudo o que eu preciso agora é sair das minhas roupagens de agente do FBI. Desse jeito esquisito de pressentir as coisas que vão ocorrer, adivinhar quem é quem, etc... Preferiria tomar uma sopinha ouvindo poetas conversarem. Fiquei com inveja do Juliano falando que seu trabalho seria ouvir todas as poesias gravadas que temos aqui... Os filósofos, cientistas... é, precisariam de mais paixão... sem panfletagem! Uma dose boa de gin, uma luz de abajour... uma música de fundo... e eu ali, de platéia quase disfarçada.

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passeios de fim de tarde

Novamente eu me atiro ao sol. Fui à praça hoje ver o sol ir embora, daquele jeito mágico, vermelhão inesquecível pra lembrar que ele sempre volta. Toda vez que vejo aquele disco vermelho no meio do céu, inteiro, quente, fico recompondo a mágica relação que os egípcios tinham com ele.

Fiquei ali, vendo o Juliano pedindo os cafunés, as coceiras. Eu estava ali, imersa nesse oceano de carinhos e declarações... Sentia aquela brisa bem suave, namorando o luz do outono, toda impressionista. Admirei as cores das árvores, dos cabelos das crianças que iam e vinham com os pais, os cachorros, os brinquedos. FIquei ali, silenciando o movimento incessante. Tentando escutar outras sintonias, mais distantes da percepção desse "comboio de cordas" como dizia o F. Pessoa.

Fiquei ali, no meio daquelas cores todas pensando no livro do Desassossego... de que cor é o sentir? Maravilhei-me com a idéia de que a natureza espelha bem esse desassossego caótico existente na gente. Fiquei ali, olhando, perdida de mim. Ótimo para quem se desafia a lutar diariamente com a explosão cerebral >< sentimentalismos excessivos.

Rodei mais um pouco nos cabelos do Juliano. Olhava as cores dele também. Prestava atenção nas pessoas ao redor conversando sobre coisas quase nada interessantes. E gostava de observar as que, como eu, nem olhavam a vista, nem o sol, nem ninguém. Olhavam para esse lugar que a gente acha que não existe. Algum lugar no meio do comboio de cordas.

Prestei atenção em um rapaz que estava ali, sem cigarro, sem bebida, sem bicicleta. Nem boné, nem aquele óculos de gente metida a charmosa... Ele estava ali. Nele. Olhava em 360 graus. Senti uma afinidade silenciosa com aquela percepção. Juliano dormia quase. E eu me divertia fazendo ele rir das carícias. Das minhas leituras de Shakespare, de comentários aleatórios e dos suspiros que a gente dá. Ele transcendia o mundo "através das suas unhas..." Ri.

O rapaz de repente puxou um caderninho de notas, semelhantes aos que eu e Juliano temos. Notei que ele rabiscava e continuava olhando ao redor. Achei até que poderia estar ali a trabalho - ok, era feriado hoje! - mas não... Ele tinha uma maneira muito doce de escrever, quase como as meninas quando inauguram a primeira página do diário. Era terno com as páginas. Escrevia devagar, quase como se estivesse a ponto de paralizar o todo a nossa volta. E pintar isso em palavras. Eu fiquei me lembrando de coisas da minha adolescência quase demasiado contemplativa. Sempre gostei de saborear as coisas lentamente, as pessoas, as paisagens, as comidas, as conversas. Apesar da minha ansiedade, o meu excesso de apego às vezes me faz parecer muito, demasiado calma. Ilusão. Fiquei imaginando o que aquele moço tentava pintar ali, o que ele sentia. De que cor sentia. E porque, estranhamente, as pessoas se apegam a esses registros do dia...

Eu via o céu se alaranjando. A brisa se despedindo e trazendo o geladinho do vento. As pessoas se agasalhavam. A luz acendeu. O céu era lilás. O rapaz continuava escrevendo. Juliano tinha se levantado do sono profundo dos carinhos e me retribuído... Fui flagraga por aquele moço. Ele também tinha me observado daquele jeito, quase. Sorrimos um para o outro. E eu deixei de ficar sem graça. TInha um violãozinho ali perto, convidando as pessoas a ficarem menos vigilantes. Ele se levantou. Passou do meu lado, sorriu. E acenou com o caderninho dele. Gostei do adeus.

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Ontem tive uma conversa com um amigo no Filial. Levei a Lúcia. Era uma noite muito especial porque iria encontrar pessoas queridas que não via há tempos. E de fato saiu tudo uma delícia. Ri bastante. Depois de algumas cervejas e muitas risadas e beijinhos e discussões semi-complexas sobre a vida... esse papo de bar de véspera de feriado.

Ouvi sobre esse meu espaço de escrever. Não imaginava que as pessoas se interessassem por ler isso aqui. Afinal, é o email que mando pra mim. Foi gostoso me sentir identificada nas crises pessoais. Saber que mais gente tem minhocas... aliás as minhas há bastante tempo tem ficado de férias e de vez em quando mandam telegramas, emails, telefonam para dizerem que não me esquecem... ok. E que as minhocas de todo mundo são amigas, companheiras, se visitam, se escrevem, saem na balada. Que gostoso ter essa percepção de que - certamente - até as minhocas tem as suas crises também.

Mas o fato é que a conversa de quase ir embora de ontem me fez pensar sobre o que eu tenho chamado de "crise". Lembro agora da história da palavra. Grega, significa dividir, analisar. Acho que é um jeito - bem humano - de desmontar a ordem - nada natural - do interior/exterior da gente. E com isso, rearrumar. Ora, o problema é justamente saber, ou intuir, onde colocar o que.

Tenho conversado muito com a Lúcia sobre isso. É gostoso saber que as pessoas conscientes fazem isso o tempo todo, sem necessariamente sofrer por isso. Aliás, sofrer é bom nesse sentido. Lembra a gente que estamos vivos. E não tem nada de sado-maso aqui não... é pura experimentação do sentir. A gente acha que conhece esse verbo. Nada.

Acabei de me dar conta que os passeios de fim de tarde na praça pra ver o por do sol não são apenas meus, nem os emails. Me senti quase uma egoísta por ter pensado assim. Ouvir as pessoas e as suas buscas, as suas (re)organizações de interior de casa me deixam mais suave, porosa. Admirada com a capacidade que cada um tem de se regenerar. Gerar-se a si mesmo. De olhos fechados, abertos, surdos, mudos... mancos.

Olho para o Dexter em cima do meu computador. Ele olha com esses óculos enormes jurando que sabe de alguma coisa. Dou risada dele. E de mim, por achar que meu laboratório é também, só meu.

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andar de olhos fechados

Exsite uma coisa na experiência do tempo que é a gente se surpreender com a gente mesmo. Eu tenho vivido isso. Essas pequenas - e profundas descobertas - (a)temporais...
Depois dos sopros frios do inverno na cicatriz... olhei pra ela, que parecia ainda tão doída e feia. Puxa, que alívio apertar o corte e olhar nos olhos dele. Olhar a sua pequenes, a sua fragilidade e o seu sentimento de estar deslocado no meu corpo.

Estava mesmo. Só havi lugar ali para algo que habita a minha vida há 3 anos... Olho sempre para o Juliano surpreendida com a possibilidade de que as coisas nunca são as mesmas - ainda bem - e que as transformações acontecem na alquimia mágica da convivência. Sempre me cobrei achando que ele dá muito mais para essa relação do que eu. O curioso é que recentemente peguei ele dizendo o mesmo pra mim. Ficamos ali, quietos, olhando nos olhos transfigurantes da alma apaixonada. Nada... Rimos. É sempre incrível quando você tem a chance de não julgar. De compreender e perceber, como uma brisa na fresta da janela, que as janelas nunca são iguais. As paisagens que elas abrem para o que a gente julga "estar lá fora" são sempre distintas, surpreendentes. E que sol mais bonito que invade a minha vida aqui dentro.

Sinto o coração esquentar. Percebo que esse amor que eu recebo, dado de graça, de alma, de corpo e de todas as ações que as pessoas julgariam piegas ou romanticazinhas ou qualquer coisa à lá etc e tal invade a vida. Olho para quem ele foi. Escuto todos os dias "você me faz a cada dia ter vontade de ser uma pessoa melhor" Entre palavras cortadas por suspiros, romances, beijos, carinhos, "eu te amo" infinitos... essa concretude da transformação que o amor opera. Testemunho isso. Sinto. Vejo. (des)Cubro.

Eu fui reler os útimos textos daqui. E achei interessante que o caminhar da dilatação perceptiva da gente se acelera, ofusca. Me dei conta que na vida, a gente sempre anda de olhos fechados, morrendo de medo de ver o que está além daquilo que podemos tocar, sentir. O desconhecido fica desconhecido porque o medo de aproximação é sempre maior que a curiosidade corajosa. Olhei pra ele agora há pouco cantando pra mim... que delícia saber que quando ele abriu os olhos, era eu que estava ali na frente... e que maravilha saber que eu posso abrir e fechar os meus. Tem sempre aquela mão carinhosa no meu rosto... e um sussurro baixinho... mas isso não posso contar...

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terça-feira, junho 05, 2007

soprando devagar no frio

Ontem voltei dirigindo mais uma vez pela Raposo. Era tarde e eu escutava músicas aleatórias. Nada particularmente especial, mas vinha sentindo, não pensando... milagres de fato acontecem...

sentia no coração essa brisa do inverno que corta o peito...

Sentia que o tempo tem esse efeito maturativo na gente, não curativo ou cicatrizante. A cicatriz fica. Sempre. Mas a gente olha pra ela de um jeito diferente. Mas sempre sente. Lembrei de muitas coisas no caminho, de conversas, de silêncios, de olhares e pensava que depois de muitos anos as coisas talvez só agora começassem a fazer sentido... A cicatriz dói com o frio do inverno. Lembra onde, quando e como começou tudo isso... Reler as anotações dá um olhar diferente do primeiro dia. O tal "olhar datado do historiador" muda de óculos... Um prenúncio de compreender, sem ter que aceitar.

Já é dolorido compreender, quanto mais aceitar. Tem doído, mas aquela dor de expulsão de pus... Ainda dói o peito, mas sinto, não penso, as coisas transformadas, intensas, honestas e mais próximas disso que a gente chama de coração.

Olho fora do carro. Vejo a luz do quarto apagada. Uma espera abraçada na cama. Quentinha, cheia de carinho, silêncio e todo amor do mundo pra mim. O que mais eu posso querer?

Deixar o frio soprar no peito, devagar, sentindo esse gelinho quente na alma.

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segunda-feira, junho 04, 2007

ver pelos olhos teus

Pela primeira vez... nesse tempo todo eu pude ver, aquel frestinha libertadora que anuncia o alívio. Pude te escutar... sem julgar. Ver a tua dor e sentir a minha... em silêncio para sentir a tua enfim.

Escutei, olhei, respirei. Vi ali esse menino quietinho sempre em busca de si mesmo, cheio de medos, incertezas. Precisando mostrar para si, para os outros. Escondendo a sua dor nesses braços e corpos estranhos sem amor. Sem vida. Puro desejo - de fuga - de vontade de se descobrir e perceber, depois de beijar e gozar nos cadáveres vampirescos de sexo e amor, que só você poderia fazer isso mesmo por si. Pena eu não ter imaginado esse desespero, a angústia e a ojeriza... Pena mesmo eu só ter visto essa sua ilusão quase tão convincente. Pena não ter sentido essa dor, o vazio.

Pena a gente não ter se desarmado antes. E pena você tê-la buscado. Pena eu ser tão insegura, quase como você. Pena eu não ter me perdido na vida e amado loucamente esses corpos solitários nas camas. Pena você não ter sinalizado antes, nem eu. Pena a gente ter tido tanto medo. Pena você ter mentido. Ter deixado a sua intuição de lado e se deixar envenenar por essa mulher... Pena eu ter sucumbido a uma carência e falsa esperança e querer ter voltado pra ele. Pena a gente ter se machucado tanto... Ter se defendido. Ter se escondido...


Pena eu ter lido tudo aquilo. Pena mesmo que quase tudo ali é meia-verdade. Pena eu não ter escutado o meu coração. Pena você escutar pouco o teu. Pena a gente ser tão cerebral. Pena eu ser tão exigente comigo, contigo. Pena não ter tido tempo para respirar e vomitar tantas vezes em ti. Pena a gente se omitir. Pena que eu tenha sido rancorosa. Pena você saber se comunicar tão mal quando fala do coração. Pena eu quase ter deixado te acreditar e querer a gente. Pena você ter quase deixado de dizer.

Pena que a gente caminhou sozinho tanto tempo. Pena que a gente se perdeu. Pena que a gente não controla a própria história. Pena eu ter que conviver com seus ex-amorecos esvaziados. Pena você me enxergar assim tão fraca. Pequena. Pena você ter saído sem mim. Pena você ter tomado tantas iniciativas vazias e doídas. Pena eu ter abandonado essa vontade de acreditar. Pena eu ter demorado a perceber quem você é realmente. Pena eu ter demorado a te entender. Pena mesmo eu ter agredido tanto.

Pena eu não ter conseguido perdoar. Pena você se esconder ainda mais. Pena que tudo isso não tenha começado antes. Pena a transformação demorar a chegar para que isso se transfigurasse nesse amor. Pena eu e você sermos oscilantes. Pena eu ter medo de te perder. Mas bom mesmo, é que eu não tenho o menor interesse em viver sem você. E melhor, é que você não tenha deixado de ser quem é.

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