quinta-feira, agosto 23, 2007

marquinhas

São 3 anos... e fiquei pensando no que dar de presente. É complicado porque a gente se presenteia todos os dias, em todos os momentos. Não seria exagero dizer que o Nosso é de fato um presente.

Fomos assistir Miss Saigon, presente da sogra... e ganhei o presente mais generoso vindo de alguém que está a se abrir a todo instante. Mas isso fica em segredo. É do Nosso.

Fiz uns marcadores de livros... Desses bem meus, românticos, ritualísticos. E novamente, à noite outra descoberta. Muito mais nossa...

E o mais incrível disso tudo é ver como a gente marca a vida um do outro, sempre, profundamente, intensamente. E não há como fazer isso sem dor...

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star wars >< sr dos anéis

1. Se sua espada cai, Aragorn precisa correr até ela para pegá-la de
volta.
2. Mark Hammil não parece uma moça feito o Elijah Wood.
3. Han Solo levaria apenas 0.0023 parsecs pra voar até Mordor.
4. Os Stormtroopers podem ser meio frouxos, mas pelo menos têm rifles
laser.
5. Duas palavras: cavaleiros jedi.
6. Flechadas não derrubariam um AT-Walker.
7. A Millenium Falcon é muito mais rápida que Scadufax.
8. Três palavras: sabres de luz.
9. O Um Anel pode permitir a conquista de um continente. A Estrela da
Morte destrói planetas.
10. Gandalf não pode simplesmente dizer: "estes não são os hobbits que
estão procurando."
11. Lando Calrissian traiu o grupo, mas compensou destruindo a 2ª
Estrela da Morte. Boromir traiu o grupo e, pra compensar, morreu
estupidamente.
12. Nenhum agente do Império tem medo da luz do sol.
13. Rohan tem tropas montadas. A Aliança tem uma esquadra de caças
X-wing.
14. Han Solo não namora uma mulher 3000 anos mais velha que ele.
15. Sauron não usa Star Destroyers.
16. O Pônei Saltitante não tem uma banda com integrantes de diversos
planetas.
17. Tantas línguas na Terra-Média - e nenhuma tão maneira quanto o
idioma Wookie.
18. Orthanc, Minas Morgul e Barad-Dûr não têm baterias anti-aéreas.
19. Nenhum Comandante Supremo do Império seria derrotado por uma mulher

e um hobbit.
20. Darth Vader não usa anel.

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terça-feira, agosto 21, 2007

Engraçado ver o tempo passar. E não sentir esse "peso" em você... Fazem 3 anos... e me sinto tão mais viva. Inteira. Ainda juntando pedaços desconhecidos de mim... Colando, costurando. Revendo a combinação de cores. E jogando remendos esfiapados...

Há gratidão nisso. E medo. Medo que eu me jogue ainda mais pra fora de mim. E o que fazer? Lançados os nós... Nosso.

E cada vez mais indefinido, define-se o que sinto aqui dentro. Inteiramente. Só pra ele. Devagar... como as eras. E deixando o que era para trás. Com conta gotas de aprender a amar...

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segunda-feira, agosto 20, 2007

vontade de ficar de ponta cabeça....

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o medo

Na semana passada, creio que pela primeira vez tive uma dimensão do que dizia o mestre Yoda sobre o medo e o lado negro. Curiosamente sempre me julguei meio "jedi" e , por ser fã do universo de Star Wars, achei que dominava alguma coisa dessas.

Nada. Conveniências e acasos à parte, estava passando o Episódio III - o nascimento do bebê vampiro Darth Vader. Fantástico poder assistir e combinar as reflexões com isso. Identificações tão sensíveis com a personagem do vilão. Como o medo de perder pode deixar a gente cego, deslumbrado com a vontade e a possibilidade de ter. E não temos nada. Mesmo. Fiquei pensando como a gente constói castelinhos de areia. Frágeis. Mínimos. Dentro e fora da gente.

Fiquei com medo de ter medo e cair "no lado negro da força". Entendia, muito claramente, esse lance todo de que o medo leva à raiva, que leva ao ódio e que leva ao lado negro da força... Tenho vivido tantos desafios jedis dentro de mim. Talvez sem o treinamento adequado, diria. Mas que pavor de pensar que posso atravessar uma fronteira dessas tão rapidamente. E mais medo.

Semana passada ouvia a terapeuta falando do que o medo faz com a gente. Como regredimos. E dizia sobre "sentar na verdade". Como assim? O que é a verdade ora, essa?! Como a gente direcionar o olhar e o sentir - examinar os sentimentos verdadeiros (o que mesmo???????????) - sobre a verdade. Onde depositar a confiança????

Me deu medo de novo. Há tantas incertezas no caminho... e coisinhas que a gente julga -petulantemente - saber...

É...

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sexta-feira, agosto 17, 2007

Ontem. Saí tarde da USP. Ouvindo sei lá bem o que e me roendo por dentro por causa do Pierre Bourdieu. No caminho pra aula uma conversa com o Tiago, velho de guerra! salve, irmão! sobre gênero.

Muito bem, trabalhamos juntos e ele foi escolhido primeiro porque é homem. Achei graça dessa situação - depois claro...! - afinal, não basta estudar as relações humanas disso que é chamado - vulgarmente hoje, penso - de masculino e feminino.

Fui pra aula rindo da nossa conversa sobre a História, sobre a vida, casamentos, separações, achados, perdidos, guarda-volumes. Ele se casou no início do ano com uma mulher absolutamente LINDA de morrer. Meio à lá Catherine Zeta Jones. De noiva então... pãtz! arrasou!

Este texto é uma homenagem a ele. Pra dizer de coisas, de afinidades de alma que a gente reconhece pela vida. Estudamos juntos. Mas não nos falávamos. Nem sei porque. Ele trabalha com o Vinícius, meu outro irmão de alma. E a vida reuniu a gente numa equipe sensacional.

O Tiago tem uns trejeitos do Vinícius, mas é mais bem-humorado. Ainda bem! Dá uma saudade do outro quando encontro um deles. Se parecem em muitas coisas. Estudam muito e fazem parte de um raro contingente de homens sensíveis-inteligentes-charmosos-meiofemininosporserembacanasedobemcomasmeninas! Sou fã. Ontem ele, surpreendentemente levou amanditas para a reunião. A gente como doxe HORRORES e como eu gosto de dizer, como que nem menino; ora esse papo de comer alface é pra coelho! Assumo minha condição humana !(ufa...)

Devoramos as amanditas em meio a uma reunião de decisões de comoseráofuturodahumanidadesedependerdenós. Não seria ruim se dependesse, mas acho que não ia rolar. Digamos que a gente seja do time idealista-ingênuo-sonhador contra o resto do mundo. Ok, meio alienista.

Apresentei a Márcia pra ele. Outro encontro. Tenho vontade de ter o Tiago e a Cris, mulher dele, mais perto. Engraçado porque tanto eu como ele podíamos ter transformado a disputa de vaga em desconfiança pura. Só amor! E reconhecimento.

Estranhamente eu sinto uma coisa meio mãe, pode? Vontade de cuidar dos amigos queridos. São tantos. Tantos que eu não vejo mais... A vidna do Rodrigo a SP me despertou tantos sonhos deixados nos lençóis... escondidos nas cobertas. Ficamos horas conversando no dia que ele veio em casa. Uma vontade de congelar ele aqui dentro. Difícil aceitar no meu apego leonino às pessoas que elas se vão, puxam os elásticos pra longe e nem sempre voltam depressa. às vezes nem voltam... e fico aqui esperando com a cordinha na mão... saudade de tanta gente! mas é bom ver que tenho diversas cordinhas amarradas nos dedos. Que, quando eu puxar, a pesca será maior...

E que seja doce... com as amanditas...

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terça-feira, agosto 07, 2007

lavando a alma MESMO

 

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emergindo




De fato, dá vontade de ficar ali, contemplando. E me lembro daquela frase de Fernão Capelo Gaivota... "vê mais quem voa mais alto". Ontem, antes de dormir fiquei relendo o Sandman. Antes de me despedir das cartas do Caio Fernando, estava com esse sentir-se só. Uma solidão de dentro. Olhava o Juliano ali do lado. Que coisa boa... mas é a solidão de que a transformação é solitária. Você só pode fazer isso por você mesma. E as pessoas, no máximo te aplaudem. Ou nem isso.

Sandman sonha? Permite esses sonhares. Nem sempre solitários. Mas deve ser mais triste só contemplar a humanidade dali de cima. É difícil optar pela contemplação e pela experiência... As duas dão esse medinho.

Saudade da cachoeira...

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segunda-feira, agosto 06, 2007

descasulando

28. Saturno. E esse amadurecer lento. Doído. Que a gente joga pra fora da gente quase cuspindo. Márcia leu meus textos aqui. Achei legal porque às vezes sinto que a solidão me toma escrevendo. Me deixa esse sentir-se só... Engraçado porque ela me fez ver uma coisa que tenho refletido - sozinha, claro.

Me perguntou se eu estava infeliz. Me disse - nada sutilmente, claro Márcia - que eu projeto as minhas dores nos outros, sobretudo no Juliano. É ÓBVIO que eu faço isso, por isso se chama relacionamento. Por isso mais ainda que eu estou vivendo essa catarse de transformações alucinantes interiores - e exteriores: CORTEI O CABELO! estou me achando suuuuuper mulherão! bom pra nova fase de aniversário!

Sábado rolou a festinha. Bom ver os amigos de tanto tempo! nossa! tanta gente querida! e todos se apresentando! se conhecendo se curtindo! uma delícia. Enfim. Eu fico sempre embasbacada e alucinada porque de repente estão todos juntos ali, de uma vez, ao mesmo tempo agora. E essa vontade de abraçar e sair falando-rindo-dançando-badalando-chorando com todos eles. E claro que eu não consigo. Minha hiperatividade ainda não deu conta disso. Ainda bem.

Mas o ponto da noite foi uma conversa com o Gavin. Ele é uma jóia dessas preciosíssimas que encontrei no meio do deserto. Um deserto intenso de experiências peregrinas pra dentro e fora de mim. Ao mesmo tempo. Um ano de trabalho com artistas num projeto meio "vamos mudar o mundo". Depois que os poderes de Grayscol não rolaram e faltou maturidade de todos os lados, o esqueleto tomou o castelo. E eu saí por Tandera sem querer definitivamente mudar o mundo. Já dá trabalho mexer dentro desse caroço aqui. Mas voltando ao Gavin... Artista queridíssimo e um educador que sabe - tem aprendido na pele... educar a dor. A dele. E isso me comove demais. Foi pouquinho, mas nesses pouquinhos sempre rolam as epifanias. Mistérios da vida.

Ainda vou escrever mais sobre ele depois... Mas o presente veio depois de uns vinhos aqui e ali. Uma despedida carinhosa e cheia de encorajamentos para prosseguir nesse desafio - bem precário às vezes - que a gente chama de amadurecer. Arte mesmo. Tekné. Saber fazer. Sem receitas. Aí está o conceito de habilidade.

Hoje saio da terapia depois de um mês de sossego externo e puro inferno astral vivido no âmago desse cuspimento de mim. Alívio... mais talvez porque as coisas demorem a se resolver do jeito que eu quero - e aí reside um mistério gostoso da vida - do que de uma pseudo-solução-terapêutica-astrológica-espiritual.

A gente vai vivendo. E se humanizando. E amando. E (des)cobrindo mais da gente. (re)velando... tanta coisa boa. Que presente ter o Juliano por perto. Mais perto de mim do que eu mesma...

pra me segurar quando eu bater as asas e deixar essa vida lagarteando...

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telefonando...

Domingo. Dia de (suposto) descanso. e lá eu... à procura de uma solução para o meu celular. Fiquei me sentindo em um furacão meio à lá twister... ou qualquer coisa brega e bagunçada. Fomos a 3 lojas da TIM...

Detalhe importante para sublinhar a eficiência de serviços de comunicações do país... ligamos para o serviço de informações e a figura, dita "consultora" consultou todo mundo e ninguém, podendo-estar-dando-a-chamada-consultoria-dos-assessores-da-TIM, pôde ajudar. Mãe Diná teria feito melhor. Walter Mercado com o seu "ligue djá", coitado... djá teria ficado esperando HORRORES e perdido clientes. Nenhuma clarividência explicaria isso.

Trânsitos astrais à parte... Andamos por 4 lojas... Mais fácil achar o Santo Graal e mesmo a Arca da Aliança. Quase pedi emprego ao Spielberg como atriz coadjuvante em Indiana IV! Nos mandaram para a loja do Vila Lobos - a 3 loja! - e quando chegamos lá... nos mandaram para o Iguatemi. Muito bem. Respirei fundo. Tentei pedir uma explicação qualquer e depois, "será que por gentileza você poderia ligar para lá e confirmar que o sistema deles está funcionando?"

"Não".

Como assim? Fiquei sem acreditar por uns segundos e já estava respondendo "ah, ok, obrigada".... "não podemos ligar pra eles porque eles nunca atendem o telefone", disse o mocinho com toda naturalidades dos consultores-consultados. Passei. Imaginem. Uma empresa de telefonia que não atende o telefone. Ok, ou seja, TIMganram...!

Chegamos na loja do Iguatemi depois de esperar o maná dos céus e Deus, evidentemtente, ocupadíssimo - imagino que ele deveria estar em algum local do céu atendendo ligações de pessoas desesperadas como eu, ansiosas e inconformadas. Ou pior - ele também não atendia telefone. Afinal, era domingo, dia do senhor. Havia uma fila consideravelmente GRANDE e todo aquele papo de "pode esperar pela senha". Pegamos senha. E ficamos olhando como peixinhos no aquário a loja em frente. VIVO. Estavam todos muito mortinhos ali, a começar pelos clientes, exaustos, impacientes. Ficamos ali e quando eu ia perguntar qualquer coisa filosófica como eunãoseiporqueagentetemquepassarporisso o Juliano se levantou e foi até a "concorrente". Mais: ficamos conversando com os vivos clientes e pasmem! - sãotodasiguaisemserviços! MESMO.

Depois de uma conversa rápida sobre promoções e seduções tecnológicas fomos surpreendidos pelo lojista da VIVO entrar, bastante à vontade, na loja da TIM. Literalmente atravessou a rua. Foi ali. Entrou atrás do balcão. Pediu informações à lá confidencial e voltou com um papo olha-a-gente-pode-resolver-isso-e-eles-não. A loja ia fechar. Antes que tomássemos uma atitude naqueles espírito -surpreendente - dominical, voltamos. Claro, eu tinha que xingar a vendedora da VIVO que foi suuuuuper grossa só porque queríamos uma última informação. Depois de ficar umas 6 horas do dia nessa comunicação surreal...

Voltamos para casa quase 10 da noite sem resolver as coisas do celular.

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segunda-feira, julho 30, 2007

o retorno ... de qualquer coisa

Enfim, de volta às praias paulistanas. Geladíiiiiiiiiissimas. Depois de alguns chuás nas cachoeiras de MG e alguns retiros espirituais - nada fáceis nesse trânsito de inferno astral (existe mesmo! aos incrédulos!) - estou de volta. Preparada para encarar mais um semestre. Mais um aniversário e mais um de tudo o que a vida reserva. (sempre é mais um... nada se cria, nada se perde... bla bla bla)

Estou pensando em escrever algo sobre o Retorno de Saturno. Meio remaker de O Retorno de Jedi. Detalhe: só terminarei a saga em 2009... Mas vamo que vamo. Muita literatura nessas férias. Carrapatos, pulgas e outros parentes próximos! Viva a natureza e toda essa onda brega de ecoturismo e preservação. Somos intrusos MESMO. Senti na pele (isso não é definitivamente, figura de linguagem... dá-lhe anti-alérgico!)

Novas metas - que espero, torço, suspiro - que sejam cumpridas! e aquele etc e tal de sempre na véspera de aniversário. Saudades do tio Fredy. e profundíssimas!!!!! sempre!

Fico por aqui com a previsão do tempo para hoje: saia de casa suuuuuper entrochado, com um anti-gripal, guarda-chuva, e uma regatinha e protetor solar caso o tempo mude.

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domingo, julho 08, 2007

Passeios a pé pela cidade hoje me fizeram lembrar de coisas gostosas do passado. Café depois de sair das aulas de ballet no municipal... visitas à livraria francesa...
conversas intermináveis sobre "como será o amanhã"...

É bacana quando o amanhã surpreende. Com gosto de trufa derretendo na boca... esquentando esse gelado da nossa existência.

Acabei de receber os meus pais aqui em casa e numa conversa com a minha mãe, recém chegada de Porto Alegre, com bá e tudo o mais, me dei conta que os amanhãs surpreendem sempre. Mesmo - talvez mais - na vida dos outros. Tantos anos fora do Rio Grande e a gente continua vinculado.

A família é a raiz mais forte que existe, quando bem construída. Me senti num romance da Scarlet Ohara... e foi assim mesmo que eu gostei de me sentir. Enraizada nesse vínculo misterioso da vida - a família. É o velho porto, seguro. Sempre com as luzes acesas, mesmo quando você muda e pára de olhar naquela direção. Misteriosamente - e sem você saber - ele te espera. Porque sabe que você, no fundo mesmo, nunca sai de lá.

Fiquei com essa doçura no corpo todo. Vi a Renata grávida, me lembrei do casamento dela. Em Lavras. Da festa, das risadas, do porre. Da volta pra casa. Do fim da faculdade. Tantas misturas boas aqui dentro... lembranças recheadas com esperança. De expectativa de viver esse futuro mistério que se renasce no ontem...

Fiquei pensando, olhando a Renata, que uma nova família viria ali. Esperada e cultivada. Deu saudade dos meus irmãos. Estão longe, vivendo suas (re)descobertas. Quis ligar pra eles dois... um aperto gostoso aqui dentro. Nem sei bem como eu comecei a escrever isso. Nem sei como vou terminar. Só a sensação de que é como um sentimento de família... nunca termina, nem sei se principia de algum buraco dentro da gente... e eu aqui... sem jeito, sem texto, cheia de sentir, se saudando nas lembranças de cada um ali na fala da minha mãe, nas risadas dos meus irmãos, e na barriga linda da Rê...

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quinta-feira, julho 05, 2007

casa(r)(ndo)

Estranhamente nessas férias estou caseira demais... Depois de ajeitar o básico no primeiro dia de sossego, atropelei a ansiedade fazendo faxina no guara-roupa... é. Terapia de graça, que alivia, e dá uma renovada na energia.

Foram horas de ajustes, ajeites, ajeitos, e desajeitos na minha bagunça interior que sempre se transforma depois de uma boa limpeza. Colocar as minhocas para trabalhar. Isso mesmo, que elas tenham utilidades nobres à alma além de me atasanar...

Aliás, outro dia me perguntaram porque há tempos não escrevia sobre elas. Se eu tinha dado férias às meninas...estava menos rancorosa... Fiquei ouvindo aquilo tudo... e de repente parecia que essa figura que me indagava sobre essa "peculiaridade" nos meus textos não tinha entendido absolutamente nada.

Não vou ficar explicando as minhocas, nem dizer nada delas. Além do que elas são de fato. Minhocas. Com "M" maiúsculo. E por isso mesmo, profundamente femininas (no pior sentido dessa contextualização... Pandora, você nem imagina como seria o mundo se naquela sua caixinha tivesse minhocas...! não mesmo!), com curvas, sorrisos, lábios e tudo o mais. E mais: inteligentes. Isso mesmo, burlam você, derrubam você. Por isso mesmo não podem ser apreendidas, confiscadas e, lamento dizer, explicadas.

Mas voltemos... Esse pequeno bate papo informal sobre elas me deixou encabrunhada... primeiro, tem mais gente que lê isso do que eu pensava. Bom. Não é esse o problema. Segundo, como tornar o indecifrável tratado sobre mim mesma, para sempre inacabado e revisado, e rascunhado, minimamente legível... Comecei a rir pensando que eu talvez me daria ao trabalho de fazer isso.

Tenho escrito sobre o casamento. E a pergunta do Gustavinho, citada no post anterior, me trouxe algumas luzes. Primeira fresta da janela aberta: eu sou muitíssimo feliz. E talvez seja exatamente esse o problema. Não em ser feliz. Mas compreender e apreender o que se entende sobre felicidade. Delírios literários, psicanalíticos à parte (não vou mesmo me dar ao trabalho de falar sobre isso!) eu fiquei pensando que, além do fato disso ser profundamente relativo, o desafio está em viver essas pequenas epifanias. Não compreendemos nada sobre o pleno estado do ser. Não somos. Estamos apenas. Estamos com calor, frio, fome, sede, felizes, tristes, eufóricos, putos da vida, de saco cheio. Estamos sempre alguma coisa. Essas etiquetas mutantes são a única coisa que temos de mais constante (apesar de toda a inconstância delas!)... e de fato, ainda estamos aprendendo a ser.

Talvez ser feliz seja extamente saber lidar com essa mutação de etiquetas emocionais, sociais que se têm o dia todo. Sem controlar. Ora, isso sim é pura ilusão. Talvez seja o movimento de sempre (re)fazer as faxinas no guarda-roupa... sem medo de jogar fora a roupa de anos atrás. O ponto é que a gente (aí sim!) É super apegado...

O casamento é isso. Testemunhar a vida do outro. Ok, essa é a parte fácil Você até pode assistir de camarote se quiser. Comprar uma pipoca, esperar e apagar a luz. A parte difícil, desafiadora e, claro, a mais bonita, é deixar que o outro testemunhe a nossa vida. Nossos defeitos, medos, alegrias, conquistas e derrotas. Testemunhe nossas mais feiosas e engraçadas idiossincrasias. E, maravilhosamente, passe a amá-las. É... isso é espetacular. Nossa existência na Terra já é solitária e corre-se o risco de ser vazia, sem graça, quase esquecida. Sempre me lembro de como os egípcios sacramentavam essa passagem da gente aqui. Escreve-se o nome das pessoas na pedra. Ela viverá para sempre. Será sempre lembrada por alguém.

Cansados de carregar as pedras habituais da vida que, cá entre nós, pesam um bocado... A gente se casa. Por amor, por medo da solidão, por encontrar a pessoa que completa, que dá sentido, por paixão, por gravidez inesperada, por grana, por qualquer coisa...

E, para o meu romantismo incontestável, o testemunhar é o que se tem de mais inteiro nisso. E justamente por esse motivo é que os casamentos duram pouco, ou nem começam, ou escorregam pelos dedos... Falta manutenção. Cuidado. Ser testemunha não é fácil mesmo. Advogados que o digam. Mas as pessoas tem medo dessa tarefa, você não pode mentir e, se o fizer, será condenado em algum plano de existência, seu ou do outro. Mas não passará incólume.

Justamente por isso. No dia do lançamento do livro do Pico, fiquei um tempão conversando com o Gustavinho... falamos sobre isso. Sobre mim. Ele viu uma Srta T há alguns anos atrás a ponto de quase se perder dela mesma. E foi o primeiro, talvez o único a dar a sentença de morte. Disse a ele de coisas que acontecem nos meus pesadelos de viver. Contei de coisas, de dores, de saudades, de tristezas, de transformações. E concordamos nisso. Transformação dá trabalho. Dor de cabeça (dói em outros lugares também...) E talvez esteja aí a metáfora do casamento que encontrei nessa conversa com ele... arrumar a casa para esperar a pessoa mais importante da sua vida. E descobrir que a sua arrumação, mon cher, não está a contento. Que aos poucos a monotonia da sua casa precisa mudar os móveis de lugar, limpar os farelos de pão que o outro deixou cair. Lavar lençóis, tirar o pó. Ah! detalhe importante! Nessa casa não se trabalham faxineiros ou empregados. Só você, afinal o seu convidado pode, no máximo, ser orientado onde e como jogar o lixo. E onde vai se sentar à mesa. O resto... é da nossa conta.

Por isso mesmo o casamento é assim. Bonito demais. Gostoso de tudo. Até com esse azedo amargo no fundo. Se mastiga... e quanto mais se mastiga, mais saboroso fica. Você descobre outros ingredientes secretos. Mas é preciso paciência.

Mais ainda, é preciso gostar de ficar em casa. E continuar arrumando tudo. Sem pressa. Com carinho e jeitinhos... fala-se pouco, e se faz mais... o resto, vem de madrugada, naquela ternura toda do edredon. Que é só nossa... e ninguém poderia jamais compreender. Epifania...

Gu, obrigada por me mostrar essa casa nova, naquela noite no Frans... sempre aberta para te receber...

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tardes de inverno



Essa imagem, de uma tarde de frio, sol, calor, passeio na usp...
Me lembrou o Gustavinho quando me perguntava na terça-feira, se eu vivia uma fase boa da minha vida...

Engraçado como isso se mostra de modos diferentes para as pessoas. Lendo e relendo algumas das coisas daqui, pode parecer, talvez, que eu tenha estado mal... mas como mesmo? se tudo o que eu tenho sido e vivido, experienciado e abraçado é o mais bonito que a vida pode dar. A gente nasce aos poucos, e demora pra florescer. Enquanto isso nos resta passeios em tardes assim, com carinhos na mão, no rosto e beijos no coração. Se a gente não consegue florescer a tempo, fico olhando as flores já nascidas. Vermelhas. Doídas até...

e agradecendo a minha história de amor... que sempre surpreende, e esquenta esse friozinho de inverno no peito...

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domingo, julho 01, 2007

resposta de infância

Thaty,

Mais uma vez fica dificil expressar em palavras tudo o que senti lendo o lindo post que você escreveu no seu blog. Peço desculpas pela demora em ler e responder mas minha vida anda literalmente de cabeça para baixo, acontecendo coisas que te conto na próxima vez que sairmos para tomar um chopp (quer dizer, tecnicamente porque eu, como sempre, vou pedir guaraná:-).
´
A vida realmente passa muito rapido e ao olhar para trás, pro nosso passado juntos, muitas vezes ele parece como algo de sonho, como cenas que nossa mente construiu e que não aconteceram de verdade.

Você bem sabe o quanto, em boa parte da minha vida, eu fui muito sozinho. Fosse pela timidez, pelo meu jeito ou minhas idéias eu era aquele garoto de um amigo só, que não saía com os outros e que passava longas tardes brincando sozinho. Isso só começou a mudar quando fiz quinze anos e quando por consequência conheci os meninos do Mirr (uma benção de Deus sem a qual não saberia como seria minha vida hoje). O que quero dizer é que antes de tudo isso, havia uma pessoa que enxergava em mim mais do que "o filho do dono da escola", o "nerd medroso" e esse alguém sempre foi você.

Você foi minha primeira amiga e a pessoa por quem me apaixonei pela primeira vez. A ´pessoa que aceitou me dar aulas particulares depois do horário, que criava e inventava mundos de fantasia, com que eu discutia a filosofia quântica dos nanotransmissores elementares :-0.

Sinto muitas vezes que em todos esses anos não fui capaz de retirbuir adequadamente todo esse amor e dedicação que você tem por mim e quero que saiba que se muitas vezes não o demonstro é porque não sei exatamente como faze-lo. Você foi uma grande benção de Deus em minha vida, talvez aquela que me deu a força necessária para sair do mundo infantil e perceber que não é só de fantasias que se faz esse terrivel e obscuro mundo das pessoas adultas.

Saiba sempre que te adoro e o quanto você é especial para mim. Estou certo que em um futuro distante, quando estivermos bem velhinhos, ainda vamos lembrar dessa fase com muito carinho

Beijos de quem te adora

Pico.

P.S: A nossa foto de caipirinhas é a ÚNICA foto de mulher autorizada pela Aninha a permanecer na minha escrivaninha :-)

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sábado, junho 23, 2007

irmanando

O corpo fragilizado mesmo... tanto cansaço, tanta vontade de ficar quietinha... e nesse quase-sono entorpecido... eu descubro mais...

Há coisas que a gente só se permite ver na fragilidade. Nesse entorpercer do corpo, cansando de si mesmo. De ver o mundo e sentir como se a gente pudesse, de alguma forma, controlar.

Ontem recebi a notícia... Clara terminou o namoro. Engraçado como algumas notícias tem impactos profundos na gente. Passei o dia com ela em sentimento. Não nos falamos. Fiquei com o coração apertado. Queria estar perto, ajudar, sentir, abraçar, escutar. Essas conversas que as irmãs têm quando se reconhecem mulheres adultas... Passei o dia assim. Descobrindo na minha fragilidade física a vontade de estar e ser ela. Tirar essa dor do peito e trazer pra mim. Mas ao mesmo tempo me lembrei de alguns anos atrás... a libertação é melhor sensação para a alma. Não posso roubar essa dor liberta dela. Não é justo...

e fico aqui, olhando as flores pela janela, esperando a Clara me ligar. Ou ligo antes? antecipo... ventos na cortina...

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sexta-feira, junho 22, 2007

antes de nós

Antes de mí tú no eras tú,
antes de tí yo no era yo.
Antes de ser nosotros dos
no había ninguno de los dos,
no había ninguno de los dos.

Antes de ser parte de mí,
antes de darte a conocer,
tú no eras tú y yo no era yo,
parece que fuera antes de ayer.

Antes que nada
yo quiero aclarar
que no es que estuviera tampoco pasándolo mal antes.

Pero algo de mí, yo no supe ver
hasta que no me lo mostró,
algo de tí, que quiero creer
que no vio nadie antes que yo,
que nadie vio antes que yo

Después de todo
lo que quiero es decir
que no entiendo como podía vivir antes,
no entiendo como podía vivir antes
no entiendo como podía vivir.

Antes de irme
yo debo decir:
yo también pensaba que era feliz
No entiendo como podía vivir antes.

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quinta-feira, junho 21, 2007

perguntando sobre as tulipas

Ontem um amigo me perguntou o que eram as tulipas além da obviedade - flores...
Percebi que o texto cozinhado na geladeira sobre elas deve ser terminado... Mas para que mesmo? não seriam essas tulipas as minhas testemunhas mais quietinhas? soli(t)dárias?

Talvez seja essa coisa do Mario Benedetti mesmo, sobre El Nuestro, que foi pessimamente traduzido! Dias atrás eu estava na Livraria Cultura e dei de cara com a tradução. "O Nosso Assunto"... que quase me deu uma crise de pânico. Me senti tão ultrajada com aquilo. Afinal, o Nosso é sempre nosso, meu quase. Como poderia ter sido traduzido desse jeito?

Acho que é o mesmo com as tulipas... não sei se vou me dar ao trabalho de explicar alguma coisa. Não mesmo...

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terça-feira, junho 19, 2007

caminhar por aí

 

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el nuestro

 

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